… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sexta-feira, 12 de maio de 2017

12 de maio de 1893 • Samuel Morris foi “conversar mais intimamente com o Pai”



12 de maio de 1893 Samuel Morris foi “conversar mais intimamente com o Pai”
Samuel Kaboo Morris

Há poucas informações sobre a sua infância, apenas se sabe que Kaboo nasce em 1872, no interior da Libéria, e que era o filho mais velho de um dos régulos da tribo cru. Quando Kaboo tinha cerca de 15 anos, numa guerra tribal, os guerreiros da sua tribo foram vencidos por uma tribo vizinha, e ele sendo o filho mais velho do chefe derrotado foi levado como refém até que o resgate lhes fosse pago.


Para o resgatar o seu pai entregou tudo o que possuía de valor, mas para o inimigo isso foi considerado insuficiente. Enquanto era mantido cativo, vivendo como um verdadeiro escravo na tribo inimiga, Kaboo, era barbaramente espancado e chicoteado de forma cruel todos os dias e ainda lhe davam por bebida vinho envenenado! O seu destino era a morte.



Num desses tristes dias de cativeiro, quando ele estava prestes a ser novamente agredido, Kaboo contou que uma luz muito forte brilhou sobre ele e cegou momentaneamente os seus algozes, ordenando-lhe que fugisse imediatamente, o que ele fez. Nesse instante, como que as feridas lhe foram curadas, recobrou as forças e guiado pela luz, ia correndo para a selva, escapando assim dos seus captores. Durante as próximas semanas o jovem cru era guiado no caminho da floresta à noite pela luz muito forte, que lhe mostrava onde se esconder durante o dia.



Quando por fim, se sentiu seguro, Kaboo deixou a selva, e encontrou uma pequena fazenda de café. Para sua surpresa, a primeira pessoa que encontrou era um rapaz também cru da sua idade, que ajudou Kaboo a arranjar trabalho na fazenda e a lá começar uma nova vida. Todas as noites Kaboo ficava boquiaberto ao ver o seu amigo de joelhos, orando. Até que numa noite Kaboo lhe perguntou o que estava fazendo. Respondeu-lhe o companheiro, “Eu estou falando com Deus. Ele é meu Pai. No domingo seguinte, eles assistiram ao culto juntos numa igreja, onde uma missionária estava contando a história da conversão de Saulo e da luz do céu. Ao ouvir a história, Kaboo gritou: “Eu vi essa luz” e logo ali deu a sua vida a Jesus. Depois a Senhora Knolls, professora da escola dominical desta Igreja, começou a instruir Kaboo na Bíblia e a ajudá-lo a aprender inglês. Depois Kaboo foi batizado e logo, à semelhança do cruel Saulo perseguidor, ressalvadas as devidas distâncias, recebeu um novo nome, Samuel Morris, tornando-se logo no principal suporte e cooperador do trabalho missionário da Senhora Knolls.



Samuel continuava a crescer fé e desejava aprender mais sobre o Senhor Jesus. Então, no seu coração nasceu-lhe o desejo de ir para os Estados Unidos a fim de se preparar para falar de Jesus ao seu povo.



Após orar, o jovem Samuel, agora já com 18 anos, conseguiu um lugar como marinheiro de um navio rumo a Nova Iorque. Ele pagava a vigem com o seu trabalho. Os velhos marinheiros, seus camaradas, depressa perceberam que o jovem liberiano era marinheiro de água doce, pelo que lhe começaram a cascar rijo. Suportava ele cristãmente os maus tratos e respondia-lhes com mansidão. Eles viam Samuel orar frequentemente, até mesmo durante tempestades perigosas. Atraídos pela paz profunda de Samuel, a tripulação, um a um, começaram a dar as suas vidas ao Senhor Jesus.



Um dia, durante a longa viagem rebentou uma briga entre dois membros da tripulação e um deles muito agressivo e qual animal feroz ameaçava matar o outro com um facalhão. Samuel interveio calmamente, olhando o homem nos olhos com confiança, e o crime foi evitado. Uns dias depois, esse mesmo homem caía doente e estava às portas da morte. Samuel orou por ele e pela graça de Deus, ele foi curado. Ele arrependeu-se verdadeiramente dos seus maus caminhos e converteu-se num novo homem. No final da viagem, que demorou cinco longos meses através do Atlântico, a tripulação era radicalmente diferente. Ele tinha aproveitado a viagem e havia testemunhado a toda tripulação do amor do amor de Jesus.



Logo que aportou no cais de Nova York, Samuel perguntou onde poderia encontrar Stephen Merritt, que era o hospedeiro que o havia de receber. Um homem que ele nunca vira informou-o de que o Sr. Merritt morava do outro lado da cidade, e oferecia-se a Samuel, levá-lo lá para um dólar. Quando eles chegaram ao destino, o homem que lá o transportara exigiu o seu dólar e Samuel respondeu-lhe: “Agora, Stephen Merritt pagará todas as minhas contas!” Stephen Merritt graciosamente entregou a nota de dólar exigida. Entretanto o Sr. Merritt tinha já outos compromissos inadiáveis combinados para aquele dia e deixou-o na missão, voltando mais tarde. Naquela noite, quando o Sr. Merritt voltou para a missão, encontrou Samuel rodeado por sete homens, todos prostrados, que diante do Senhor se arrependiam dos seus pecados! O Sr. Merritt estava espantado e maravilhado. Ele congratulou-se por ter Samuel em sua casa, e passou a alimentá-lo, a vesti-lo e a calçá-lo



No dia seguinte, o Sr. Merritt tinha de realizar a cerimónia religiosa de um funeral convidado Samuel para ir com ele. No caminho, eles pararam para levar outros dois clérigos no coche do Sr. Merritt. Estes homens ficaram chocados e relutantes em subir a bordo e serem transportados na companhia de um rapaz africano. Logo Samuel sugeriu que orassem. Ele ajoelhou ali mesmo no coche parado e começou a “falar com o Pai.” A pureza e a simplicidade de tal oração, qual bálsamo reparador abriu os olhos espirituais daqueles dois bons ministros curando-os da sua própria mesquinhez espiritual.



Uma classe da escola dominical foi tão impactada pela relação de Samuel com o Senhor, que decidiram financiar a ida de Samuel para um Instituto Bíblico. O Sr. Merritt organizou e preparou tudo para que ele fosse então para a Universidade de Taylor em Fort Wayne, Indiana. Cinco dias depois, Samuel estava de abalada para lá.



Imediatamente, este jovem provocou grande impacto na Universidade de Taylor. Quando o Presidente lhe perguntou em que quarto é que ele queria ficar, Samuel respondeu: “Se há um quarto que ninguém quer, dê-mo para mim.”



No domingo seguinte, ele foi à procura da igreja dos negros na cidade. Lá, enquanto testemunhava ao povo, muitos foram tocados. O ministro desta a igreja perante tanta graça de Deus derramada nos nossos corações dos pecadores, disse: “Jamais esta congregação viu coisa assim! Graças a Deus!”



Naquele inverno, por causa do frio extremo Samuel adoece. E neste dia, 12 de maio de 1893, com cerca de 20 anos de idade, Samuel Morris foi “conversar mais intimamente com o Pai”. No seu rosto havia um olhar de extrema alegria e paz. O melhor resumo dos seus curtos vinte anos de vida pode ser encontrado na sua pedra tumular. Lê-se nela: “Samuel Morris… famoso místico cristão. Apóstolo da fé simples. Expoente da vida cheia do Espírito.”


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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