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sábado, 13 de maio de 2017

13 de maio de 1638 • Richard Simon, exegeta francês



13 de maio de 1638 Richard Simon, exegeta francês
Rosto de “Histoire critique du Vieux Testament de Simon, 1685, Casa Reinier Leers

Ricardo Simon ou Richard Simon, nasceu em Dieppe, na França, neste dia 13 de maio de 1638 e ai morreu em 11 de abril de 1712. Foi um exegeta, filósofo, historiador e crítico francês. É considerado o iniciador da crítica bíblica em língua francesa. Ricardo Simon recebeu a sua primeira educação no colégio da Congregação do Oratório de Dieppe. A generosidade de um amigo permitiu-lhe estudar teologia em Paris onde irá se interessar pela língua hebraica e outras línguas orientais.

Em 1658 Richard Simon era noviço dos oratorianos e, depois de se afastar, em 1662, ao receber permissão para continuar os seus estudos voltou para lá, para acabar o seu noviciado. Foi ordenado sacerdote em setembro de 1670, mas em 21 de maio de 1678 foi expulso da Congregação do Oratório por causa da publicação de “Histoire critique du Vieux Testament” (Paris, 1678; tradução inglesa de R. Hampden, “Critical History of the Old Testament”, 4 volumes, Londres, 1682). Então retirou-se para a paróquia de Bolleville na Normandia, para onde tinha nomeado em 1676, vivendo depois em Dieppe, Rouen e Paris. Antes da sua expulsão da Congregação do Oratório foi durante algum tempo professor de filosofia em Juilly, e, embora tivesse a tarefa de catalogar os manuscritos orientais da biblioteca ele dedicou-se com grande entrega aos estudos bíblicos, rabínicos e patrísticos.

Racionalista por temperamento e briguento por disposição, o conhecimento que adquiriu envolveu-o em incontáveis controvérsias, sendo a mais famosa a centrada na mencionada “Histoire critique du Vieux Testament”. Esta obra, depois de sete anos de preparação, tinha passado pelo censor e estava no prelo, à exceção do título e da dedicatória ao rei, quando o prefácio e o índice dos conteúdos caiu nas mãos de Bossuet (Jacques Bénigne Bossuet, Dijon, 27 de setembro de 1627 - Paris, 12 de abril de 1704, bispo e teólogo francês, um dos principais teóricos do absolutismo do direito divino, defensor do argumento de que o governo era divino e que os reis recebiam o seu poder de Deus). O cabeçalho do quinto capítulo da “Histoire critique du Vieux Testament” era “Moisés não pôde ser o autor de todos os livros que lhe são atribuídos” foi suficiente para que Bossuet interviesse, mandando destruir em 19 de junho de 1678 todos os exemplares da obra, escapando da destruição apenas alguns poucos exemplares. De um deles Daniel Elzevir (1626-1680) preparou uma edição incorreta (Amsterdão, 1680), publicando Simon mesmo depois outra edição em 1685 em Roterdão com um prefácio como se fosse de autoria de um protestante e com notas referentes a Simon, escritas na terceira pessoa. Esta obra foi duramente atacada, mas as porções relativas ao Novo Testamento foram aumentando tanto que foram publicadas em partes separadas sob os títulos de “Histoire critique du texte du Nouveau Testament” (Roterdão, 1689; tradução inglesa, 2 partes, Londres, 1689), “Histoire critique des versions du Nouveau Testament” (Roterdão, 1690; tradução inglesa, Londres, 1692) e “Histoire critique des principaux commentateurs du Nouveau Testament” (2 partes, Roterdão, 1693), seguido por “Nouvelles observations sur le texte et les versions du Nouveau Testament” (Paris, 1695) e por uma tradução anónima da “Vulgata” (4 volumes, Trévoux, 1702). Esta versão foi também atacada por Bossuet e embora Simon introduzisse mudanças na tradução e explicações que corrigiam o primeiro texto, o livro foi proibido.

Até ao final da sua vida Simon publicou “Lettres choisies de M. Simon” (Amsterdão, 1700) e, sob o pseudónimo de M. de Sainjore, “Bibliothèque critique, ou recueil de diverses pieces”. (4 partes, Paris e Amsterdão, 1708-10). Depois da sua morte apareceu o seu “Nouvelle bibliothèque choisie” (2 volumes, 1714) e entre os seus outros escritos destaca-se “Histoire critique des dogmes, des controverses, des coutumes et des ceremonies des Chrétiens orientaux” (Trévoux, 1711; tradução inglesa de A. Lovell, Londres, 1685).

Richard Simon foi quem primeiro tentou escrever uma história da Bíblia como se trata-se de uma obra de literatura, uma atrevida inovação, considerando as condições intelectuais do seu tempo. Não obstante, Richard Simon não dirigia a sua atenção ao conteúdo da Bíblia ou ao desenvolvimento dos conceitos religiosos que nela se encontram, mas sim ao próprio texto, às versões e comentários.

Desprezando os postulados tradicionais e dogmáticos da sua época, Richard Simon discutiu criticamente a “Septuaginta” e a “Vulgata”, defendendo a tradução da Bíblia para as línguas vernáculas.

Considerou que o texto massorético representava uma boa tradição, mas postulou a origem tardia das vogais hebraicas e a escritura quadrada. Na crítica do Novo Testamento defendeu o idioma grego contra os puristas. Sobre a origem do Antigo Testamento manteve que houve em Israel, no tempo de Moisés, escribas públicos cujo dever era registar todos os assuntos pertencentes à religião e ao Estado e também, que com a sua capacidade de oradores públicos, proporcionvam diretrizes ao povo, que depois se publicavam estes registo de tempos em tempos, dando assim origem, depois do exílio ao Antigo Testamento na sua forma atual.

O veredicto das gerações seguintes foi muito desfavorável a Simon, e só com Johann Salomo Semler (18 de dezembro de 1725 – 14 de março de 1791, um teólogo, historiador e comentador bíblico alemão) que nas suas obras se encontra uma das primeiras menções à expressão “liberalis teologia”, ou “teologia liberal” é que os verdadeiros méritos de Simon, com todas as suas deficiências, receberam pleno reconhecimento.

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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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