… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

domingo, 14 de maio de 2017

14 de maio de 1638 • O Abade de Saint-Cyran é preso na torre de Vincennes



14 de maio de 1638 O Abade de Saint-Cyran
 é preso na torre de Vincennes

Jean-Ambroise Duvergier de Hauranne nasceu em Bayonne, na França, em 1581. É mais conhecido como abade de Saint-Cyran. Foi um religioso e teólogo francês que introduziu o jansenismo em França. Amigo e colaborador de Cornelius Jansen, bispo de Ypres. É considerado o co-autor da doutrina jansenista ou jansenismo. A partir de 1623 vinculou-se à família Arnauld e a Port-Royal, exercendo uma grande influência como diretor espiritual na citada abadia. De 1638 a 1643 esteve na prisão por ordem do cardeal Richelieu. Grande estudioso e admirador das obras de Agostinho de Hipona, quis reformar a Igreja na linha extrema do agostinismo.



Estudou na universidade da Lovaina, onde se ensinava os Pais da Igreja e a Agostinho, com a exclusão parcial do escolasticismo prevalecente, e em Paris, em 1605 conheceu Cornelius Jansen, com quem viria a travar uma íntima amizade que durou toda a sua vida. De 1611 a 1616 viveram ele e Jansen em retiro perto de Bayona, dedicando-se aos estudos patrísticos, mas em 1617 Cornelius Jansen voltou para Lovaina e cinco mais anos mais tarde Duvergier estabeleceu-se em Paris. Entretanto, tocaram constante correspondência sobre o assunto das grandes “reformas” que inflamavam os corações de ambos.



A Vicente de Paulo (nascido Vincent de Paul ou Vincent Depaul, em Pouy a 24 de abril de 1581 e que morreu em Paris a 27 de setembro de 1660, um sacerdote católico francês, declarado santo pelo Papa Clemente XII em 1737. Foi um dos grandes protagonistas da Reforma Católica na França do século XVII), a quem procurou ganhar para a sua causa, Duvergier declarou-lhe que tinha havido uma grande luz e que agora não havia Igreja nem a tinha havido durante cinco ou seis séculos; a Igreja havia sido uma fonte abundante de água pura, mas agora era um canal seco. Duvergier chamou ao Concílio de Trento uma assembleia política e declarou que os primeiros escolásticos, juntamente com Tomás de Aquino, tinham sido a causa de grandes males que havia na Igreja.



Em 1624, Duvergier entrou em conflito com os jesuítas por causa de um livro dirigido contra François Garasse (1584-1631), membro da ordem dos jesuítas. Tendo sido aquela obra condenada pela Sorbona, conforme afirmaram os jansenistas, por instigação dos jesuítas. Uma batalha mais duradoura começou em 1631 com a publicação de “Opera “ obra de um fictício teólogo, Petrus Aurelius. Este livro, contudo, é atribuído geralmente a Duvergier, embora a maior parte tivesse dela sido escrita por seu sobrinho, sob sua supervisão. A obra está apoiada no conflito que se desatou entre os católicos ingleses pela ação do vigário papal, que tinha reduzido os direitos e os privilégios das ordens religiosas. Os jesuítas foram os mais afetados, porque tendo sido os mais firmes campeões da causa católica na Inglaterra desde o reinado de Henrique VIII, por isso tinham adquirido prerrogativas especiais. Aurelius acusou os jesuítas de tentar estabelecer uma Igreja invisível com Cristo como cabeça somente para os seus próprios propósitos. Repudiou o argumento dos jesuítas de que o Papa era o bispo universal de quem emanava o poder episcopal, apoiando a autoridade do bispo na unção do Espírito Santo. A assembleia geral do clero outorgou a sua sanção à obra de Aurelius, fazendo que fosse impressa em 1641 e de novo em 1646; mas, 10 anos mais tarde, em 16 de outubro 1656, aquando da bula “Ad sacram” subscrita pelo Papa Alexandre VII, no primeiro enfrentamento do conflito jansenista, pronunciou a sua condenação contra o livro.



Em 1635 Duvergier era confessor da abadia de Port-Royal, sendo diretor espiritual do grupo de monges solitários daquela abadia, entre os quais estavam os anacoretas Jean Henri Le Maître (c. 1690-1774) e Lancelot, que começaram a reunir-se ali depois de 1636. Com o seu zelo característico Duvergier pregou sobre a santidade do ofício sacerdotal e da graça que deveria haver no confessionário e na pregação pública. O ódio de alguns sacerdotes invejosos fez com que o cardeal Richelieu ficasse contra ele e neste dia, 14 de maio de 1638, Jean-Ambroise Duvergier de Hauranne, mais conhecido como abade de Saint-Cyran foi enviado como prisioneiro para a torre de Vincennes. Aí esteve preso até 6 de fevereiro de 1643, dois meses depois da morte do cardeal Richelieu, saindo da prisão alquebrado, embora o poder do seu irredutível espírito o mantivesse no seu dever até à sua morte que ocorreu oito meses mais tarde em Paris a 6 de outubro de 1643. Outras fontes referem o dia 11 de outubro do mesmo ano.



Não foi o aspecto dogmático do jansenismo que originou a sua grande difusão e popularidade. Foi antes a sua doutrina moral.



Saint-Cyran foi o iniciador da prática moral jansenista. A penitência, para ele, era tratada com um imenso rigorismo. Assim, dizia ele que a absolvição não perdoava propriamente os pecados, mas declarava sim que eles haviam sido perdoados por Deus. Deste modo, era necessária uma contrição perfeita para que a absolvição fosse válida. A consequência prática disto era a recusa da absolvição aos pecadores reincidentes e àqueles em que não fosse certa uma perfeita contrição.



Em relação à comunhão, as condições exigidas também eram bastante rigorosas. Exigia-se a perfeição, de modo que acabava por ser considerada mais meritório o desejo de comungar, ou a “comunhão espiritual”, do que a própria comunhão eucarística. Daí que um dos efeitos do jansenismo, através dos tempos, tenha sido precisamente o afastamento dos sacramentos.


Todo este rigorismo aparecia como contraposição ao laxismo que os jansenistas personificavam nos jesuítas. E, de facto, um dos méritos do jansenismo foi precisamente a denúncia desse laxismo que imperava na vida cristã de muitos. O erro, porém, foi condenar, juntamente com ele, toda a preocupação pastoral, a favor dum rigorismo teórico e descarnado.


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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