… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quarta-feira, 17 de maio de 2017

17 de maio de 1531 • Konrad Wimpina (Koch), teólogo católico alemão, um dos primeiros adversários literários de Lutero



17 de maio de 1531 Konrad Wimpina (Koch), 
teólogo católico alemão, um dos primeiros adversários literários de Lutero
Konrad Wimpina (Koch), teólogo católico alemão, nasceu em Buchen, a 46 quilómetros a nordeste d Heidelberg, na Alemanha, por volta de 1465. O seu sobrenome de família era Koch, mas Konrad autodenominou-se Wimpina, provavelmente porque a sua família originalmente morava nas imediações de Wimpfen, nas margens do rio Necar, um afluente importante do rio Reno.



Wimpina matriculou-se na Universidade de Leipzig por volta de 1479 onde estudou e se manteve até 1505. Em 1481 obteve o grau de Bacharel, e em 1485, o de Mestre. Foi aluno de Martin Pollich, de Mellerstadt, médico, teólogo e forte seguidor da filosofia tomística. Em 1491, Konrad Wimpina tornou-se membro da faculdade de filosofia, em 1494, reitor, e em 1494-95, deão. Entre 1500-1504, Wimpina sustentou com o seu antigo professor Polich uma apaixonada discussão sobre a questão de se a arte da poesia é a fonte da teologia. Polich defendia a poesia e o Wimpina a teologia. No desenrolar da controvérsia cada um deles cometeu exagerados abusos pessoais. Em Leipzig, no ano de 1503, Wimpina recebeu o seu diploma de Doutor em Teologia das mãos de Raymund Pérault (1435 -1505), cardeal francês e legado papal.



Em 1505, o eleitor Joachim I de Brandenburgo (1484-1535) convidou Wimpina para organizar a recém fundada Universidade de Frankfurt sobre o Oder, onde ele se torna no seu primeiro reitor. Por várias vezes ele foi deão da faculdade de teologia daquela univerdade.



Em 1518, Wimpina ventou a história de que Santa Ana, avó de Jesus, teve três maridos sucessivos, e com cada um deles teve uma filha chamada Maria, tese refutada por Johannes Sylvius Egranus (1480-1535), onde Lutero também tomou parte. E ainda nesse ano de 1518 Wimpina envolveu-se numa disputa com Lutero sobre as indulgências. Para este debate foi atraído Tetzel, que participou em 20 de janeiro em Francfort numa disputa com Lutero sobre as teses que Wimpina tinha formulado em oposição às de Lutero. Deste modo Wimpina aparece como um dos primeiros adversários literários de Lutero, dedicando-se durante os seguintes anos a uma refutação intensiva das doutrinas de Lutero, que culmina no ano de 1528 com a publicação da sua grande obra de refutação “Anacephalæosis” às doutrinas de Lutero, uma produção de intenso trabalho intelectual deste teólogo católico alemão.



Na questão sobre as indulgências, Wimpina elaborou as teses debatidas por Johann Tetzel com Lutero em Frankfurt, no dia 20 de janeiro de 1518. Estas teses continham a doutrina da Igreja Católica. Porém, em relação às indulgências para com os que morriam Wimpina manteve uma opinião escolástica, aquela que era defendida por Tetzel. Wimpina apresenta o luteranismo como a conjunção das seitas e heresias de todos os tempos. Toda heresia, assinala Wimpina, vai dirigida fundamentalmente contra a Igreja como fundação divina. Wyclif é o pai da doutrina dos hussitas, que é a fonte da heresia luterana. Wimpina argumenta que por uma necessidade de natureza o Papa está acima do imperador e possui não só poder doutrinal, mas também poder executivo e disciplinador.



Wimpina foi canónico das catedrais de Brandenburgo e Havelberg. E, em 1530, tomou parte na Dieta de Augsburgo como teólogo e representante do eleitor Joachim I, de Brandenburgo. No começo Dieta, sem conhecimento de Lutero foram impressos os “Artigos de Schwabach” e entregaram-nos ao eleitor. Então Wimpina e os seus colegas teólogos de Brandeburgo Johannes Mensing (1477–1547), Wolfgang Redorfere e Rupert Elgersma, insurgiram-se contra os dezassete artigos de Schwabach, de Lutero, publicaram uma refutação “Christlichen Unterricht gegen die Bekanntnus M. Luthers” onde criticam e se insurgem contra os “Artigos de Schwabach”.



Wimpina pertenceu também ao círculo de teólogos a quem foi confiada a refutação da Confissão de Augsburgo, e tomou parte nos debates, mas a sua participação nessa refutação foi realmente muito pequena.



Depois da Dieta acompanhou o seu eleitor a Colónia e voltou para sua terra natal, vivendo a partir de então no mosteiro beneditino de Amorbach, a 70 quilómetros a sudeste de Francoforte, também na Alemanha, onde morre neste mesmo dia de 17 de maio de 1531.



Além da sua grande obra “Anacephalæosis” (1528) publicou “Præcepta coaugmentandæ Rethoricæ orationis”, ou “Ars epistolandi” (C. 1486); “Almæ universitatis studii Lipzensis et urbis Liptzg descriptio” (1488, novamente editada por C. F. Eberhard, Leipzig, 1802); “Tractatus de erroribua philosophorum” (1493); “Congestio textus nova proprietatum logicalium cum commentatione” (1498); “Apologeticus in sacræ theologiæ defensionem” (1500); “De D. Annæ trinubio” (1518); “De signis et insomniis” (1529); “Farrago miscellaneorum” (1531; contém as suas obras de Leipzig); as suas obras antiluteranas estão reunidas em “Sectarum, errorum... librorum parte três” (Frankfort, 1528).

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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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