… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

terça-feira, 2 de maio de 2017

2 de maio de 1690 • O pequeno remanescente dos valdenses escapa por um triz



2 de maio de 1690 O pequeno remanescente dos valdenses
 escapa por um triz
Pedro Valdo foi um rico comerciante de Lião, na França, que viveu no século doze. Decidiu tomar literalmente as palavras de Marcos 10:21: “E Jesus, olhando para ele, o amou e lhe disse: Falta-te uma coisa: vai, vende tudo quanto tens, e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me.” (Marcos 10:21). E isso foi precisamente o que ele fez.

Nunca tentou fundar um movimento, simplesmente desejava seguir a Jesus como o tinham feito os discípulos. Centrou-se na pobreza de Cristo, e os seus companheiros conhecidos como os “Pobres de Lião” foram enviados de dois em dois a pregar e ensinar a Bíblia. Valdo tinha porções da Escritura traduzidas nos dialetos locais para as usar na sua pregação.

A cúpula da Igreja Católica Romana sentindo-se ameaçada por este ministério de laicos, condenou-os como hereges. Os Pobres de Lião fugiram para o Languedoc no sul da França e através dos Alpes até à Lombardia no norte da Itália, sofrendo perseguição durante o caminho. Um século depois, encontravam-se na Alemanha, ainda experimentando intensa perseguição.

Em 1689, os Valdenses, como se lhes chamou subsequentemente, iniciaram o que viria a ser conhecido como o seu “glorioso regresso” aos Alpes do norte da Itália, a sua terra de adoção. Durante este mesmo período os Hugonotes franceses também estavam fugindo dos seu país para os Alpes italianos. Bem no cume das montanhas um pequeno grupo de oficiais Valdenses, juntamente com os seus soldados fizeram um pacto solene chamado o Pacto de Sibaud, o qual dizia em parte: “Deus por sua graça, havendo-nos trazido felizmente de regresso à herança de nossos pais, para restabelecer ai o serviço puro de nossa santa religião - para continuar e para a realização da grande empresa, a qual o grande Jeová dos Exércitos até agora levou a nosso favor -

“Nós, pastores, capitães e outros oficiais, juramos e prometemos ante o Deus vivo, e pela vida das nossas almas, manter a união e a ordem entre nós, e não nos separar nem nos desunir uns de outros, enquanto Deus nos preserve vivos, ainda que sejamos reduzidos a dois ou três em número... E nós, soldados, prometemos e juramos neste dia ante Deus, ser obedientes às ordens dos nossos oficiais, e continuar fiéis a eles, inclusivamente até à última gota de nosso sangue... E, a fim de que esta união, a qual é a alma dos nossos assuntos, possa permanecer sempre inquebrável entre nós, os oficiais juram fidelidade aos soldados, e os soldados aos oficiais... Todos juntos prometemos ao nosso Deus e Salvador Jesus Cristo, resgatar até onde seja possível para nós, o dispersado remanescente de nossos irmãos do jugo que os oprime, para que juntamente com eles possamos estabelecer e manter nestes vales o reino do Evangelho, inclusive até a morte. Em testemunho do dito, juramos observar este presente compromisso enquanto vivamos”.

Neste dia, 2 de maio de 1690, devido ao duro inverno o número dos Valdenses estava reduzido a trezentos homens, que estava entrincheirados nos penhascos das montanhas. Alinhados debaixo deles no vale, estavam quatro mil soldados profissionais franceses comandado pelo Marquês de Feuquiere, que primeiramente os atacou durante uma grande tempestade de neve, e depois dispos a sua artilharia deslocando os canhões até às ladeiras, para atacar o sujo e andrajoso remanescente grupo de valdenses que subiam as montanha, como podiam, esperando a morte. Confiado, havia enviado já para França uma mensagem anunciando a sua vitória. Mas então ocorreu o milagre. Uma espessa névoa envolveu os Valdenses, permitindo-lhes escapar do topo da montanha durante a noite. Foram salvos pela mão de Deus!

A Igreja Valdense mais tarde uniu-se com os metodistas, para formar a União das Igrejas Valdense e Metodista e ainda hoje existe.

Já experimentou a intervenção de Deus na sua vida? No caso dos Valdenses, Deus protegeu os últimos trezentos homens, mas decidiu não preservar os outros que morreram antes no inverno. Devemos orar pelo amparo de Deus, reconhecendo que em alguns casos Ele ampara os Seus filhos ao levá-los com Ele.

Direi do Senhor: Ele é o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza, e nEle confiarei.” (Salmos 91:2)

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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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