… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sábado, 20 de maio de 2017

20 de maio de 325 • Deus ou Homem? Perguntava-se no Primeiro Concílio de Niceia



20 de maio de 325 Deus ou Homem? Perguntava-se no Primeiro Concílio de Niceia
Afresco do século XVI retratando o Concílio de Niceia
 
Trezentos e doze bispos reunidos. No centro da sala, sobre um trono, estavam os quatro Evangelhos. O próprio imperador, envergando em um manto roxo e adornado com uma coroa de prata, abriu o Concílio.. Foi ele quem os convocou. "Alegro-me vê-los aqui, mas ainda ficarei mais satisfeito quando vir a unidade e afeição entre vós." O lugar era Niceia. Foi neste dia, 20 de maio de 325.



Os escassos dias seguintes seriam dedicados principalmente a uma finalidade: encontrar uma maneira de descrever exactamente quem era Jesus. Ário tinha pregado que Cristo era uma criação de Deus, a primeira de todas as Suas criaturas, com certeza, mas uma criação, mesmo assim. Ele não era da substância ou natureza de Deus. "Houve um tempo em que o Filho não era", insistiram ele e seus seguidores. Eles até tinham cânticos com melodias cativantes para propagandear as suas ideias entre as massas.



O Bispo Alexandre de Alexandria estava horrorizado. Jesus, o Verbo, tinham co-existido eternamente com Deus, o Pai, argumentou. Se Cristo não fosse Deus, então o homem não pode ser salvo, pois só o infinito e santo Deus pode perdoar os pecados. Ele depôs Ário. Este, contudo, não ficou quieto. Ele reuniu os seus seguidores e continuou a ensinar a sua controversa doutrina. As duas facções amotinaram-se. A unidade do império estava abalada. Constantino ficou alarmado. Ele convocou o Concílio.



À medida que o Concílio decorria, o bispo de Nicomédia defendeu os pontos de vista de Ário, tentando provar logicamente que Jesus, o Filho de Deus, era um ser criado. Os bispos opositores arrebataram-lhe o discurso da sua mão e arremessaram-no em pedaços ao chão. Eles haviam sofrido por Cristo, alguns deles muito, na perseguição de Diocleciano. Eles não estavam dispostos a esperar e ouvir o seu Senhor blasfemado. Caso contrário, com que propósito tinham suportado o arrancar dos seus olhos arrancados, o açoitamento das costas, e o queimar de pernas e mãos atadas?



As questões de Niceia resumiram-se a esta. Se Cristo não é Deus, como Ele pode superar a diferença infinita entre Deus e o homem? Se um ser criado poderia fazê-lo, então houve anjos em grande quantidade com esse poder. Na verdade, por que não poderia qualquer bom homem ser ele mesmo, a ponte? Por outro lado, Jesus tinha de ser verdadeiramente homem, senão como poderia ele representar a humanidade?



Numa sessão, o Concílio decidiu que o melhor caminho era escrever um Credo que testemunha-se o que eles criam. O Credo de Niceia, tornou-se um documento de importância fundamental para a Igreja. Que muitos dos bispos que o aprovaram tivessem sofrido muito por Cristo só acrescentou importância ao seu significado. O Concílio em si mesmo foi o precursor de muitos outros, alguns internacionais, e alguns regionais. Aqueles conselhos que vieram depois também andaram às voltas com as questões da humanidade e da divindade de Cristo. Ele era uma ou duas pessoas? Ele era Deus, enquanto estava no ventre da Sua mãe? Ele tem apenas uma vontade? Que livros pertencem à Bíblia? O sétimo concílio ecuménico da igreja também foi realizado em Niceia.

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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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