… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

domingo, 21 de maio de 2017

21 de maio de 1738 • Conversão de Carlos Wesley


21 de maio de 1738 Conversão de 

Carlos Wesley
Foi um dia de alegria e de gratidão quando desembarcou em Deal, a 2 de dezembro de 1736. Em poucos dias chegou a Londres, onde entregou os despachos às autoridades competentes.



Mas era evidente que Carlos Wesley não estava satisfeito com a sua própria experiência cristã. Faltava-lhe alguma coisa. A leitura dos livros do Sr. Law não satisfazia o seu coração. Um dia ele procurou o Sr. Law para conversar e o resultado da conversa resumiu-se no seguinte conselho recebido do escritor: “Renuncie a si mesmo, e seja paciente.” Na visita seguinte efectuada por Carlos Wesley, o Sr. Law confessou que não podia acrescentar qualquer outra coisa; já tinha feito e dito tudo que podia para o orientar. Mais tarde, na sua velhice, refletindo sobre essa época de sua vida, Carlos Wesley disse: “O Sr. Law foi o nosso João Batista.” Se o Sr. Law tivesse continuado a ser o mestre dos irmãos Wesley, a grande revivificação evangelística não teria sido provocada por João e Carlos Wesley. Eles precisavam de uma experiência mais clara e positiva.



Carlos Wesley não era, naquela época, verdadeiramente convertido, porém buscava sinceramente mais luz e orientação espiritual. George Whitefield tinha voltado da América e eletrizava o povo com a sua eloquência e ardor. Carlos Wesley ouvia as suas pregações e convidava os seus amigos para também as ouvirem.



Carlos já estava pronto a embarcar de novo para a América, porém diversas coisas concorreram para o impedir. Seu irmão João tinha chegado da América trazendo notícias do triste estado em que se achava a colónia de Geórgia. Isso, em de vez de o desanimar, provocou ainda mais o seu entusiasmo para ir.



Consultando a sua mãe sobre isso, ela não concordou em repetir o que tinha dito ao filho da primeira vez: “Se tivesse vinte filhos, gostaria de vê-los assim empregados, ainda que eu não pudesse vê-los mais “. Ela mudou a sua atitude, não porque tivesse menos interesse pelo trabalho missionário, mas porque julgava que o seu filho Carlos não se adaptava a esta qualidade de trabalho e que Deus tinha serviço para ele na Inglaterra.



Foi nessa ocasião que Carlos caiu muito doente, atacado pela doença que adquirira na América. Quando melhorou e entrou em convalescença, o médico disse-lhe que a enfermidade lhe seria fatal se voltasse outra vez para a América. Só assim é que, finalmente, abandonou a esperança de voltar para a América. Deus tinha outro plano para ele.



Poucos dias antes de cair doente em Oxford, foi apresentado a Pedro Bôhler, o morávio. Durante a sua longa doença Pedro Bôhler visitou-o um dia. Carlos Wesley pediu que o morávio orasse por ele. Bôhler fez uma oração muito tocante e em seguida, tomando Carlos pela mão, disse: “O irmão não morrerá desta vez.” Estas palavras foram notáveis, pois Carlos julgava que não podia suportar por mais um dia a dor que sentia. “O irmão tem esperança de ser salvo?” “Sim”, respondeu Carlos. Quando Bôhler quis saber qual era a base da sua esperança, Carlos disse: “Porque me tenho esforçado para servir a Deus”. Bôhler meneou a cabeça, mas não disse nada. Carlos julgou muito cruel ser roubado da sua confiança e perguntou a si mesmo: “Não são os meus esforços suficientes para garantir a minha esperança?” Esta pergunta revelou a grande distância que tinha de caminhar antes de alcançar a salvação mediante a fé.



Carlos Wesley melhorou e foi para Londres, onde encontrou de novo Pedro Bôhler. Ali teve outro ataque do seu incómodo. Estava hospedado em casa do Sr. Hutton. Durante a sua doença foi visitado de novo pelo Sr. Bôhler. Sobre esta visita Carlos disse: “De manhã o médico, Dr. Cockburn, visitou-me; e também um outro médico, ainda melhor, Pedro Bôhler, aquele que Deus retivera na Inglaterra para meu próprio benefício.” Durante a visita Bôhler orou para que Carlos viesse a compreender qual era a vontade de Deus para com ele nas suas aflições. Assim Carlos compreendeu que tudo isso estava acontecendo para levá-lo a examinar-se a si mesmo, para que não confiasse em si, mas em Cristo, pela fé.



Por três semanas buscou a salvação com toda a sua alma. A dificuldade para Carlos, como acontecera a seu irmão João, era crer que alguém se pudesse converter instantaneamente. Na véspera da sua partida de Londres, Bôhler visitou Carlos Wesley e teve a satisfação de ouvi-lo confessar que estava convicto de incredulidade e que não tinha o espírito de perdoar, mas que esperava, antes de morrer, alcançar a salvação na morte e paixão de Cristo. Sem dúvida foi isso que levou João Wesley a escrever: “Foi o beneplácito de Deus para abrir os olhos dele (Carlos), de modo que enxergasse mais claramente a natureza daquela fé verdadeira e viva, pela qual, mediante a graça, somos salvos”.



Ele comungou e, sentindo-se um pouco confortado, concluiu que os morávios não tinham razão em afirmar que um homem não pode ter a paz enquanto não tiver a segurança do perdão; mas descobriu pela experiência que nisso estava errado. Uma vez desenganado de que não podia ter a paz na alma enquanto faltasse a fé, começou a buscá-la de todo coração e falava com outros sobre o assunto.



Foi neste estado de espírito que resolveu ir à casa do Sr. Hutton. Entranto, porém, recebeu a visita de Bray, um mecânico pobre e ignorante, mas crente fervoroso. Este homem não conhecia a ciência, mas conhecia a Cristo. Ele orou com Carlos Wesley, e tão tocante foi o tempo que passaram juntos, que Carlos resolveu ir passar algum tempo em casa deste irmão pobre até que alcançasse a fé salvadora.



Estava, porém, tão fraco que teve de ser levado à casa deste irmão numa cadeira. Durante os dez dias que passou em casa deste homem simples que lhe servia de guia espiritual foi visitado por amigos e por seu irmão João. Todos oraram por ele. Rodeado de tantos amigos que se interessavam pelo seu bem estar ficou impressionado. O seu hospedeiro, o Sr. Bray, evangelizava-o muito, e testemunha-lhe do Salvador, mas às vezes chegava a ficar desanimado. Um dia, quando já havia feito tudo quanto se podia lembrar, Bray disse-lhe que, em tais ocasiões, tinha tirado muito proveito lendo a Bíblia. Abriu então o Novo Testamento, no Capítulo nono do Evangelho de Mateus, e leu. Quando lia, Carlos Wesley, escutando a descrição da cura do paralítico, cobrou ânimo e creu que a fé que seu hospedeiro tinha seria poderosa também para a sua própria salvação.



Era o dia de Pentecostes,o dia 21 de maio de 1738. Às nove horas da manhã o seu irmão João e alguns amigos o visitaram e juntos oraram e cantaram um hino. Ali se demoraram meia hora. Carlos Wesley entregou-se à oração pedindo o cumprimento da promessa do dom do Espírito Santo. Sentindo-se fraco no corpo, desejou dormir e quando se estava acomodando para dormir ouviu uma voz que lhe dizia: “Em nome de Jesus de Nazaré, levanta-te e crê, e serás curado das tuas enfermidades.” Estas palavras fizeram grande impressão sobre ele. “Ó! Se Cristo me falasse assim...”, suspirou ele. Aquelas palavras haviam sido preferidas por uma senhora que havia alcançado a salvação pela fé. Ele confiou em Cristo e somente nEle e logo alcançou paz para a sua alma. Poucas horas depois as boas notícias chegaram aos ouvidos do seu irmão João que escreveu: “Eu recebi a notícia que meu irmão alcançara a paz para a sua alma. A força física voltou ao seu corpo desde àquela hora. Quem é semelhante ao nosso Deus?”



Este dia foi um dia memorável na vida de Carlos Wesley. Foi o começo de uma nova época na sua vida. Em pouco tempo estava com a sua saúde restablecida e trabalhando entre os seus amigos, pregando as boas novas de salvação. Visitava muitas famílias e sempre onde quer que fosse era uma benção para o povo. Tinha o dom especial de fazer visitas.



Logo depois uniu-se por algum tempo a George Whitefield e tornou-se pregador ao ar livre. Mais tarde aceitou o cargo pastor de uma igreja em Islington.


Carlos Wesley (1707-1788) foi o líder do movimento metodista juntamente com o seu irmão mais velho João Wesley. Mas Carlos é mais lembrado pelos muitos hinos que compôs.

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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

Este texto é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está escrito com o Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicado nem utilizado para fins comerciais; seja utilizado exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

1 comentário:

Adriano souza disse...

Que Deus extraordinário em sua multiforme sabedoria pelo seu espiríto através dos Secúlos, Individualmente em cada servo.