… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

segunda-feira, 22 de maio de 2017

22 de maio de 1377 • O Papa Gregório XI, envia 5 bulas para Inglaterra contra João Wycliffe



22 de maio de 1377 O Papa Gregório XI, 
envia 5 bulas para Inglaterra contra João Wycliffe
John Wycliffe surgiu de entre as trevas nos tempos de ignorância e superstição. Foi o mensageiro da Palavra não só para a Inglaterra mas também para toda a cristandade. Enfrentou a autoridade imposta por Roma sem temor pela sua vida.



Antes da Reforma houve tempos em que não existiam senão muito poucos exemplares da Bíblia; mas Deus não havia permitido que a Sua Palavra fosse destruída completamente. Nos diferentes países da Europa houve homens que se sentiram impulsionados pelo Espírito de Deus a procurar a verdade como um tesouro escondido, e que, sendo guiados providencialmente para as Santas Escrituras, estudaram as sagradas páginas com o mais profundo interesse. Dentre eles, o inglês John Wycliffe, conhecido como “A alva da Reforma”, teve a honra de ser o arauto da Palavra não só para a Inglaterra mas também para toda a cristandade.



Wycliffe, nascido ao redor de 1320, recebeu uma educação liberal e para ele o amor de Deus foi o princípio da sabedoria. Distinguiu-se no colégio pela sua fervorosa piedade, e simultaneamente pelo seu talento notável e a sua profunda erudição. Formou-se em filosofia escolástica, em cânones da igreja tradicional e em direito civil. Nos seus trabalhos posteriores foi muito proveitosa esta sua precoce educação. Devido ao seu completo conhecimento da filosofia especulativa do seu tempo, pôde expor os erros dela, e o estudo das leis civis e eclesiásticas preparam-no para tomar parte na grande luta pela liberdade civil e religiosa.



Quando a atenção de Wycliffe foi dirigida para as Sagradas Escrituras, consagrou-se a esquadrinhá-las com o mesmo empenho que tinha feito para se apropriar da instrução que ensinava nas escolas. Agora tinha experimentado uma necessidade que nem os seus estudos escolares nem os ensinos da igreja tradicional tinham podido satisfazer. Encontrou na mensagem de Deus o que antes tinha procurado em vão. Na Bíblia Sagrada achou revelado o plano da salvação, e viu Cristo representado como o único Salvador para o homem. Então, entregou-se ao serviço do Senhor e resolveu proclamar as verdades que tinha descoberto.



Wycliffe discernia os erros com muita sagacidade e opunha-se corajosamente a muitos dos abusos sancionados pela autoridade de Roma. Enquanto desempenhava o cargo de capelão do rei, opôs-se ousadamente ao pagamento dos tributos que o papa exigia ao monarca inglês, e demonstrou que a pretensão do pontífice ao assumir a autoridade sobre os governos seculares era contrária tanto à razão como à Bíblia. As exigências do papa tinham provocado profunda indignação e os ensinos de Wycliffe exerceram influência sobre as inteligências mais eminentes da nação.



E então logo foram lançados contra Wycliffe os raios e coriscos da igreja tradicional. E neste dia, 22 de maio de 1377, o Papa Gregório XI, envia 5 bulas para Inglaterra: à universidade de Oxford, ao rei Ricardo II e aos prelados, ordenando em todas que se tomassem imediatamente medidas decisivas para que se obrigasse a guardar silêncio o mestre da heresia. Entretanto, antes que as bulas papais tivessem sido envidas, os bispos, inspirados pelo seu zelo, tinham chamado Wycliffe a que comparecesse ante eles para ser julgado; mas dois dos mais poderosos príncipes do reino o acompanharam ao tribunal, e a multidão que rodeava o edifício e que se amontoou dentro dele deixou os juízes tão coibidos, que se suspendeu o processo e foi permitido a Wycliffe que se retirasse em paz.



John Wycliffe viveu o suficiente para poder deixar nas mãos dos seus concidadãos a arma mais poderosa contra Roma: a Bíblia, o agente enviado do Céu para libertar, iluminar e evangelizar o povo. Muitos e grandes foram os obstáculos que teve que vencer para levar a cabo esta obra. Via-se carregado de achaques; sabia que só lhe quedava poucos anos para se dedicar à sua obra, e dava conta da enorme oposição que se lhe opunha, mas animado pelas promessas do Altíssimo, seguiu adiante. Estava em pleno gozo das suas forças intelectuais e enriquecido por muita experiência, e o amor do Salvador o tinha preparado para a maior das suas obras.



Em 1382 acabou a primeira tradução da Bíblia que se fez em inglês. Deste modo, o Livro de Deus ficou aberto para a Inglaterra. O Reformador já não temia mais a prisão nem a fogueira. Tinha posto nas mãos do povo inglês uma luz que jamais se extinguiria. Ao dar a Bíblia aos seus compatriotas tinha feito mais para romper as cadeias da ignorância e do vício, e para libertar e engrandecer a sua nação, do que tudo o que jamais se conseguiria com as vitórias mais brilhantes nos campos de batalha. Como ainda a imprensa de caracteres móveis não era conhecida, os exemplares da Bíblia não se multiplicaram senão mediante um trabalho lento, meticuloso e demorado dos copistas.



A obra de Wycliffe estava quase concluída. O estandarte da verdade que ele havia erguido e levado por tanto tempo logo ia cair das suas mãos. Porém ainda era necessário que desse um testemunho mais a favor do Evangelho. A verdade devia ser proclamada da mesma fortaleza do império do erro. Wycliffe foi convocado a apresentar-se ante o tribunal papal de Roma, que tinha derramado tantas vezes o sangue dos santos. Por certo que não deixava de se dar conta do grande perigo que o ameaçava, se entretanto, tivesse ido, mas um ataque de paralisia impediu-o de fazer a viagem.



Mas se a sua voz não se ia ouvir em Roma, podia falar por carta, e resolveu fazê-lo. Desde a sua reitoria, o Reformador escreveu ao papa uma epístola que, embora redigida em estilo respeitoso e espírito cristão, era uma aguda censura contra a pompa e o orgulho da sede papal. Wycliffe estava convencido de que a sua fidelidade ia custar lhe a vida. O rei, o papa e os bispos estavam unidos para obter a sua ruína, e ele pensava que já não demoraria muito tempo para o levarem à fogueira. Mas a sua coragem não diminuiu.



Não obstante, a providência de Deus velava ainda pelo Seu servo, e o homem que durante toda a sua vida tinha defendido com arrojo a causa da verdade, expondo-se diariamente ao perigo, não havia de cair vítima do ódio dos seus inimigos. Wycliffe nunca se defendeu por si mesmo, mas o Senhor tinha sido o seu protetor e agora que os seus inimigos estavam certos de ter caçado a sua presa, Deus pô-lo fora do alcance deles. No dia 28 de dezembro de 1384, na sua igreja de Lutterworth, no momento em que ia dar a comunhão aos fieis, caiu ferido de paralisia e morreu três dias depois.



Wycliffe surgiu de entre as trevas dos tempos de ignorância e superstição. Ninguém havia trabalhado antes dele numa obra que deixasse um molde para que Wycliffe pudesse ater-se. Nascido como João, o Batista, para cumprir uma missão especial, foi o arauto de uma nova era. Contudo, no sistema da verdade que apresentou houve tal unidade e perfeição que não puderam superá-lo os Reformadores que se lhe seguiram, e alguns deles não o igualaram sequer, nem mesmo cem anos mais tarde. Deitou alicerces tão fundos e amplos, e deixou uma estrutura tão exata e firme que não necessitaram de fazer modificações os que lhe sucederam na causa.



O grande movimento inaugurado por Wycliffe, que ia libertar as consciências e os espíritos e emancipar as nações que tinham estado por tanto tempo atadas ao carro triunfal de Roma, teve a sua origem na Bíblia. Era ela o manancial de onde brotou a torrente de bênçãos que como a água da vida veio fluindo através das gerações do século XIV. Com fé absoluta, Wycliffe aceitava as Santas Escrituras como a revelação inspirada da vontade de Deus, como a regra suficiente para a fé e a conduta do Cristão. Tinha sido ensinado a considerar a Igreja de Roma como a autoridade divina e infalível; mas John Wycliffe separou-se dela por dar ouvidos à Santa Palavra de Deus.


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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