… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

terça-feira, 9 de maio de 2017

9 de maio de 1684 • As últimas palavras do capitão John Paton de Meadowhead



9 de maio de 1684 As últimas palavras do 
capitão John Paton de Meadowhead
No ano de 1600 a Escócia havia sucumbido sob o governo inglês. Para os escoceses presbiterianos, a perda da prática da sua religião era inclusivamente muito mais exasperante do que a perda da sua liberdade política. O rei da Inglaterra, era o chefe da igreja, sem embargo para os escoceses presbiterianos como John Paton, a verdadeira cabeça da igreja era o Rei Jesus.



Isto não era uma simples distinção teológica. A igreja anglicana nesse tempo impunha a sua autoridade sobre a consciência dos indivíduos. Em resposta a isso, John Paton e muitos outros presbiterianos na Escócia reuniram-se para manter e defender os princípios da Reforma e vieram a ser conhecidos como os Escoceses Assinantes do Pacto.



O capitão John Paton nasceu em 1620 em Meadowhead, numa quinta, na comunidade eclesiástica de Fenwich Parish, em Ayer, na Escócia. Tornou-se soldado profissional e lutou sob as ordens de Gustavo Adolfo, rei da Suécia, na Alemanha, nos ferozes combates da Guerra dos Trinta Anos, e, com os assinantes do pacto nas batalhas de Marston Moor em 1644, Rullion Green em 1667 e Bothwell Bridge em 1679.



Como era um assinante do pacto, passava a maior parte de seu tempo escondendo-se. Finalmente foi detido em agosto de 1683. Foi julgado e sentenciado à morte por enforcamento, acusado de traição contra a coroa inglesa, todavia, ainda permaneceu veementemente leal ao mais alto do rei dos Reis. Neste mesmo dia, 9 de maio de 1684, do patíbulo, o capitão John Paton de Meadowhead leu o seu último testemunho, no qual confiadamente dizia:



“Queridos Amigos e Espectadores:



Vocês chegaram aqui para ver morrer um homem... Sou um pobre pecador, e eu nunca poderia merecer outra coisa mais do que ira, já que não tenho nenhuma justiça própria, mas toda a justiça é de Cristo e só dEle, e eu apenas tenho reclamado pela fé a Sua justiça e os Seus sofrimentos. Por imputação me pertencem. Aceitei a Sua oferta de acordo com os Seus próprios termos, e comprometi-me a estar ao Seu dispor, tanto privada como publicamente. Tudo tenho posto sobre Ele para que ratifique no Céu o que me propus fazer na terra: abolir todas as minhas imperfeições e falhas, e permanecer com o meu coração em Jesus Cristo...



Agora deixo o meu testemunho, como um homem prestes a morrer, contra a horrenda usurpação da prerrogativa do direito do nosso Senhor à coroa... porque a Ele ela lhe é dada pelo Pai como cabeça da igreja...



Oh! Estejam frequentemente ante o trono, e não cessem de implorar a Deus. Assegurem-se do interesse das vossas almas. Busquem o Seu perdão livremente, e então Ele virá com paz. Procurem todas as graças do Seu Espírito, a graça do Seu amor, a graça de um temor santo e humildade...



Agora desejo saudar-vos, queridos amigos, no Senhor Jesus Cristo, tanto os que estão na prisão, como aos exilados, às viúvas, aos órfãos, aos errantes e abandonados pela causa de Cristo e do Evangelho. Que as bênçãos dos sofrimentos de Cristo estejam com vocês, fortalecendo-vos, estabelecendo-vos, apoiando-vos e satisfazendo-vos...



Aos meus perseguidores, perdoo a todos... mas desejaria que eles procurassem o perdão de Quem tem que lho dar.



Deixo a minha pobre e dolorida esposa e seis crianças pequenas ao cuidado do Pai Todo-poderoso, do Filho e do Espírito Santo, que prometeu ser um pai para os órfãos, e um marido para a viúva e permanecer no lar deles. Sê Tu, com eles, Ó Senhor...



E agora adeus, esposa e filhos! Adeus, todos os amigos e familiares! Adeus, todos os prazeres do mundo! Adeus, doce Palavra de Deus, pregação, oração, leitura, louvor e todas as devoções! E bem-vindo Pai, Filho e Espírito Santo! A Vós desejo encomendar a minha alma fazendo o bem. Senhor recebe o meu espírito!”



Se, o Caro Leitor, estivesse prestes a ser executado pela sua fé, quais seriam as suas últimas palavras? Deus promete dar aos Seus filhos as palavras que devem dizer quando chegar o momento.



E sereis até conduzidos à presença dos governadores e dos reis, por causa de mim, para lhes servir de testemunho, a eles e aos gentios. Mas, quando vos entregarem, não vos dê cuidado como, ou o que, haveis de falar, porque, naquela mesma hora, vos será ministrado o que haveis de dizer. Porque não sois vós quem falará, mas o Espírito do vosso Pai é que fala em vós.” (Mt 10:18-20, ARC, Pt)

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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

Este texto é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está escrito com o Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicado nem utilizado para fins comerciais; seja utilizado exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

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