… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sábado, 25 de novembro de 2017

“Assim, pois, importa que os homens nos considerem como ministros de Cristo, e despenseiros dos mistérios de Deus.” (1Co 4:1)


“Assim, pois, importa que os homens nos considerem como ministros de Cristo, e despenseiros dos mistérios de Deus.” (1Co 4:1)

     Aqui, São Paulo também poderia dizer: somos administradores da sabedoria de Deus, ou da justiça de Deus e assim por diante. Mas, isso seria parcelar a coisa. Por isso ele reúne todas estas bênçãos de Cristo que devem ser anunciados, numa só palavra: “mistérios.” É como se quisesse dizer: somos administradores espirituais que têm a função de distribuir a graça de Deus, a sua verdade, e quem seria capaz de enumerar tudo separadamente? Por isso vou resumir tudo numa só palavra: são os mistérios de Deus. Dou-lhes o nome de mistérios e coisas ocultas porque só podem ser alcançadas pela fé.

     São mistérios de Deus, isto é, coisas ocultas que Deus concede e que estão em Deus. Pois o Diabo também tem os seus mistérios, como diz Ap 17:5: “Na sua fronte achava-se escrito um nome, mistério: BABILÓNIA.” Alegam que a sua doutrina e as suas obras conduzem ao Céu, quando, por trás de tudo, não há senão morte e Inferno para todos os que crêem nisso. Nos mistérios de Deus, porém, há vida e salvação.

     Assim, o que o Apóstolo está querendo dizer com estas Palavras é que o ministro de Cristo é um administrador dos mistérios de Deus, ou seja: deve considerar-se como tal e assim ser considerado, pregando apenas a Cristo e apresentando as bênçãos que temos n’Ele. Por outras Palavras: deve pregar o Evangelho puro, a fé verdadeira, que somente Cristo é nossa vida, caminho e sabedoria, nossa força, tesouro e salvação; e que em nós mesmos há somente morte, engano, loucura, fraqueza, vergonha e condenação. Quem prega de modo diverso, não deve ser considerado servo de Cristo, tampouco administrador dos mistérios de Deus.
Martinho Lutero
In Meditações de Lutero, Castelo Forte - 1983


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