… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

domingo, 26 de novembro de 2017

Mas, se esperamos o que vemos, com paciência o aguardamos.” (Rm 8:25)



Mas, se esperamos o que vemos, com paciência o aguardamos.” (Rm 8:25)

     TUDO isto é fácil de ensinar, mas difícil de captar; fácil de pregar, mas difícil de crer; muito bom como admoestação, mas difícil de ser posto em prática; fácil de dizer, mas difícil de fazer.

     Ora, no mundo são poucas as pessoas que aguardam a bendita esperança, a herança e o reino futuro e eterno, o que o fazem com tamanha certeza – como deveria ser – que não se apegam tanto assim a esta vida. Poucos são os que encaram esta vida passageira através de um vidro colorido, como se fossem cegos, e aquela vida, a eterna, com os olhos bem abertos e percepção clara. Infelizmente, a bendita esperança e a herança celestial são, muitas vezes, esquecidas, enquanto que a vida presente e as coisas passageiras deste mundo são, por demais, lembradas. Constantemente, temos diante dos olhos as coisas transitórias, que ocupam o nosso pensamento, objeto de nossa preocupação e alegria, enquanto que viramos as costas à vida eterna. Dia e noite, a gente corre atrás das coisas passageiras, e despreza o que é eterno.

     Com os cristãos, na verdade, isso não deveria ser assim, mas, justamente, o contrário. Um cristão deveria encarar esta vida terrena de olhos fechados, ou, então, como num breve piscar de olhos. Agora, deveria encarar a vida eterna futura com os olhos bem abertos e à clara luz. Deveria estar nesta vida apenas com o pé esquerdo, ao passo que, com o pé direito e com a alma e de todo coração, deveria estar naquela vida, no Céu, aguardando-a com esperança inabalável, em alegria, sempre.

Martinho Lutero
In Meditações de Lutero, Castelo Forte - 1983




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