… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

“Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações.” (1Pe 1:6)


“Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações.” (1Pe 1:6)

     Aqui, o Apóstolo descreve a vida dos cristãos no mundo. Diante de Deus, no Céu, são filhos amados, e têm garantido a herança celestial eterna e a salvação. Mas, no mundo, não apenas sentem tristeza, aflição e abandono, mas são, igualmente, alvo de toda a sorte de provações da parte do mundo mau e do Diabo. Qual é a sua culpa? O seu maior “pecado” é este: crêem em Cristo e louvam e exaltam a inefável bondade de Deus, manifestada a todo o mundo através de Cristo, a saber, que só Ele pode remir do pecado e da morte, tornar o homem justo e santo. Além disso, crêem que a razão humana pode, através da sua livre vontade, força, boas obras, etc., preparar-se para a graça, e muito mais, merecer a vida eterna. Com todo o seu pensar e agir, por mais grandioso e glorioso que seja, <a razão humana> não pode reconciliar a Deus. Pode, apenas, aumentar a Sua ira. Pois fazem tudo isso, sem e, até mesmo, contra a Palavra e o mandamento de Deus, abandonando e desprezando o que Ele prometeu e ordenou, e escolhendo alguma coisa especial, inventada por eles próprios. E aí a coisa pega fogo, pois o mundo não quer e não pode tolerar que a gente censure e condene as suas boas opiniões, obras grandiosas, etc., como coisa que nada valem diante de Deus. E, então, passa a perseguir e a estrangular aqueles que pregam a Palavra e, por cima, ainda julgam estar prestando serviço a Deus.

     Por isso, a fé não é um pensamento sonolento dentro do coração. Ao contrário, quem tem fé, fala e confessa o que sente no coração. E esta é a causa da sua desgraça. Por isso, São Pedro diz: “Embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados.” Assim, ele reúne a fé, a esperança e a santa cruz, pois uma deriva do outra.
Martinho Lutero
In Meditações de Lutero, Castelo Forte - 1983

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