… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

“Não vos maravilheis disso, porque vem a hora em que todos os que se acham nos sepulcros ouvirão a sua voz e sairão.” (Jo 5: 28)



“Não vos maravilheis disso, porque vem a hora em que todos os que se acham nos sepulcros ouvirão a sua voz e sairão.” (Jo 5: 28)

     Aqui surge a seguinte questão: se é certo que as almas vivem e descansam em paz, que tipo de vida ou que descanso é esse? Não foi da vontade de Deus que tivéssemos resposta a essa pergunta na presente vida. Basta-nos saber que as almas, ao deixarem os corpos, não correm o risco de sofrerem as dores e os tormentos infernais, mas que lhes está preparado um lugar onde dormem em paz.

     Mesmo assim, o sono ou descanso na vida futura é diferente do sono ou descanso nesta vida. Pois, nesta vida, quando chega a noite, a pessoa, cansada do trabalho diário, recolhe-se ao quarto para dormir em paz e descansar, e não toma conhecimento de desgraças, incêndios ou assassinatos. Com a alma é diferente. Ela vigia, tem visões e ouve a voz dos anjos e do próprio Deus. Nesse sentido, na vida futura, o sono é mais profundo do que nesta vida e, mesmo assim, a alma vive na presença de Deus. Com esta figura eu me dou por satisfeito.

     Assim, depois da morte, a alma vai para os seus aposentos e para a sua paz e, dormindo, não percebe o seu sono, mas, mesmo assim, Deus cuida da alma que vigia. Assim, Deus pode despertar Moisés e Elias e fazer com que vivam. Mas como pode ser isso? Não sabemos. Devemos contentar-nos com a figura do sono e com a Palavra de Deus, dizendo que se trata de um sono.

     Tal como a mãe coloca o seu filhinho no berço, não para que morra, e sim, para que durma e descanse tranquilamente, assim, também, antes de Cristo e, especialmente, depois de Cristo, todas as almas dos fiéis foram para junto de Cristo, onde estão seguras.
 Martinho Lutero
In Meditações de Lutero, Castelo Forte - 1983

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