… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

domingo, 31 de dezembro de 2017

“Responde-me, Senhor, pois compassiva é a tua graça: volta-te para mim segundo a riqueza das tuas misericórdias.” (Sl 69:16)



“Responde-me, Senhor, pois compassiva é a tua graça: volta-te para mim segundo a riqueza das tuas misericórdias.” (Sl 69:16)

     Amável e boa é a misericórdia de Deus para aqueles que sentem a amargura e a maldade do seu pecado. Aos que, porém, ainda não sentem a sua miséria e vivem satisfeitos, a misericórdia de Deus não é boa, mas é-lhes inútil. Eles têm nojo dela. Pois a grandeza e a quantidade da misericórdia de Deus e a nossa miséria no afastamento d’Ele relacionam-se uma com a outra, de sorte que não é grande a graça quando não são bem grandes os pecados e a perdição. Por isso, Deus envia tribulações aos santos e lhes causa amargura, de maneira que a si próprios se tornam amargos, para que Deus se lhes torne doce. Isso pode acontecer quer por meio de perseguições de fora, quer por angústias de dentro. Por conseguinte, ninguém experimenta a doçura da misericórdia de Deus a não ser aquele que sente o amargor em si mesmo e que necessita de uma doçura de fora. Digo isto àqueles que gostam de ufanar-se no bem-estar espiritual e desprezam a outros. Destarte temos de ser sempre amargos a nós mesmos, porque sempre estamos cheios de miséria. Por isso, nada mais tolo do que quando alguém pensa que começou a ser algo, agradando-se a si mesmo e tornando-se doce. Pois assim despreza a doçura da misericórdia de Deus. Do mesmo modo, a ninguém aproveita a riqueza da misericórdia quando antes não foi muito miserável. Na verdade, todos são miseráveis, mas nem todos o reconhecem. Por isso tornam-se mornos, não são nem quentes nem frios, porque têm prazer em si mesmos. (Ap 3:17)
Martinho Lutero
In Meditações de Lutero, Castelo Forte - 1983

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