… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

domingo, 12 de novembro de 2017

“E sobre a casa de David, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o espírito de graça e de súplica.” (Zc 12:10)



“E sobre a casa de David, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o espírito de graça e de súplica.” (Zc 12:10)

sábado, 11 de novembro de 2017

“Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a Lei.” (Gl 4:4)



“Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a Lei.” (Gl 4:4)

     UMA vez que a Lei não nos pode dar nem a justiça nem a fé, e a natureza com todas as suas obras não nos ganha méritos, São Paulo passa a falar d’Aquele que, em nosso lugar, nos conquistou esta fé e é mestre em justificação. Pois a justificação não nos foi conseguida assim sem mais, ela custou cara, custou a morte do próprio Filho de Deus. Por isso o Apóstolo escreve: “Vindo a plenitude do tempo”, isto é, quando o tempo da nossa servidão chegou ao fim.

     Assim como, no caso dos judeus, o tempo atingiu a sua plenitude com a vinda de Cristo na carne, ela, ainda hoje, é alcançada diariamente quando pessoas são iluminadas pela fé, de sorte que termina a sua escravidão e cessam as obras da Lei. Pois a vida de Cristo na carne seria vã, caso não operasse essa vinda espiritual na fé. Foi por isso que Ele também veio na carne: para tornar possível esta vinda espiritual. Pois Cristo veio para todos os que, antes e depois d’Ele, creram nessa Sua vinda na carne. Logo, por causa dessa fé, a Sua vinda foi realidade presente também na vida dos patriarcas.

     Do começo ao fim do mundo, tudo gira em torno desta vinda na carne. É apegando-se a esta vinda que a servidão termina, quando, onde e na vida daquele que recebe essa fé. Por isso, o tempo de cada um atinge a sua plenitude quando passa a crer em Cristo como Aquele que estava para vir e agora, veio.
 Martinho Lutero
In Meditações de Lutero, Castelo Forte - 1983

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

“Ele não era a luz, mas veio para que testificasse da luz.” (Jo 1:8)


“Ele não era a luz, mas veio para que testificasse da luz.” (Jo 1:8)

     NÃO desprezo João Batista, antes, o honro e o tenho em alta conta. Agora, faço diferença entre ele, o seu ministério e a sua vida, e Cristo do qual ele testifica. João é servo e escravo, não o Senhor. Ele aponta e leva para a verdadeira luz, mas ele mesmo não é a luz. O seu ministério é maior e mais glorioso do que o dos profetas. Pois ele não profetiza a respeito do Senhor, dizendo que Ele virá daqui a algum tempo ou em breve, mas aponta o dedo para Ele no presente, dizendo: olhem, lá está Ele.

     Por isso, tenho o seu ministério em alta conta, sim, agradeço ao bondoso Deus por nos ter dado uma testemunha fiel, boca e dedo bem-aventurado como ele, que testifica da verdadeira luz e nos leva até ela, para que, assim, sejamos iluminados, e essa luz brilhe e reluza constantemente em nossos corações. Este é o homem que aponta com o dedo para o Cordeiro de Deus.

     Agora, em se tratando de salvação, não quero nem posso depositar a minha confiança em João, tampouco fiar-me na sua santidade, vida austera e boas obras. Pois ele não é o Cristo <como ele mesmo confessa>, Aquele que é a vida e a única luz dos homens. João é testemunha da luz. Através do seu ministério, ele ajuda-nos a nos tornarmos filhos da luz. Por isso, Ele <o Cordeiro de Deus> resplandece e é uma luz maravilhosa.
 Martinho Lutero
In Meditações de Lutero, Castelo Forte - 1983

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

“A mulher que está para dar à luz, tem tristeza, porque a sua hora é chegada; mas, depois de nascido o menino, já não se lembra da aflição, pelo prazer que tem de ter nascido ao mundo um homem.” (Jo 16:21)



“A mulher que está para dar à luz, tem tristeza, porque a sua hora é chegada; mas, depois de nascido o menino, já não se lembra da aflição, pelo prazer que tem de ter nascido ao mundo um homem.” (Jo 16:21)

     DEVEMOS examinar este exemplo com todo cuidado. Porque tal como acontece neste caso, sucede também na tentação e, especialmente, na angústia da morte. Veja como Deus trata com uma mulher que está para dar à luz. Ninguém a ajuda nessa hora de dor. Também, ninguém pode fazê-lo. Sim, criatura alguma pode livrá-la dessa situação, pois depende unicamente do poder de Deus. A parteira e outros que se acham à sua volta podem, é claro, consolá-la, mas não podem afastar as dores do parto. Ela tem de passar por isso e arriscar a sua vida. Pode tanto morrer como pode dar à luz uma criança. Ela encontra-se realmente no meio da angústia de morte e está completamente rodeada de morte.

     O mesmo acontece quando as consciências se angustiam ou se deparam com a morte: razão, criatura ou obra nenhuma nos pode ajudar, e não importa de que espécie seja. Não resta nenhum consolo, a ponto de você pensar que está abandonado por Deus e por todas as criaturas, sim, que Deus e todas as criaturas se voltaram contra você. Nessa hora, você tem de ficar tranquilo e apegar-se unicamente a Deus. Ele deve livrá-lo dessa situação e nenhuma outra criatura, seja do Céu, seja da Terra, poderá fazê-lo. E Deus ajuda no momento que Ele julga apropriado, assim como faz com a mulher, dando-lhe um rosto sorridente, assim que não se lembra mais das dores. E se, antes, tudo que havia era morte e miséria, agora não há senão vida e alegria. Assim também acontece connosco: no meio das tentações e da angústia de morte, Deus, e somente Ele, nos torna felizes e nos dá paz e alegria onde antes não havia senão desgraça e angústia.
 Martinho Lutero
In Meditações de Lutero, Castelo Forte - 1983

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

“Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.” (Gl 2:20)


“Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.” (Gl 2:20)
     Esta é a linguagem de uma alma que aprendeu a sua completa insignificância, sendo humilhado para enxergar que não existe vida, nem fonte de bondade, mas apenas o próprio Cristo. Ele sabe que Deus o vê como “crucificado com Cristo”. Entretanto, Cristo está ressuscitado, e é o poder dessa vida ressuscitada que opera no crente. Fazendo com que o coração exulte em admiração para com Ele, atribuindo todo bom pensamento, palavra e obra ao Cristo que vive n’Ele.

     Esta é uma atitude preciosa da alma! A vida velha é colocada de lado como inútil; não que seja erradicada, pois falando em termos práticos, nós passamos por muitas ocasiões nas quais somos humilhados pelas suas obras pecaminosas; mas tudo isso, aos olhos de Deus, é removido por completo por meio da morte de Cristo. Nós devemos reconhecer-nos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus, por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor. Isto é uma questão de fé, não de sentimento ou experiência; apesar de que, quando reconhecida pela fé, produzirá sentimentos de gratidão e uma experiência consistente. A mesma se tornará verdadeira para a alma.

     Mas ela torna-se real somente pela fé. Um indivíduo não é apenas justificado pela fé, mas vive por ela, a fé no Filho de Deus. Isto não é um credo ou um conjunto de regras que nos devem controlar: pelo contrário, a fé fixa os olhos apenas e somente em Cristo. Ele é o seu Padrão: não pode existir nada mais elevado; e algo inferior – mesmo a santa, justa e boa lei de Deus–nunca pode ocupar o Seu lugar, pois nunca pode agradar ao coração de Deus. Foi Cristo que me amou e Se entregou por mim. Ele que é o amado Filho de Deus.
In Boa Semente