… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Graças ao eterno amor de Deus podemos desejar, uns aos outros, Feliz Natal!

Carlos António da Rocha

Graças ao eterno amor de Deus podemos desejar, uns aos outros, Feliz Natal!

O Evangelho narra a história do nascimento de Jesus, no tempo do imperador romano Augusto César, e do rei judeu Herodes, numa aldeia chamada Belém, na região da Judeia, sob a autoridade civil do governador da Síria, de nome Cirénio. Todos estes nomes são de pessoas e sítios reais, que passaram a fazer parte da História.

Os historiadores coincidem em que era costume do Império Romano impor pela força uma rigorosa administração nos territórios conquistados. Não era estranho que, por essa razão, o Imperador ordenasse censos fiscais cada vez que o considerasse oportuno.

Este era um desses casos, e, entre todos os habitantes que deviam recensear-se estava o jovem casal José e Maria. Desde o seu casamento viviam em Nazaré, na região da Galileia, onde José tinha a sua oficina de carpintaria; e Maria estava grávida do seu primeiro filho. Dadas as circunstâncias tiveram de percorrer 110 quilómetros para o sul, para cumprir o seu censo na “cidade de David”, pois ambos eram descendentes do rei mais amado em Israel. Como todos os albergues e estalagens tinham sido ocupados, por causa do censo, o casal conseguiu o sítio menos apropriado para uma mãe em trabalhos de parto: um estábulo.

Sabemos tudo isto lendo o Evangelho escrito pelo médico de nome Lucas (1:26-80; 2:1-52) e também lendo o Evangelho escrito pelo ex-cobrador de impostos Mateus (Cap.1:1-25; 2:1-23).

No entanto, o dia verdadeiro do nascimento de Jesus não ficou com exactidão registado na Bíblia; nem tampouco na história secular. Precisamente, alguns céticos aproveitam este silêncio da data exata do nascimento de Jesus para negar a existência real do menino de Belém. Interrogamo-nos o que teria ocorrido se Deus nos tivesse permitido saber o dia exato do nascimento do Seu filho?

Jesus nasceu na Véspera de Natal, o dia 24 de dezembro, ou nasceu no 25 de dezembro?

Há muitas razões para pensar que não foi em nenhuma dessas duas data tradicionais. Nós não temos nenhuma informação a respeito de que os primeiros cristãos celebravam o Natal, nos três primeiros séculos da Igreja; muito menos, que o dia de nascimento de Jesus tivesse sido no mês de dezembro, quando é inverno naquela região.

Na antiga a Palestina a actividade pastoril em épocas da primavera e do verão, o costume era o de recolher os rebanhos em currais no campo, e de fazê-los pastar nas noites de temperatura temperada ou suave. Nesses dias os pastores não guardavam as suas ovelhas no estábulo que usavam no outono, no inverno e nos dias inclementes. Porque estavam no campo, à noite, guardando o rebanho dos lobos, os pastores viram os anjos cantando a boa notícia de que um Salvador tinha nascido na cidade de David. Portanto, pode inferir-se que este acontecimento só poderia ter ocorrido próximo de 21 de setembro, que é quando começa o outono naquela região.

Por que, então, se aponta a data para dezembro? A informação de que havia então uma festa próxima ao Natal, a 18 de dezembro, quando se celebrava o solstício de inverno, chamada "Sol Invictus", que era um culto ao Sol proveniente da antiga Babilónia. É bem sabido que o típico sincretismo do Império Romano os levava a incorporar rituais das culturas próprias dos países que dominavam. Esse dia era propício para as suas orgias, nas quais o sentido comum e a razão estavam adormecidos.

Também é sabido que ao Imperador Romano lhe chamavam “Sol” e que assim o veneravam; e que, por decreto imperial se obrigava os cidadãos a adotar a fé dos cristãos, a quem antes perseguiam e massacravam, aos milhares. Posteriormente, fez-se coincidir aquela festa em que o astro rei sai invicto da escuridão, com o dia (certo, mas não conhecido) do nascimento do Filho de Deus; contudo, para uma semana adiante, como gesto de boa vontade para com o Papa, o qual transladou para esse dia a Epifania de 6 de janeiro (decreto de Milão de 313).

Em resumo: a celebração do primeiro Natal, foi num 25 de dezembro no século IV, por decreto do Imperador romano Constantino, sendo Papa Júlio I, Sumo Pontífice da Igreja Católica Apostólica Romana.

Que significado teve e tem o nascimento de Jesus?

Retornando ao relato evangélico: a aparição de exércitos celestiais que naquela noite cantaram glória a Deus perante o olhar humilde e assombrado do pastores; a humilde manjedoura onde estava o menino, e  a mãe velando; a estrela que guiou os magos até José, Maria e Jesus; tudo isso é uma história que nos fala da graça e do amor infinitos de Deus. Isto já tinha sido profetizado exatamente por Miqueas: “E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre milhares de Judá, de ti me sairá o que será Senhor em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade.” (Mq 5:2, ARC, Pt) 

Se lermos cuidadosamente todo o Antigo Testamento descobriremos que este aponta para esta pequena cidade da qual saíram as pessoas chave, que formam a árvore genealógica terrestre de Jesus.

“Nisto se manifestou a caridade de Deus para connosco: que Deus enviou Seu Filho unigénito ao mundo, para que por Ele vivamos. Nisto está a caridade: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou e enviou Seu Filho para propiciação pelos nossos pecados.” (1Jo 4:9-10, ARC, Pt)

Esta celebração é o tempo de presentes. Ainda que não deixe de ser valioso o celebrar a generosidade e o afeto de uma maneira concreta, nem por isso deveríamos angustiar-nos se não o podermos fazer.

O nascimento do Jesus não nos fala de um presente que nós damos, mas de um presente que Deus nos dá. Na manjedoura de Belém, Deus ofereceu-nos o maior presente de toda a história: o Seu Filho amado. A Bíblia declara que esse presente é a vida eterna através de Jesus Cristo. Que Jesus veio ao mundo e nasceu da virgem Maria não é o final da história. Ele também viveu como homem perfeito; morreu na cruz pelos nossos pecados; ressuscitou de entre os mortos; está vivo; e em breve voltará para recolher a Sua noiva, a igreja, para unir-Se a ela numa nova dimensão. Já um com ela, Jesus Cristo julgará as nações com justiça final e inapelável.

O menino de Belém cresceu, quando adulto nunca Ele pediu que recordássemos o Seu nascimento, mas que recordássemos a Sua morte. Hoje é o Senhor dos senhores e o Rei de reis. Este suficiente Salvador e único Mediador entre Deus e os homens é, sob todas as perspectivas, o melhor presente que podemos compartilhar neste Natal. Como? Seguindo-O 365 dias por ano.

Aquele Menino nasceu numa muito humilde manjedoira; este Senhor e Rei está batendo na porta do teu coração; Ele espera que tu lho abras hoje, pois Ele deseja entrar, para viver nele, para relacionar-Se contigo, eternamente. Ao abrir-Lhe o teu coração estarás abrindo o teu coração a Deus. Não é, como por aí insistem, que o menino Jesus nascerá em ti; tu é que nascerás de novo. Descobrirás que és uma nova pessoa porque o Natal ocorreu em ti. E, então, terás o melhor presente que jamais terás adquirido para poder compartilhá-lo com os outros, porque é Natal!

Carlos António da Rocha



Este texto é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está escrito com o Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicado nem utilizado para fins comerciais; seja utilizado exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

Sem comentários: