Carlos António da Rocha
Graças ao eterno amor de Deus podemos desejar, uns aos outros, Feliz Natal!
O Evangelho narra a história do nascimento de Jesus, no tempo do imperador romano Augusto César, e do rei judeu Herodes, numa aldeia chamada Belém, na região da Judeia, sob a autoridade civil do governador da Síria, de nome Cirénio. Todos estes nomes são de pessoas e sítios reais, que passaram a fazer parte da História.
Os historiadores coincidem em que era costume do
Império Romano impor pela força uma rigorosa administração nos territórios
conquistados. Não era estranho que, por essa razão, o Imperador ordenasse
censos fiscais cada vez que o considerasse oportuno.
Este era um desses casos, e, entre todos os habitantes
que deviam recensear-se estava o jovem casal José e Maria. Desde o seu
casamento viviam em Nazaré, na região da Galileia, onde José tinha a sua
oficina de carpintaria; e Maria estava grávida do seu primeiro filho. Dadas as
circunstâncias tiveram de percorrer 110 quilómetros para o sul, para cumprir o
seu censo na “cidade de David”, pois ambos eram descendentes do rei mais amado
em Israel. Como todos os albergues e estalagens tinham sido ocupados, por causa
do censo, o casal conseguiu o sítio menos apropriado para uma mãe em trabalhos
de parto: um estábulo.
Sabemos tudo isto lendo o Evangelho escrito pelo
médico de nome Lucas (1:26-80; 2:1-52) e também lendo o Evangelho escrito pelo
ex-cobrador de impostos Mateus (Cap.1:1-25; 2:1-23).
No entanto, o dia verdadeiro do nascimento de Jesus não
ficou com exactidão registado na Bíblia; nem tampouco na história secular.
Precisamente, alguns céticos aproveitam este silêncio da data exata do
nascimento de Jesus para negar a existência real do menino de Belém.
Interrogamo-nos o que teria ocorrido se Deus nos tivesse permitido saber o dia
exato do nascimento do Seu filho?
Jesus nasceu na Véspera de Natal, o dia 24 de
dezembro, ou nasceu no 25 de dezembro?
Há muitas razões para pensar que não foi em nenhuma
dessas duas data tradicionais. Nós não temos nenhuma informação a respeito de
que os primeiros cristãos celebravam o Natal, nos três primeiros séculos da
Igreja; muito menos, que o dia de nascimento de Jesus tivesse sido no mês de
dezembro, quando é inverno naquela região.
Na antiga a Palestina a actividade pastoril em épocas da
primavera e do verão, o costume era o de recolher os rebanhos em currais no
campo, e de fazê-los pastar nas noites de temperatura temperada ou suave.
Nesses dias os pastores não guardavam as suas ovelhas no estábulo que usavam no
outono, no inverno e nos dias inclementes. Porque estavam no campo, à noite,
guardando o rebanho dos lobos, os pastores viram os anjos cantando a boa
notícia de que um Salvador tinha nascido na cidade de David. Portanto, pode
inferir-se que este acontecimento só poderia ter ocorrido próximo de 21 de
setembro, que é quando começa o outono naquela região.
Por que, então, se aponta a data para dezembro? A
informação de que havia então uma festa próxima ao Natal, a 18 de dezembro,
quando se celebrava o solstício de inverno, chamada "Sol Invictus",
que era um culto ao Sol proveniente da antiga Babilónia. É bem sabido que o
típico sincretismo do Império Romano os levava a incorporar rituais das
culturas próprias dos países que dominavam. Esse dia era propício para as suas
orgias, nas quais o sentido comum e a razão estavam adormecidos.
Também é sabido que ao Imperador Romano lhe chamavam “Sol”
e que assim o veneravam; e que, por decreto imperial se obrigava os cidadãos a
adotar a fé dos cristãos, a quem antes perseguiam e massacravam, aos milhares.
Posteriormente, fez-se coincidir aquela festa em que o astro rei sai invicto da
escuridão, com o dia (certo, mas não conhecido) do nascimento do Filho de Deus;
contudo, para uma semana adiante, como gesto de boa vontade para com o Papa, o
qual transladou para esse dia a Epifania de 6 de janeiro (decreto de Milão de
313).
Em resumo: a celebração do primeiro Natal, foi num 25
de dezembro no século IV, por decreto do Imperador romano Constantino, sendo
Papa Júlio I, Sumo Pontífice da Igreja Católica Apostólica Romana.
Que significado teve e tem o nascimento de Jesus?
Retornando ao relato evangélico: a aparição de
exércitos celestiais que naquela noite cantaram glória a Deus perante o olhar
humilde e assombrado do pastores; a humilde manjedoura onde estava o menino,
e a mãe velando; a estrela que guiou os
magos até José, Maria e Jesus; tudo isso é uma história que nos fala da graça e
do amor infinitos de Deus. Isto já tinha sido profetizado exatamente por
Miqueas: “E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre milhares
de Judá, de ti me sairá o que será Senhor em Israel, e cujas origens são desde
os tempos antigos, desde os dias da eternidade.” (Mq 5:2, ARC, Pt)
Se lermos cuidadosamente todo o Antigo Testamento
descobriremos que este aponta para esta pequena cidade da qual saíram as
pessoas chave, que formam a árvore genealógica terrestre de Jesus.
“Nisto se manifestou a caridade de Deus para connosco:
que Deus enviou Seu Filho unigénito ao mundo, para que por Ele vivamos. Nisto
está a caridade: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou
e enviou Seu Filho para propiciação pelos nossos pecados.” (1Jo 4:9-10,
ARC, Pt)
Esta celebração é o tempo de presentes. Ainda que não
deixe de ser valioso o celebrar a generosidade e o afeto de uma maneira
concreta, nem por isso deveríamos angustiar-nos se não o podermos fazer.
O nascimento do Jesus não nos fala de um presente que
nós damos, mas de um presente que Deus nos dá. Na manjedoura de Belém, Deus
ofereceu-nos o maior presente de toda a história: o Seu Filho amado. A Bíblia
declara que esse presente é a vida eterna através de Jesus Cristo. Que Jesus
veio ao mundo e nasceu da virgem Maria não é o final da história. Ele também
viveu como homem perfeito; morreu na cruz pelos nossos pecados; ressuscitou de
entre os mortos; está vivo; e em breve voltará para recolher a Sua noiva, a
igreja, para unir-Se a ela numa nova dimensão. Já um com ela, Jesus Cristo
julgará as nações com justiça final e inapelável.
O menino de Belém cresceu, quando adulto nunca Ele
pediu que recordássemos o Seu nascimento, mas que recordássemos a Sua morte.
Hoje é o Senhor dos senhores e o Rei de reis. Este suficiente Salvador e único
Mediador entre Deus e os homens é, sob todas as perspectivas, o melhor presente
que podemos compartilhar neste Natal. Como? Seguindo-O 365 dias por ano.
Aquele Menino nasceu numa muito humilde manjedoira;
este Senhor e Rei está batendo na porta do teu coração; Ele espera que tu lho
abras hoje, pois Ele deseja entrar, para viver nele, para relacionar-Se
contigo, eternamente. Ao abrir-Lhe o teu coração estarás abrindo o teu coração
a Deus. Não é, como por aí insistem, que o menino Jesus nascerá em ti; tu é que
nascerás de novo. Descobrirás que és uma nova pessoa porque o Natal ocorreu em
ti. E, então, terás o melhor presente que jamais terás adquirido para poder
compartilhá-lo com os outros, porque é Natal!
Carlos António
da Rocha
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