A VINDA DE CRISTO
Ambrósio de Milão
«Não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído».
Estas palavras diziam respeito ao Templo edificado por Salomão [...], uma vez
que tudo o que é construído pelas nossas mãos sucumbe ao desgaste ou à
deterioração e está sujeito a ser derrubado pela violência ou destruído pelo
fogo. [...] Mas dentro de nós também existe um templo que se desmorona se a fé
faltar, em particular se em nome de Cristo procurarmos em vão apoderar-nos de
certezas interiores, e talvez seja esta interpretação a mais útil para nós. Com
efeito, de que servirá saber o dia do Juízo? De que me servirá, tendo
consciência de todos os meus pecados, saber que o Senhor virá um dia, se Ele
não vier à minha alma, não crescer no meu espírito, se Cristo não vier a mim,
se Cristo não falar em mim? É a mim que Cristo deve vir, e é em mim que deve
realizar-se a Sua vinda.
Ora, a segunda vinda de Cristo terá lugar no nadir do
mundo, quando pudermos dizer que «o mundo está crucificado para mim, e eu para
o mundo» (Gl 6, 14). [...] Para quem lhe morreu o mundo, Cristo é eterno; para
esse, o Templo é espiritual, a Lei espiritual, a própria Páscoa espiritual.
[...] Então, para esse, realiza-se a presença da sabedoria, a presença da
virtude e da justiça, a presença da redenção, porque Cristo na verdade morreu
uma só vez pelos pecados de todos a fim de resgatar todos os dias os pecados de
todos.
Nadir s. m. (astr.) ponto da esfera celeste diametralmente oposto ao zénite; (fig.)
o menor grau. (Do ár. natir, «ponto oposto a outro»)
Comentário ao Evangelho segundo São Lucas X, 6-8 (SC
52, pp. 158 ss., rev.)
fonte_http://ecclesia.com.br/sophia/?cat=5
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