Os pecados e as tristezas da cidade
Sermão de Thomas Guthrie
"Vendo [Jesus] a cidade, chorou sobre ela." (Lc
19:41, ARC, Pt)
Há
um fenómeno notável a ser visto em certas regiões da nossa costa. Estranho
dizer, ele prova, a despeito de expressões como terra estável e sólida, que não
é a terra mas o mar que é o elemento estável. Num dia de Verão quando não há
onda nem vento brando para entufar a vela ou refrescar um rosto, lanças o barco
ao mar. Indo além da marca mais baixa da maré, deitas-te à toa na proa para
surpreender o olhar prateado do peixe que passa, ou para ficar vendo os
movimentos de muitas criaturas curiosas
que passam pela margem arenosa do mar, ou, rastejando-se para fora das tocas
nas pedras, vagueiam nos seus labirintos complicados. Se o viajante fica
surpreso por achar uma concha do alto-mar incrustada nos mármores do pico de
uma montanha, quanto mais ficarás admirado por veres debaixo de ti uma
vegetação estranha ao ambiente do fundo do mar! Debaixo do barco, submerso a
muitos metros abaixo da superfície da maré mais baixa, nas grandes profundezas
verdes e cristalinas, não vês qualquer âncora enferrujada, nem restos mortais
de algum náufrago desfeitos em pó, mas nos tocos erectos das árvores descobres
os vestígios de uma floresta reduzidos a pó, onde outrora gatos selvagens
rondavam e pássaros do céu cantando, faziam ninhos e alimentavam filhotes. Em
contraste aos trechos da nossa costa onde cavernas encavadas no mar, com lados
polidos pelas ondas e o solo ainda polvilhado de conchas e areia, agora estão
no alto, acima do nível das marés de correntes mais fortes, ali jazem essas
árvores mortas apodrecendo nas profundezas. Fenómeno estranho, que não admite
outra explicação senão esta: que o contorno da costa afundou-se para baixo do
seu antigo nível.
Muitas
das nossas cidades apresentam fenómenos tão melancólicos aos olhos do
filantropo, assim quanto outro fenómeno é interessante para o filósofo ou o
para geólogo. Nos aspectos económicos, educacionais, morais e religiosos,
certas partes desta cidade sustentam a evidência palpável de uma correspondente
precipitação. Não uma única casa, ou um bloco de casas, mas ruas inteiras,
antigamente de ponta a ponta, os domicílios da decência, indústria, riqueza,
posição social e prática religiosa, foram engolfadas. Uma enxurrada de
ignorância, miséria e pecado irrompe e ruge acima do topo das suas moradias
mais altas. Nem os velhos tocos de uma floresta, ainda erectos debaixo das
ondas do mar, indicam uma mudança maior, uma precipitação mais profunda que as
relíquias da antiga grandeza e os memoriais comoventes da prática religiosa,
que ainda permanecem em volta dessas habitações miseráveis como o crepúsculo
nocturno nas colinas — como os vestígios de beleza de um cadáver. São cenas
tristes o chão despido, as paredes enegrecidas e nuas. a atmosfera abafada e
repugnante, a janela remendada e empoeirada pela qual um raio de Sol, como a
esperança, debilmente surrupia às crianças maltrapilhas, mortas de fome e de
rostos tristes, o rufião, o montão de palha onde alguma mãe miserável,
murmurando sonhos, cura-se dormindo da devassidão da noite passada, ou se deita
sem mortalha e sem ataúde na cadaverização de uma morte desesperada.
Frequentemente olhamos para eles. E parecem profundamente tristes pelos
divertimentos agitados e pela ilusão.
Empolgados
por vestígios de um afresco que ainda se mostra do gesso sujo e quebrado, o
mármore volumoso que se eleva acima da pedra de lareira fria e rachada, uma
cornija elaboradamente entalhada no alto para tiritar de frio a fim de ser
posta no chão para servir de lenha, algumas flores ou frutos de estuque ainda
pendentes do tecto esmigalhado, a imaginação, despertada por estas coisas,
evoca as cenas e actores de outros dias — quando a beleza, a elegância e a moda
adornavam estes saguões solitários, copiosamente enegrecidos pela fuligem sobre
tábuas gementes, e onde estas poucas brasas, juntadas do montão de pó da
cidade, são fogueiras pouco hospitaleiras que debilmente ardem sem chama e
rugem pela chaminé.
Mas
aqui e ali essas casas dão testemunho de uma precipitação mais profunda, uma
mudança ainda mais triste. Determinado por alguma missão de misericórdia,
colocas-te ao pé de uma escada húmida e imunda. Esta conduz-te aos quartos
abarrotados de uma moradia, onde —com a excepção de alguma velha viúva decente
que viveu dias melhores, tendo toda a família morrido e os amigos ido embora,
ainda se agarra a Deus e à fé nos momentos negros da adversidade — entre o
naufrágio da fortuna desde os recantos da adega em baixo até aos sótãos debaixo
da cumeeira do telhado, não encontrarás ninguém lendo a Bíblia ou mesmo com uma
Bíblia para ler. Ai! De oração, de salmos matutinos e vespertinos, de paz
terrena ou divina, pode-se dizer que o lugar que outrora os conhecia não os
conhece mais. Porém, antes de tu ali entrares, levanta os olhos para a pedra
que está acima da entrada. Emudece, fala de outros e melhores tempos. Esculpido
em grego ou latim, ou na nossa língua mãe, decifras textos como estes:
"Paz seja nesta casa" (Lc 10.5); "Se o Senhor não edificar a
casa, em vão trabalham os que edificam" (Si 127.1); "Temos de Deus um
edifício, uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus'' (2 Co 5.1);
"Temei a Deus" (1Pe 2.17); ou este: "Ama o teu próximo".
Como os restos reduzidos a pó de uma floresta que antigamente ressoava com a
melodia dos pássaros, mas hoje não se ouve nada excepto a arremetida bravia ou
o gemido melancólico do quebrar das ondas, estes vestígios da prática religiosa
fornecem um padrão que nos permite medir o quanto se afundou o estrato da
sociedade nestas localidades sombrias.
Agora
há forças na natureza que, levantando a crosta de nossa terra, podem converter
o fundo do mar outra vez em floresta ou em terra cultiváveis.
Neste
momento estas forças estão em operação activa. Trabalhando lentamente, contudo,
com poder prodigioso, estão levantando as costas da Suécia, no Velho Mundo, e
do Chile, no Novo. E quem sabe se estas agências subterrâneas, levantando as
nossas costas, ainda restabeleçam a vegetação a essas areias do fundo do mar e
devolvam ao arado o seu solo, ao pinheiro balouçante a terra florestal. E assim
nas nossas orlas, redimidas da compressão do oceano em alguma era futura,
colheitas maduras caiam ao cântico dos ceifeiros e florestas densas tombem pelo
machado do lenhador.
Não
sabemos se isto acontecerá. Mas sei que há uma força em actuação neste mundo —
leve, no entanto poderosa — comummente lenta em acção, mas sempre certa nos
seus resultados, a qual, mais energética que lavas vulcânicas, os vapores
comprimidos ou os terramotos oscilantes, é adequado para levantar as massas
mais afundadas da sociedade e restabelecer os mais baixos e os mais longos
distritos abandonados de nossas cidades ao nível anterior, para colocá-los na
plataforma emparelhada de um cristianismo mais elevado.
Não
podemos desesperar-nos, contanto que não nos esqueçamos de que o poder de Deus,
a sabedoria de Deus e a graça de Deus não têm nada a fazer dentro das nossas
orlas que já não tenham feito antes. As nossas classes caídas são rudes e
incultas, ignorantes e malignas? O mesmo eram os nossos antepassados quando o
Cristianismo aportou nesta ilha. Ele tomou posse dela em nome de Jesus e
conquistou selvagens corajosos, a quem os Romanos nunca puderam subjugar, pelo
poder suave, contudo poderoso, do Evangelho. “A mão do Senhor não está
encolhida, para que não possa salvar; nem o Seu ouvido, agravado, para não
poder ouvir" (Is 59:1). Pouco importando o tempo que leve para evangelizar
as massas da nossa cidade, por mais que vivamos antes do período em que
"uma nação nascerá num dia", toda a prova de paciência que tenhamos
de suportar, toda a lágrima que tenhamos de derramar pelas nossas cidades, as
nossas lágrimas não são como as que Jesus chorou quando viu Jerusalém.
Não.
Jerusalém foi selada para a ruína, sentenciada além de redenção. Os nossos
irmãos e as nossas cidades não o foram. Não precisamos de chorar como aqueles
que não têm esperança. Assim como num dia de Verão vi o céu subitamente tão
brilhante e a chuva com cada pingo sendo mudado pelos raios do Sol num diamante
incandescente, assim as esperanças se sobrepõem aos medos, e as promessas do
Evangelho derramam a luz do Sol sobre as tristezas piedosas. Podemos chorar;
devemos chorar — choramos e trabalhamos, choramos e oramos. Mas que as nossas
lágrimas sejam sempre como as que Jesus derramou ao lado do sepulcro de Lázaro.
Ele, enquanto chorava, ordenou aos espectadores que tirassem a pedra, e ao Seu
comando o túmulo entrega o seu morto, que havia quatro dias ali fora sepultado.
Tais sejam as nossas lágrimas. Sustentados por elas, todos trabalharemos muito
melhor; e dentro de bem pouco tempo o nosso Pai celeste abraçará o mais
miserável desses pobres miseráveis.
Dirigimos
a tua atenção para a extensão da intemperança; cuidemos, em segundo lugar, dos
efeitos deste vício.
Os
espartanos, povo valente e, ainda que pagão, virtuoso em muitos aspectos,
mantinham a mais profunda aversão à intemperança. Quando pais cristãos iniciam
os filhos no vício da bebida, e — como vimos e ficamos espantados — os ensinam
a levar o copo aos lábios infantis, copie quem possa, os antigos e sábios
espartanos não são o vosso modelo. Eles não eram mais meticulosos em treinar a
mocidade do seu país nos exercícios atléticos, e desde a meninice e quase desde
os seios maternos a "sofrer as aflições como bons soldados" de
Esparta, do que a criá-los nos hábitos da mais rígida e mais severa temperança.
Formavam uma divisão regular da sua educação nacional. Por que não deveria ser
da nossa? Seria uma bênção incalculável para a comunidade. Faria
incontavelmente mais em promover o conforto nacional, a guardar o bem-estar das
famílias e a garantir o bem público, de que outras divisões que, ainda que
melhorem o paladar e sirvam de aprimoramento à mente, não dão a verdadeira
força e poder ao homem.
Uma
vez por ano esses gregos reuniam os escravos, e havendo-os compelido a beber
até ficarem bêbados, eram lançados —todos sentindo vertigens, cambaleando,
embriagados, brutalizados— numa grande arena, para que os jovens que enchiam as
arquibancadas quando fossem para casa depois deste espectáculo de degradação
evitassem a taça de vinho e cultivassem as virtudes da sobriedade. Terra
sumamente feliz, onde a embriaguez era vista apenas uma vez por ano, e formava
somente um espectáculo anual. Ai de nós! Não temos necessidade de empregar tais
meios injustificáveis mesmo para propósito tão bom! Não exigimos que se
organize algum espectáculo anual para contar ao púlpito, ou para representar no
palco de algum teatro os seus efeitos malditos, pavorosos e asquerosos. O leão
está assolando diariamente as nossas ruas. Ele continua "buscando a quem
possa tragar".
De
facto, uma vez por ano, quando os pátios da igreja ficam cheios, a nossa cidade
pode apresentar um espectáculo que os tolos consideram com indiferença, mas os
sábios com piedade e temor. Um homem pálido e desfigurado, portando o título de
"reverendo", está no cancelo da sua igreja.
Não
ousando olhar para cima, ele curva-se com a cabeça enterrada nas mãos, rubor
nas faces, lábios trementes e um inferno vociferando e queimando dentro de si,
enquanto pensa numa casa, onde uma esposa com o coração partido e os pequeninos
que dentro em pouco deixam aquela casa querida e doce para abrigar as cabeças
inocentes onde melhor for, todos empobrecidos e desgraçados. "Ah, meu
irmão", aqui! E: "Ah, meus irmãos", ali, aprendei: "Vigiai
e orai, para que não entreis em tentação" (Mt 26.41).
Veja
o motivo de ansiedade de uma mãe e a labuta abnegada e parcimoniosa de um pai
em educar o menino promissor e estudioso. Nesta escuridão profunda fixou-se
para sempre numa brilhante carreira universitária. Ai, que fim para o dia
solene de ordenação, o dia luminoso de casamento e todos os sábados quando um
povo afectuoso dependia dos lábios eloquentes do pregador! Se este ofício
sagrado, se a manipulação constante das coisas divinas, se as horas de estudo
gastas com a Palavra de Deus, se as cenas frequentes de morte com as suas mais
terríveis e ponderadas solenidades, se a ruína irredimível na qual a degradação
do ofício santo mergulha consigo um homem e a sua casa, se a hediondez
indizível deste pecado naquele que mantinha o posto de sentinela e fora incumbido
com o cuidado das almas — se estas coisas não nos fortalecem e nos cercam
contra os excessos, então, em nome de Deus: "Aquele, pois, que cuida estar
em pé, olhe que não caia" (1Co 10:12).
Ao
deixar o pátio da igreja, onde ele viu espectáculo tão estranho e terrificante
como um homem de mente culta, um homem de hábitos literários, um homem de
posição honrada, um homem de carácter sacro, tudo sacrificar —a causa da
religião, o pão da sua família, os interesses dos seus filhos, a felicidade da
sus esposa, o seu carácter, a sua alma— tudo, por esta indulgência vil.
Ninguém,
depois de prova tão terrível do poder e domínio deste vício tirânico se
surpreenderá de nada que encontre nas nossas ruas. Contudo, se a alma de Paulo
"se comovia em si mesma", emocionada até as profundezas mais
recônditas quando viu a idolatria de Atenas, penso que aquele que pode andar
deste castelo vizinho ao palácio mais distante sem gemer no espírito, deve ter
um coração quase tão duro como o pavimento em que anda. A degradação da
humanidade, a pobreza andrajosa, a miséria sórdida, a meninice sofredora, a
infância definhada e agonizante, quanto isso obliterou todo o romance da cena e
tornou a rua mais pitoresca da cristandade numa das mais dolorosas a ser
percorrida. Eles chamam à rua em Jerusalém de Via Dolorosa, ao longo da qual a
tradição diz que um Salvador sangrento carregou a cruz; eu penso que a nossa
própria rua foi baptizada nos sofrimentos de um nome tão triste.
Com
tantos indivíduos que têm no semblante a miséria estampada tão evidentemente
como se tivessem sido marcados por ferro em brasa — a fome na cara desses olhos
encovados, homens paralisados pela bebida, mulheres cobertas de bolhas e
inchadas pela bebida; crianças tristes e pálidas que definham numa morte lenta
com as cabeças cansadas deitadas tão deploravelmente no ombro de uma mulher
meio desumanizada —esta pobre criancinha que nunca sorri, sem sapato ou meia
nos pés ulcerados, tiritando, rastejando, mancando com a garrafa na mão
emagrecida para comprar com alguns trocados uma bebida, pobre criatura faminta,
que desejaria gastar num pão, mas que não ousa— a cena é como o rolo do
profeta, "escrito por dentro e por fora; e nele se achavam escritas
lamentações, e suspiros, e ais". Quanto nossos corações se apertaram ao
ver um menino pobre e maltrapilho olhando cobiçosamente para dentro de uma
janela a comida que ele não tem quem lha dê e não se atreve a tocar, para
observá-la enquanto ele erguia alternadamente os pés desnudos para que, não se
congelassem no pavimento gelado. Ele passa fome no da abundância. Negligenciado
entre pessoas que teriam mais pena de um cavalo velho doente ou de um cachorro
moribundo, ele é um pária na terra. Das multidões que passam sem reparar nele a
caminho de casas confortáveis, absortos em negócios ou prazer, não há ninguém
que o quer. Pobre miserável! Se ele conhecesse a Bíblia que ninguém o ensinou,
com tanta determinação ele se plantaria diante de nós e nos barraria o caminho
da igreja ou da reunião de oração, dizendo com olhos imploráveis e fixos em
nós: «'A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai', é alimentar-me, é
vestir estes membros desnudos, é encher estas bochechas vazias, é lançar a luz
do conhecimento nesta alma escurecida, é salvar-me, é não ir à casa de Deus ou
ao lugar de oração, sem primeiro vir comigo à nossa casa miserável, é visitar
os órfãos e as viúvas nas suas tributações e guardar-se da corrupção do
mundo"' (Tg 1:27).
Podes
testar a verdade destas declarações. Tudo que tu tens de fazer é andar pelas
ruas para comprová-las. Olha ali! Naquele cadáver vês o corpo morto e gelado de
uma das melhores e mais religiosas mães que já tivemos o privilégio de
conhecer. Ela teve um filho. Ele era o arrimo da sua viuvez — tão meigo, tão
afectuoso, tão amoroso. Alguns são tirados antes do "mal por vir";
postos no colo da mãe terra, guardados debaixo da relva verde do sepulcro; não
ouvem e não prestam atenção à tempestade que assola, em cima. Não foi feliz o
seu destino. Ela viveu para ver a desgraça desse filho, e todas as promessas da
sua mocidade destruídas e acabadas. Ele foi atraído pelo vício da intemperança.
De joelhos, ela pleiteava com ele. De joelhos, ela orava por ele. Quão
misteriosos são os caminhos da Providência! Ela não viveu para vê-lo mudado; e
com tais espinhos no travesseiro, com esses punhais fincados por tal mão em seu
coração, ela não podia viver. Ela afundou-se nesses pesares e morreu de coração
partido. Nós a ele lhe contámos isso. Com lágrimas amargas e ardentes, ele
admitiu-o e culpou-se pela morte da mãe — confessando-se o seu assassino.
Esmagado pela tristeza e completamente só, ele foi ver o corpo. Sozinho, ao
lado da mãe fria, morta e inacusável, ele ajoelhou-se e chorou o seu remorso
terrível. Depois de um tempo, levantou-se.
Infelizmente
—que desgraça de que uma garrafa de bebida tivesse sido deixado lá—, os seus
olhos caíram no antigo tentador. Viste o ferro aproximar-se do íman. Chama-lhe
feitiço, fascinação ou qualquer coisa ruim, demoníaca, mas assim como o ferro é
atraído pelo íman, ou como um pássaro trémulo, fascinado pelos olhos ardentes e
a pele brilhante da serpente, entra nas suas mandíbulas envenenadas e
expandidas, assim ele foi atraído pela garrafa. Estranhando a demora, entraram
no quarto —e agora na cama estão dois corpos— a mãe morta e o seu filho morto e
bêbado. Que visão! Que espectáculo humilhante e horrível! E que mudança
daqueles tempos felizes em que a noite abaixou as cortinas pacíficas em volta
do mesmo filho e da sua mãe — ele, um doce bebé, dormindo, como anjo, em seus
braços amorosos! "Quanto ficou opaco o ouro, o ouro mais fino mudou!"
Ou
vê ali. A cama ao lado da qual tu em outras visitas conversaste e oraste com
aquela que, na flor da mocidade, estava definhando-se num lento declínio — está
vazia. Os vivos precisam dela; e assim a sua exausta e cansada locatária de
longo tempo acha-se agora estirada na morte, em cima de dois baús inclementes
ao lado da janela. E enquanto tu estás ao lado do corpo e o contemplas, naquela
face iluminada por um transitório raio de Sol, vês, juntamente com rastros
alongados de beleza não comum, a tranquilidade e a paz que foram o seu último
fim. Mas neste tempo quente, abafado e de Verão, por que é que ela se encontra
lá sem caixão? A bebida deixou-nos fazer esse último ofício pela morta. Seu pai
—que indigno o nome de pai—, quando a filha pleiteou com ele pela sua alma,
pleiteou com ele pela alma de sua mãe, pleiteou com ele pela alma da sua irmã
pequena, tinha ficado ao lado do travesseiro agonizante para cruelmente
condená-la. Ele deixou a pobre criança morta aos cuidados dos outros. Com o
salário que retém para a bebida, ele recusa comprar a forma inanimada de um
caixão e um sepulcro!
Mas
que emoções os casos que vos contei, vos despertam? Ser igualado por muitos e
ultrapassado por alguns em exemplos de repertório que eu poderia contar, que
paixão podem, que paixão devem instigar, senão a indignação mais profunda? Nem
eu, por mais que isso jorrasse impetuosamente, procuraria deter a inundação.
Quanto mais profundamente flui, mais alto sobe, quanto mais forte se avoluma,
tanto melhor. Eu não procuraria refreá-la, mas direcioná-la — direcioná-la não
contra as vítimas, mas contra o vício.
Eu
peço-te: não odeies o bêbedo; ele odeia-se. Não o menosprezes; ele não se pode
rebaixar tanto na tua opinião como já está rebaixado na sua própria. O teu ódio
e o teu desprezo podem prender a atenção, mas nunca lhe estraçalharás as
correntes. Estende-lhe a mão amiga para arrancá-lo do lodo. Com mãos fortes,
quebra essa poncheira — tira-lhe as tentações que, ainda que as odeie, ele não
lhes pode resistir. Odeia, detesta, treme diante do pecado dele. E pelo amor da
piedade, pelo amor de Deus, pelo amor de Cristo, pelo amor da humanidade,
desperta-te à pergunta: "O que posso fazer?" Sem dares atenção aos
outros, quer te sigam, quer não, corre até a praia, afasta o barco da praia,
atira-te nele e rema com força, como um homem, para o naufrágio. Diz: "Eu
não ficarei vendo os meus semelhantes morrem sem que eu nada faça. Eles estão
morrendo. Farei qualquer coisa para salvá-los. De que luxo não me abandonarei?
De que indulgência não me absterei? Que costumes, que algemas de velhos hábitos
não quebrarei, para que estas mãos fiquem mais livres para arrancar o que se
está afogando no fundo? Deus é a minha ajuda, a sua Palavra é a minha lei, o
amor do Seu Filho é o meu motivo governante, nunca equilibrarei uma indulgência
pobre e pessoal com o bem do meu país e o bem-estar da humanidade".
Irmãos,
a altura deste mal exige tais resoluções, tais esforços sublimes, santos, contínuos
e abnegados. Diante de Deus e dos homens, diante da Igreja e do mundo, eu
impugno a intemperança. Eu acuso-a do assassinato de inumeráveis almas. Neste
país, abençoado pela independência, pela fartura, pela Palavra de Deus e pelas
liberdades da verdadeira religião, eu imputo-a como a causa —qualquer que seja
a sua origem— de quase toda a pobreza, de quase todos os crimes, de quase toda
a miséria, de quase toda a ignorância e de quase toda a irreligião que desgraça
e aflige a terra. "Não deliro, ó potentíssimo Festo! Antes, digo palavras
de verdade e de um são juízo" (At 26:25). Na minha opinião, creio que
estes estimulantes intoxicantes afundaram na perdição mais homens c mulheres do
que os que encontraram o sepulcro no Dilúvio que passou impetuosamente acima
dos cimos mais altos e engolfou um mundo do qual somente oito pessoas foram
salvas. Quando comparado a outros vícios, podemos dizer deste: "Saul feriu
os seus milhares, porém David, os seus dez milhares" (1Sm 18:7).
Por
fim, considere que cura devemos aplicar a esse mal. O principal e único remédio
soberano para os males deste mundo é o Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.
Eu creio nisso. Não há homem mais convencido disso do que eu. Mas ele antes
dificulta do que ajuda a causa da religião, que fecha os olhos para o facto de
que, na cura das almas como na cura dos corpos, muitas coisas são importantes
como auxiliares para o remédio, os quais não podem ser considerados
correctamente como remédios. No dia em que ressuscitou, Lázaro devia a sua vida
a Cristo; mas os que naquele dia tiraram a pedra fizeram um bom serviço. Eles
foram aliados e auxiliares. E para os tais na batalha que o Evangelho tem de
empreender contra este vício monstruoso, permitam-me concluir este discurso
direccionando a vossa atenção. E eu pondero: Em primeiro lugar: Que a
legislatura pode prestar serviços essenciais a esta causa.
Esta
é aliança entre a Igreja e o Estado com a qual ninguém pode disputar. Feliz do
nosso país se por tal ajuda o Estado cumprisse para a Igreja —a mulher da
profecia —esta visão apocalíptica: "E a serpente lançou da sua boca, atrás
da mulher, água como um rio, para que pela corrente a fizesse arrebatar. E a
terra ajudou a mulher; e a terra abriu a boca e tragou o rio que o dragão
lançara da sua boca" (Ap 12:15,16).
Muitos
indivíduos não sentem comiseração pelos sofrimentos da classe mais baixa. Eles
não são desumanos, mas monopolizados pelos próprios interesses ou, muito
elevados em posição social, ignoram as tentações e provações dessa gente. Portanto,
falam ignorantemente sobre eles e raras vezes mais do que quando repudiam todos
os esforços da legislatura mediante actos restritivos do Parlamento para
enfraquecer, se não abolir, este mal. Eles têm os seus remédios. Uns pleiteiam
por melhores alojamentos e medidas sanitárias, o que também consideramos
altamente valioso. Outros põem a fé na educação — um agente cuja importância
para a geração ascendente é impossível estimar. Alguns parecem não ter
confiança em nada, a não ser na pregação do Evangelho. Eles contam com um ou
outro desses ou a influência combinada de todos, para a cura da embriaguez,
repudiando e protestando contra toda a interferência do legislativo. No
entanto, gostaria tanto quanto eles de ver o estrato mais pobre do nosso povo
muito elevado no gosto, com mentes tão instruídas e corações tão santificados
de modo que resistissem às tentações que de todos os lados os atacam. Porém
milhares, dezenas de milhares, são incapazes de fazê-lo. Eles têm de ser
ajudados com muletas até que possam andar. Eles têm de ser cercados com toda
protecção possível até que sejam "arraigados e fundados no amor de
Deus". No campo, já vi muitas vezes uma criancinha, com o rosto bronzeado
pelo Sol e madeixas douradas e compridas, doce como uma flor que ela pisou com
o pé descalço, alegre como um passarinho que cantou do arbusto ou matagal,
tangendo o gado para o curral. Com mão destemida, ela controla o líder
mal-humorado do rebanho, pois com fronte armada e força colossal ele se
intimida diante daquela imagem franzina de Deus. Alguns dias atrás, tive uma
visão diferente — essa criança, com a cabeça pendente, sem música na voz, sem
rubor na face, senão a da vergonha, levando para casa um pai bêbedo ao longo da
rua pública. O homem precisava ser conduzido, guiado, defendido. E em condição
dificilmente menos desesperadora, grandes massas de nosso povo afundaram-se.
Nem preciso perguntar se eles bebem.
Olhe
essas circunstâncias infelizes e dificílimas. Muitos deles nascem com a
propensão para o vício. Eles o sugam com o leite materno, porque é fato bem
comprovado que outras coisas são hereditárias, além de câncer, tuberculose e
outras doenças. O pai bêbado transmite aos filhos a predisposição a esta
indulgência fatal. A atmosfera poluída que muitos respiram, o trabalho duro
pelo qual muitos ganham o pão, produzem uma prostração que busca nos
estimulantes algo que revigore o sistema, e nada será excluído do uso por
prospecto de perigo ou experiência de reacção correspondente. Com os nossos
gostos melhorados, os nossos livros, as nossas recreações, os nossos confortos
domésticos, não temos ideia adequada das tentações às quais os pobres são
expostos e das quais é a mais verdadeira generosidade protegê-los. Eles têm
frio e o copo é calor. Eles têm fome e a bebida é a sua comida. Eles são
miseráveis e há riso no que flui do copo. Eles estão afundados na própria
estima, e a poncheira ou a garrafa envolve o bêbedo com um halo luminoso e
colorido de auto-respeito, e, contanto que as emanações estejam no cérebro, ele
sente-se um homem. "Para que bebam, e se esqueçam da sua pobreza, e do seu
trabalho não se lembrem mais" (Pv 31:7).
Retirar
a tentação nem sempre cura o bêbedo. Mas certamente restringirá o crescimento
da sua classe e impedirá que muitos outros aprendam o seu vício até que homens
sanguinários possam nutrir a bendita esperança de que, como monstros da época
anterior que agora jazem enterrados em pedras, os bêbados sejam numerados entre
as raças extintas, classificados com as serpentes aladas e as bestas
gigantescas que outrora eram os habitantes do nosso globo.
O
assunto diante de nós foi eminentemente calculado para ilustrar a profunda
observação de alguém que estava bem familiarizado com as tentações e
circunstâncias dos pobres. Ele disse: "É de justiça, não de caridade, que
os pobres mais precisam". E tudo o que pedimos é que vós lhes sejais tão
gentis quanto sois para com os ricos; que vos precateis contra uma classe tão
cuidadosamente quanto vos precatais contra outra das tentações peculiares à
vossa sorte. Sinto em dizer —mas a verdade e os interesses daqueles que, por
mais desgraçados e degradados, são os ossos dos nossos ossos e carne da nossa
carne, exigem que eu diga— que isto não é feito. Os pobres, diz Amós, são
vendidos por um par de sapatos, e connosco eles são vendidos para poupar a
riqueza dos ricos. Sobre isso não faço acusação do que não estou preparado para
provar. Por exemplo: certas medidas foram propostas no Parlamento com vistas a
promover o conforto e a melhorar os hábitos morais das pessoas comuns.
Admitiu-se que para tais pessoas, introduzindo vinho fraco francês e do Reno em
vez de aguardentes e bebidas alcoólicas fortemente intoxicantes, seriam
atendidas com resultados mais felizes e desejáveis. Contudo, estas medidas
foram rejeitadas porque a sua adopção, ainda que salvasse as pessoas,
prejudicaria a renda. Como se não houvesse bastante dinheiro nos bolsos dos
ricos por meio de outros impostos para saldar as dívidas da nação e sustentar a
honra da Coroa. Que diferença o tom da moral, mesmo na China! Os ministros
daquele país provaram ao soberano que ele evitaria todo o perigo de guerra com
a Inglaterra, além de aumentar imensamente a renda, se consentisse em legalizar
o comércio do ópio. Ele recusou, recusou firmemente, recusou nobremente. E foi
um dia glorioso para a Inglaterra, dia feliz para dez mil casas miseráveis — um
dia para fogueiras, saudações de canhões, sinos festivos, procissões com
bandeiras e acções de graças santas, que viu a nossa amada rainha levantar-se
do trono e no nome desta grande nação fazer na Câmara dos Lordes e Comuns o
discurso memorável em favor daquele monarca pagão: "Eu nunca consentirei
em elevar a minha renda com a ruína e o vício de meu povo". Que Deus
sature a nossa terra com tal espírito! "Vem, Senhor Jesus. Vem
depressa".
Em
segundo lugar: Que o exemplo de se abster de todos os licores intoxicantes
grandemente ajudaria na cura deste mal.
Nenhum
princípio está mais claramente revelado na Palavra de Deus e nenhum posto em
acção torna o homem mais semelhante a Cristo do que a abnegação. "Se o
manjar escandalizar a meu irmão, nunca mais comerei carne, para que meu irmão
não se escandalize" (1Co 8:13). Este é o princípio da temperança, como o
advogo. Não concordo com aqueles que, na sua ânsia pelo bem, tentam provar
muito e condenam como positivamente pecador o uso moderado de estimulantes. Mas
ainda menos simpatia tenho por aqueles que ousam chamar a Jesus Cristo para dar
o Seu semblante santo às suas luxuosas mesas. É chocante ouvir os homens
tentarem provar pela Palavra de Deus a permissividade de tal vício — encher a
taça de vinho e esvaziar o copo.
Eu
era capaz de usar sem abuso. Mas vendo a que abusos monstruosos a coisa tinha
crescido, vendo a que multiplicidade de casos o uso foi seguido pelo abuso e
vendo como o exemplo das classes altas, a prática dos ministros e o hábito dos
membros da igreja foram usados para proteger e sancionar indulgências tão
frequentemente carregadas de excesso, percebi que este é caso para a
advertência do apóstolo Paulo: "Mas vede que essa liberdade não seja de
alguma maneira escândalo para os fracos" (1Co 8:9).
Nesta
revolução moral nos nossos hábitos nacionais, nesta maior de todas as reformas,
todos se podem engajar. Mulheres e crianças, como também homens, podem tomar
parte para que sigamos em direcção à meta. E atingível, se tão-somente
tentarmos. É promissora, se apenas dermos ao assunto a justa consideração. Por
que o poder do Cristianismo, mediante os seus argumentos poderosos do amor e da
negação do "eu", não levaria ao desuso de estimulantes intoxicantes,
e assim alcançaria o que o islamismo e o hinduísmo alcançaram? A cruz tem de
empalidecer diante do Crescente Fértil? (símbolo do Islão) A religião divina de
Jesus, com esse Deus-Homem no madeiro por insígnia invencível, envergonha-se
diante de tais rivais e acha-se incapaz de realizar o que as falsas crenças
fizeram? Não nos digam que não pode ser feito. Pode ser sim. Foi feito — feito
pelos inimigos da cruz de Cristo, feito pelos seguidores de um impostor, feito
por adoradores da madeira e da pedra. "A sua rocha não é como a nossa
Rocha" (Dt 32.31). Se é verdade, e não pode ser contradito, eu com certeza
exijo de todo o homem que tenha fé em Deus e ame a Jesus, e que está disposto a
viver pelo benefício da humanidade, que reflicta sincera, plena e devotamente
sobre este assunto. Mas, qualquer que seja o meio, quaisquer que sejam as armas
que tu julgues melhor empregar, quando as trombetas estão retumbando em Sião e
o alarme está soando e ecoando no monte santo de Deus, vem, vem ajudar o Senhor
contra o poderoso, junta-te ao padrão, lança-te ao grosso da batalha e morre em
actividade lutando pela causa de Jesus. Assim, "para mim o viver é Cristo,
e o morrer é ganho." (Fl 1:21)
O
sermão selecionado para este volume. "Os Pecados e as Tristezas da
Cidade", na sua nobre introdução revela o primoroso dom da descrição de
Guthrie. O sermão ainda é terrivelmente apropriado para a Escócia (se fosse só
para a Escócia! Para toda a Humanidade…) dos nossos dias.
In "Great Sermons of the World" Hendrickson
Publishers, Peabody, Massachussetts, EUA, 1997
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Carlos António da Rocha
Este texto é de livre utilização, desde que a sua
ortografia seja respeitada na íntegra porque já está escrito com o Português do
Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicado nem utilizado para fins
comerciais; seja utilizado exclusivamente para uso e desfruto pessoal.
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Thomas
Guthrie nasceu em Brechin, Escócia, em 12 de julho de 1803, e morreu em St.
Leonards, em 24 de fevereiro de 1873. O seu primeiro pastorado deu-se em Arbilot,
onde durante sete anos foi ministro da Igreja Presbiteriana. Foi durante esses
anos que ele adoptou o método pictórico de pregar, pelo qual logo ficou
conhecido. Num culto à tarde para jovens, ele interrogou-os minuciosamente
acerca do sermão pregado naquela manhã.
Sem
demora ele descobriu que as porções dos sermões de que eles se lembravam eram
as ilustrações. Isto determinou que ele cultiva-se um estilo ilustrativo. Quase
todos os sermões impressos por Guthrie abrem com algum tipo de ilustração ou de
anedota. Ele falou a respeito das três principais regras da homilética,
ilustrando-as nos Três Ps" — Pintar, Provar e Persuadir. Mas para ele a
principal era pintar.
Em
1837, Guthrie tornou-se ministro de Old Greyfriars, Edimburgo, e em 1840, da
Igreja de St. Johns, Edimburgo. Imediatamente atraiu a atenção, e durante
trinta e cinco anos a sua imensa popularidade nunca diminuiu. Ele não tinha
nada do gosto escocês pela metafísica, nem era sonhador ou místico. Os temas
dos seus sermões são comuns, e o arranjo deles são simples e mecânicos. Não
obstante, nos anais do púlpito escocês ninguém o ultrapassou na habilidade de,
ano após ano, atrair e manter grandes multidões. É impossível definir o segredo
do poder de um pregador. Porém no caso de Guthrie, é indubitável que o seu
poder (naquela época) novel, dramático e pictórico desempenhou uma parte
importante na sua extraordinária popularidade. Guthrie não só era um grande
pregador, mas era também grande filantropo. A imponente estátua de Guthrie em
Princes Street, Edimburgo, mostra-o com dois meninos de rua abrigando-se nos
seus braços. Esta é em comemoração das Escolas dos Maltrapilhos que Guthrie
fundou para abrigo e instrução das crianças abandonadas e carentes de
Edimburgo. O Dr. James McCosh, mais tarde reitor da Universidade de Princeton,
era vizinho de Guthrie quando ele morava em Arbilot. Fazendo um comentário
sobre a pregação de Guthrie, o Dr. McCosh diz: "Alguns homens implacáveis
consideravam os seus discursos não muito lógicos; certos homens e mulheres
afectados reputavam as suas ilustrações bastante vividas; mas todos iam
ouvi-lo, porque os seus corações eram tocados."
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