A nossa natureza comum impacienta-se de viver apenas
da fé
François Fénelon
"Muitas vezes a tristeza vem de que, procurando a Deus, nós
não temos o sentimento da Sua presença. Querer sentir não é querer possuir: é
uma espécie de amor-próprio; queremos ter a certeza de possuir, para só então
sentir a consolação. A nossa natureza comum impacienta-se de viver apenas da
fé. Ela quer sair dessa situação, porque na verdadeira fé, parecem faltar os
apoios; a alma fica como que no ar; ela gostaria de “sentir” que está
progredindo. Gostaríamos, por amor-próprio, de ter o prazer de nos vermos
perfeitos; resmungamos porque isso ainda não é visível; ficamos impacientes,
altivos, de mau humor contra os outros e contra nós mesmos. É um erro. Como se
a obra de Deus pudesse concretizar-se pela nossa tristeza! Como se nos pudéssemos
unir ao Deus da paz perdendo a paz interior... “Marta, Marta, você se preocupa
com muitas coisas”, diz o Cristo, que acrescenta: “Só uma coisa é necessária”;
e essa coisa é amá-Lo e saber viver tranquilamente a Seus pés."
François Fénelon (1651-1715), arcebispo de Cambrai, uma inspiração para os Cristãos.
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