O meu poder se aperfeiçoa na fraqueza
George Verwer
“E
disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.
De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite
o poder de Cristo.” (2Co 12:9, ARC, Pt)
Muitos jovens começam o serviço
cristão convencidos de que são crentes dedicados e fiéis. Foram encorajados a pensar
assim pelos elogios dos amigos ou dos responsáveis da Igreja. E talvez eles se
tivessem realmente erguido acima do cristão médio (que está) à sua volta. Mas o
serviço na linha de fogo torna-os cada vez mais conscientes das palavras de
Jesus: “Sem Mim, nada podeis fazer” (João 15:5).
Todos os obreiros Cristãos chegam
a uma determinada altura, se são honestos, ao ponto em que já não podem afirmar
naturalmente a sua dedicação ao Senhor. Reconhecem simplesmente, sem qualquer
dúvida, que não são Hudson Taylor, George Muller ou Charles T. Studd. O
resultado pode ser uma depressão extrema: uma vez que constantemente fracassam
quando tentam grandes façanhas, concluem que não há qualquer esperança para
eles.
Existe um antídoto para isso.
Robert Murray M’Cheyne disse um dia que, por cada olhadela que dava para si
mesmo, olhava dez vezes para o Senhor Jesus. Ele tinha deixado de ter esperança
em si mesmo, mas a sua esperança em Cristo era ilimitada! Para M’Cheyne, e para
nós, pode ser necessário um fracasso total para nos levar à convicção de que a
nossa única esperança está em Jesus! E não é Jesus mais dinheiro, ou Jesus mais
uma organização eficiente, ou equipamento próprio, mas só Jesus!
Graças ao apóstolo Paulo, temos
um exemplo que tem provado este caminho para a vitória. “E
disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.
De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite
o poder de Cristo” (2Co 12:9, ARC, Pt).
Quando estiveres numa situação
difícil, quando os demónios da discórdia, da crítica, dos desentendimentos e da
confusão te esmagarem, como se estivesses a ser espremido, recorda estas
palavras: “A Minha graça te basta.” Sem este conhecimento e confiança não podes
sobreviver ao combate que espera ao discípulo de Cristo.
Poderá o custo da peleja cristã
ser menor do que o de nações em conflito? Se é, então não é peleja. Alexandre
Duff, o santo de Deus escocês, conhecia o preço. Chorando enquanto enfrentava a
multidão, ele perguntou se a Escócia tinha mais filhos para dar. “Quando a
rainha Vitória pede voluntários para a Índia, centenas respondem”, lembrou ele,
“mas quando o Rei Jesus chama, ninguém vai.” O silêncio foi total. “Se não há
ninguém que vá”, continuou ele, “então, eu voltarei lá. Irei e deixarei os meus
ossos junto do Ganges, para que a Índia saiba que a Escócia tem ao menos um que
se interessa por ela.”
Quer permaneçamos em casa quer
vamos para o estrangeiro, o apelo de Cristo às nossas vidas é uma chamada à
batalha. O inimigo é poderoso; ele arrasta e engana as almas para o inferno;
ele devasta as esperanças e os planos dos homens na terra. Todavia, Jesus pode
derrotá-lo através de qualquer cristão que envergue a sua armadura espiritual
(Ef 6:11-18). Portanto, a nossa esperança está no todo suficiente Senhor Jesus,
não em nós mesmos. Quaisquer que sejam as circunstâncias: “A Minha graça te
basta” é a promessa de Deus.
Alguém disse que “graça são as
riquezas de Deus à custa de Cristo.” Esta definição realça a grande dádiva que
Deus nos concedeu por Cristo. São as riquezas do Deus infinito herdadas pela
morte e ressurreição do Seu Filho. É realmente muito fácil tornarmo-nos
indiferentes ao que Cristo fez por nós na cruz. É de facto muito possível que
nos reunamos em torno da Mesa do Senhor, descuidadamente. Quando isto acontece,
estamos a considerar de nenhum valor as riquezas da graça de Deus!
Há uma outra maneira de tornar vã
a graça de Deus; fazemo-lo quando a menosprezamos. Se chegamos ao ponto de
desesperar e dizer: “Ó Deus, o que é que adianta? Eu não posso ir mais além, e Tu
também não me podes ajudar”, estamos a negar a graça de Deus. É, precisamente
nesse momento, que nós podemos descobrir que a Sua graça, a Sua suficiência, a
Sua vida e o Seu poder estão ao nosso alcance para nos levar até ao fim. Isto é
trágico e pecaminoso.
As exigências e padrões de Cristo
são, sem dúvida, extremas, são de facto, impossíveis. Mas Jesus não nos pede
que vivamos a vida cristã; pede-nos, sim, que O deixemos (a Ele) vivê-la em
nós. Não houve graça para o homem que se considerava a si mesmo justo e que
orou: “Graças te dou, Senhor, porque não sou como os demais.” Mas houve graça para
aquele que chorou: “Sou um pecador; Senhor, tem misericórdia de mim!” A
completa suficiência do Senhor Jesus Cristo compensa a nossa deficiência. Não
podemos ganhar a Sua graça; só a podemos obter, indo vazios à cruz.
Paulo afirma uma grande verdade
em Cl 2:9, 10, “Porque nEle (Cristo) habita corporalmente toda a plenitude da
divindade; e estais perfeitos nEle.” Perfeitos! Estaremos conscientes disto
quando lutamos por adquirir uma boa reputação? Estaremos conscientes disto
quando alguém nos priva de consideração? Estaremos conscientes disto quando não
nos sentimos à vontade num grupo? Talvez nos sintamos pior quando sofremos
perseguição ou doença por servirmos a Deus. Ou poderemos desfalecer na cadeia
por amor da justiça. Os nossos planos falham; o nosso testemunho é rejeitado.
Como nos sentimos então?
Estais perfeitos em Cristo! A
nossa perfeição não está em Cristo mais amigos, em Cristo mais serviço, em
Cristo mais posição, Cristo mais almas salvas. Estamos perfeitos só em Jesus! NEle
está toda a plenitude, por isso Jesus é tudo o que precisamos. Tudo o mais pode
falhar; Jesus nunca nos deixará, nem (nos) abandonará.
Surja o que surgir para nos
desencorajar, podemos fazer eco da convicção de Paulo: Jesus é suficiente para
o que quer que seja. A questão não está na Sua suficiência, mas só na nossa
confiança nEle. Nós não somos capazes de avançar, simplesmente, não
conseguiremos! Poderemos querer desistir: o Senhor está a pedir demasiado de
nós! Em qualquer ocasião, Ele é suficiente. Ele diz-nos: “Estais perfeitos em
Mim.” Fomos feitos agradáveis a Deus, em Cristo, o Amado.
Todos buscamos aceitação; todos
desejamos que necessitem, gostem e cuidem de nós.
Se esperamos vir a encontrar o
marido ou a esposa ideal para satisfazer essas necessidades, iremos ficar
desapontados. Nem mesmo um marido ou uma esposa pode preencher os anseios mais
profundos do nosso coração, porque fomos feitos para Deus. Só Ele pode baixar
até nós e encher esse profundo vazio; só Ele pode satisfazer.
Em Jesus Cristo, somos agora
aceites por Deus. Fomos aceites, não por um grupo social, mas pelo Deus
infinito. Fomos aceites, não na nossa virtude manchada, mas no perfeito Senhor
Jesus Cristo. Com esta confiança a motivar-nos, nada nas alturas, ou nas
profundezas, na vida ou na morte, nem em todo o universo, nos pode fazer parar,
porque nada Lhe pode resistir. A Sua graça abundante e transbordante é nossa,
se a quisermos receber.
George Verwer, In Vida em Profundidade
George Verwer (nascido em 3 de
julho de 1938) é o fundador da Operação Mobilização (OM), uma organização de
missões cristãs. Verwer já escreveu vários livros sobre vários temas cristãos.
Ele é um defensor apaixonado do discipulado radical como a única opção legítima
de vida para as pessoas nascidas de novo, crentes em Jesus.
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