C.
H. Mackintosh
Breves Meditações
18 - Os filhos (Resposta a uma
carta)
O ponto essencial, ao tratar com os filhos, é insistir na obediência. É de suprema importância. Se isto se levar à prática desde o princípio, evitar-se-á um mundo de aflições, tanto para os pais como para os filhos. A sua pergunta é extremamente interessante, mas nós não podemos considerá-la aqui. Recomendamo-lhe a leitura de uma obrita intitulada «Tu e a tua casa», a qual pode lhe ser de ajuda.
Aos filhos manda-se-lhes prestar plena obediência aos seus pais. Esta é a regra divina. Os pais, por outro lado, devem tomar cuidado em não provocar a ira aos seus filhos mediante uma conduta arbitrária, manifestando preferência por um mais que por outro, ou por uma ociosa aniquilação da vontade do menino ou só o efeito de fazer uma exibição de autoridade paterna. O menino deve ver sempre que os pais têm por ele um verdadeiro interesse no seu coração, e que o verdadeiro amor é a fonte que motiva todos os seus actos. Mas, devemos insistir na obediência dos filhos, sobretudo nesta época de independência, uma época especialmente caracterizada pela desobediência aos pais, e não só pela desobediência, mas também, em muitos casos, por uma grosseira falta de respeito. Muitos jovens de hoje parecem considerar os seus pais como se pertencessem à «velha escola» e carecessem de aptidão educativa. Daí a pronta disposição para contradizer os seus pais e impor as suas próprias opiniões. Tudo isto é contrário à natureza, enquanto que ímpio. Não deveria ser tolerado. E podemos adicionar o muito repreensível costume —adoptado por muitos jovens— de chamar aos seus pais por desrespeitosos motes tais como «governador», «ditador(1) », etc., o mesmo às suas mães mediante algum epíteto similar, igualmente objectável. Instamos os nossos jovens amigos a estar em guarda contra estas coisas e contra o espírito do qual elas procedem, e a cultivar um espírito reverente, o qual certamente conduzirá a um trato respeitoso para com os pais. É uma admirável prova de boa educação que os filhos respeitem os seus pais. Precisamos adicionar que em todos os assuntos nos quais a autoridade de Deus se vê comprometida, é ela a que deve prevalecer sobre qualquer atribuição? Oh, estejamos pelo poder corrector da graça e da verdade!
Não podemos entender como alguém que se chama a si mesmo pai cristão pode adoptar esse sistema de tratar os filhos com severidade e crueldade. Só pode terminar fazendo-os mentirosos e infiéis. Eles proferirão mentiras a fim de escapar do cinto; e desprezarão a religião que guarda relação com tais excessos. Semelhante trato, como você o descreve, é mais digno de um cruel amo de escravos do que de um pai cristão. Sem dúvida, há casos em que se requer uma pequena disciplina; mas deveria ser administrada de tal maneira que convencesse ao menino de que o faz só para seu bem, e não de que é o fruto de um mau temperamento ou de uma arbitrária severidade. A «vara» deve ser elevada de muito má vontade. Tem de ser empunhada como último recurso. Em conclusão, o pai cristão deve ter sempre ante ele como modelo o trato do seu Pai celestial para com ele. Agora, acaso o Pai inflige castigo por pecado confessado? O mero pensamento disso seria uma blasfémia. Ele só castiga por amor e com o propósito de nos fazer participes da sua santidade (Hebreus 12). Dói-lhe ter que usar a vara. “E ele foi angustiado por causa da aflição (ou miséria) de Israel” (Jz 10:16). Este deveria ser o modelo de todo o pai cristão. Não acreditamos no perpétuo sistema do açoite. Não faz mais que endurecer e embrutecer a criança. E desejamos adicionar, querido amigo, que o pai e a mãe devem estar perfeitamente unidos na administração da disciplina. O facto de que uma criança tenha de ir para um dos seus pais para que a proteja do outro, revela um estado de coisas, no círculo familiar, que resulta chocante a toda mente bem equilibrada. O pai e a mãe não devem ter um só pensamento divergente com respeito ao sistema de disciplina e formação. Eles devem aparecer ante os filhos como uma só autoridade, uma só influência. A firmeza do pai e a ternura da mãe devem estar perfeita e docemente combinadas, de modo que a sua acção conjunta se faça sentir em todo o sistema disciplinador. Mas, como pode isto levar-se à prática? Faz falta estar muito juntos de joelhos na presença de Deus. Este é o verdadeiro segredo da disciplina doméstica. Se o pai e a mãe não oram juntos, não actuarão juntos; e, se não actuarem juntos, a educação dos filhos sofrerá as consequências. Queira o Senhor, na Sua infinita bondade, ajudar todos os pais cristãos a desempenhar correctamente as suas elevadas e santas funções, de modo que o Seu nome seja glorificado nos lares de Seu povo!
Não vemos nenhuma dificuldade quanto ao termo “filhos” em Ef 6:1[2] . Em todo o contexto, o Espírito Santo está exortando os cristãos, nas suas diversas relações, a que desempenhem as funções que lhes correspondem. Só aos cristãos vão dirigidas as epístolas, e somente eles são exortados nessas cartas. Por isso, os “filhos” a que aqui se faz referência são cristãos. Os pais cristãos são exortados a criá-los na disciplina e admoestação do Senhor (Ef 6:4[3]) Isto, obviamente, compreende a todos os nossos filhos, a quem temos de educar desde o princípio para o Senhor, contando com Ele para isso, e Ele nunca falhará a um coração que se Lhe confia. Devemos tomar os princípios de Deus para elaborar todo o sistema de educação moral que apliquemos aos nossos filhos desde o seu nascimento; e Ele certamente honrará a fé que conta assim com Ele para os filhos e que os cria para Ele. Ele não pode negar-se a Si mesmo (2Tm 2:13[4]), bendito seja o Seu Nome para sempre!
1Cor 7:14(5) acha-se em contraste com a lei mosaica, a qual obrigava aos homens a repudiar não só às esposas estrangeiras, mas também à descendência de matrimónios mistos. Não se trata do estado prático dos próprios filhos —de se eles são salvos ou não—; a passagem afirma simplesmente que os filhos são santificados pelo facto da sua relação com o pai ou a mãe crente, e não necessitam, portanto, de ser repudiados. A ideia de construir, sobre a base deste texto, o monstruoso engano de que os filhos de pais cristãos são salvos, como tais, sem a graça vivificadora do Espírito Santo, é tão grosseiro que não merece espaço para a sua consideração.
Expressamos-lhe a nossa sincera simpatia e interesse no tema da sua carta. O seu caminho é muito simples. Só tem de criar os seus filhos para Deus e contar com Deus para os seus filhos. Só o Espírito de Deus pode fazer com que um menino compreenda as coisas divinas; não nos corresponde a nós fixar um limite quanto à idade precisa em que um menino é capaz de assimilar a verdade de Deus. Esta é obra do Espírito, e Ele pode fazer entender tanto aos bebés como aos sábios. Um menino é o modelo segundo o qual tem de ser formado todo aquele que tenha que entrar no reino de Deus.
Cremos que Mateus 18:10-14 constitui o fundamento da preciosa verdade da salvação dos infantes. Não o crê você? Não está plenamente persuadido de que todos quantos morrem na infância são salvos? Não crê que assim como os seus pequenos corpos sobrelevam a pena do pecado de Adão, as suas preciosas almas participam dos benefícios do sacrifício expiatório de Cristo? Pois bem, se você crê isto, por que teria de estar aflito o seu coração em relação ao destino do seu menino quando o Senhor retorne? Não pode confiar plenamente nesse Bendito que nos dias da Sua carne disse: “Deixai vir a mim os meninos, e não os impeçais, porque dos tais é o reino de Deus?” (Lc 18:16, ARC, Pt) Pode o seu coração abrigar, sequer por um instante, o indigno pensamento de que o seu misericordioso Senhor, quando voltar em busca do Seu povo, seria capaz de tomar a mãe para que esteja com Ele e deixar o seu bebé que pereceu? Você pergunta-nos se «podemos citar-lhe alguma passagem que mostre o que será dos pequenos filhos dos crentes quando o Senhor tenha arrebatado a Sua Igreja». Respondemos ao ponto: “Vede, não desprezeis algum destes pequeninos, porque eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre vêem a face de meu Pai que está nos céus. Porque o Filho do homem veio salvar o que se tinha perdido. Que vos parece? Se algum homem tiver cem ovelhas, e uma delas se desgarrar, não irá pelos montes, deixando as noventa e nove, em busca da que se desgarrou? E, se porventura achá-la, em verdade vos digo que maior prazer tem por aquela do que pelas noventa e nove que se não desgarraram. Assim, também, não é vontade de vosso Pai, que está nos céus, que um destes pequeninos se perca.”(Mt 18:10-14 ACF)
Pois bem, querido amigo, não é esta uma preciosa resposta à sua pergunta? Não é divinamente a propósito para afugentar toda a sua ansiedade quanto ao seu precioso bebé durante o evento da vinda do Senhor? Pensa você que o Salvador da graça, O qual proferiu estas palavras, ignorará os meninos quando vier pela Sua Igreja? Só o pensamento disso seria uma blasfémia. Oh, não, amado amigo! O nosso misericordioso Senhor será tão plenamente glorificado ao receber no Seu peito e ao levar para a Sua casa os pequeninos do Seu povo, tanto como os seus pais. Não é Sua vontade, agora, nem poderia sê-la então, “que se perca a um destes pequenos”. Que o seu coração ache pleno repouso quanto a esta questão, na eterna verdade de Deus e na rica e preciosa graça que resplandece tão brilhante e bem aventurosamente em Mateus 18:10-14(6).
Notas:
(1) Nos dias de hoje «cota», «meu velhote» e outros epítetos semelhantes... Estamos em 2009!
(2) “Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo.” (Ef 6:1, ARC, Pt)
(3) “E vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor.” (Ef 6:4, ARC, Pt)
(4) “Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo.” (2Tm 2:13 ACF)
(5) “Traze estas coisas à memória, ordenando-lhes diante do Senhor que não tenham contendas de palavras, que para nada aproveitam e são para perversão dos ouvintes.”(2Tm 2:14, ARC, Pt)
(6) N. do A.— Em Lucas 19:10, onde não se trata de uma questão de infantes, lemos: “Porque o Filho do Homem veio a buscar e a salvar o que se tinha perdido.”
http://www.verdadespreciosas.com.ar/index.html
Notas e Tradução de Carlos António da Rocha
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Esta tradução é de
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