C. H. Mackintosh
Breves Meditações
039 - Os dois laços
- a Vida Eterna e a Comunhão Pessoal (2.ª Parte)
Examinemos agora como se entra na nova criação —e de que maneira devemos ser possuidores da natureza divina—, como se forma este laço da vida eterna. Uma citação ou duas da Palavra bastarão para nos fazer compreender este ponto. “Porque de tal maneira amou Deus ao mundo, que deu o seu Filho unigénito, para que todo aquele que nele crê, não se perca, mas tenha vida eterna” (Jo 3:16). Leitor, note estas palavras, e observe a relação: “nele crê” e “tenha a vida eterna”. Eis aqui o laço: a simples fé. Desta maneira passamos da antiga criação e de tudo o que lhe pertence, à nova criação com tudo o que lhe pertence. Este é o precioso segredo do novo nascimento: a fé que opera na alma pela graça de Deus, pelo Espírito Santo; a fé que crê em Deus na Sua Palavra, que O aceita como certo e põe como seu selo que Deus é veraz. A fé que enlaça a alma com um Cristo ressuscitado: a Cabeça e o princípio da nova criação.
Passemos a outra citação: “Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida.” (Jo 5:24, ARC, Pt) Aqui encontramos de novo o enlace: “quem crê em mim”, “tem vida a eterna”. Nada pode ser mais simples. Pelo nascimento natural, entramos nos limites da antiga criação, e vimos a ser herdeiros de tudo o que pertence ao primeiro Adão. Pelo nascimento espiritual, entramos nos limites da nova criação e vimos a ser herdeiros de tudo o que pertence ao segundo Adão. E se se perguntar: Qual é o segredo do grande mistério do nascimento espiritual? A resposta é: A fé. “O que acredita em mim”, diz o Senhor. Em consequência, se o leitor acreditar em Jesus, está na nova criação, segundo a linguagem das passagens citadas; é possuidor da natureza divina; está unido a Cristo por um laço que é absolutamente indissolúvel. Essa pessoa não perecerá jamais. Nenhum poder da Terra ou do Inferno, dos homens ou dos demónios, é capaz de romper esse laço da vida eterna que põe em relação a todos os membros de Cristo com a sua Cabeça na glória, e uns com os outros.
Que o leitor queira examinar particularmente esta verdade, quanto ao laço da vida eterna e da sua formação; devemos tomar os pensamentos de Deus em lugar dos nossos; devemos ser exclusivamente governados pela Palavra de Deus, e não pelos nossos raciocínios vãos, pelos nossos sonhos insensatos e pelos nossos sentimentos sempre tão cambiantes. Além disso, devemos ser cuidadosos em não confundir o laço da vida eterna com o da comunhão pessoal, os quais, embora intimamente unidos, são perfeitamente distintos. Não devemos deslocá-los, mas deixá-los na sua ordem divina. O primeiro não depende do segundo, mas o segundo emana do primeiro. O segundo é um laço tanto como o é o primeiro, mas é o segundo e não o primeiro. Todo o poder e a malícia de Satanás são incapazes de romper o primeiro laço; o peso de uma pluma pode romper o segundo. O primeiro laço é eterno, o segundo pode ser quebrado num segundo. O primeiro deve a sua permanência à obra de Cristo por nós, a qual foi cumprida na Cruz, e à Palavra de Deus para nós, que foi estabelecida para sempre no Céu. O segundo depende da acção do Espírito Santo em nós, e pode ser —e infelizmente o é— impedido por milhares de coisas em cada dia. O primeiro está baseado na vitória de Cristo a favor de nós; o segundo, pela vitória do Espírito Santo em nós.
Pois bem, a nossa firme convicção é que milhares de cristãos são sacudidos com respeito à realidade e a perpetuidade do primeiro laço —o da vida eterna—, por causa dos seus fracassos na manutenção do segundo, o da comunhão pessoal. Algo sobrevém para romper o segundo, e eles começam a pôr em dúvida a existência do primeiro. Isto é um erro, mas serve para mostrar a imensa importância de uma santa vigilância no nosso andar diário a fim de que o laço da comunhão pessoal não seja quebrado pelo pecado, em pensamentos, palavras ou acções; e, se for quebrado, a fim de restaurá-lo imediatamente mediante o juízo de si mesmo e da confissão, fundados na morte e na intercessão de Cristo. É um facto inegável, confirmado pela penosa experiência de milhares de santos, que quando o segundo laço é quebrado, é quase impossível ver a realidade do primeiro. Mas, a interrupção da comunhão em si, por mais que para nós seja algo de vital importância, em realidade não é senão algo de valor secundário, e inclusive insignificante, quando é comparado com a desonra feita a Cristo e com a tristeza causada ao Espírito Santo por aquilo que ocasionou a perda da comunhão, isto é, pelo pecado não julgado.
Que o Espírito Santo trabalhe em nós poderosamente, para produzir vigilância, piedade, seriedade, zelo, a fim de que nada interrompa a nossa comunhão, e que os dois laços sejam compreendidos e os desfrutemos no seu devido lugar e na sua ordem conveniente, para a glória de Deus por nós, para a estabilidade da nossa paz n’Ele, e para a integridade e para a pureza do nosso andar diante dEle!
A fim de desenvolver mais plenamente o tema «os dois laços», queremos dirigir por um momento a atenção do leitor a uma importante passagem de 1 Coríntios 5: “Porque a nossa páscoa, que é Cristo, já foi sacrificada por nós. Assim celebremos a festa…”. Esta breve citação mostra-nos o alcance da verdade apresentada. Em primeiro lugar, temos o grande feito estabelecido: “Cristo, nossa páscoa, já foi sacrificada”, e, em segundo lugar, um sério chamamento: “Celebremos a festa”. No primeiro caso temos o fundamento da nossa segurança; no último, o segredo da nossa santidade pessoal.
Achamos aqui, na sua distinção característica e na sua devida ordem, novamente os dois laços. Temos um sacrifício e uma festa, duas coisas totalmente distintas e, todavia, em íntima relação uma com a outra. O sacrifício é perfeito, mas a festa deve ser celebrada. Tal é a ordem divina. A perfeição do sacrifício assegura os direitos do crente, e a celebração da festa inclui toda a sua vida prática.
Devemos tomar cuidado em não confundir estas coisas. A festa dos pães sem levedura, fundada na morte do cordeiro pascal, era o tipo da santidade prática que devia caracterizar toda a vida do crente. “Cristo foi sacrificado”: esta verdade assegura-nos um título perfeito. “Verei o sangue e passarei de vós” (Ex 12:13). Pelo sangue do cordeiro, Deus, como Juiz, foi apaziguado e plenamente satisfeito. O anjo destruidor devia atravessar a terra do Egipto à meia-noite, com a espada do juízo na sua mão, e o único meio para escapar era a aspersão do sangue, pois para Deus este sangue era suficiente. Deus havia dito: “Verei o sangue e passarei de vós.” A salvação de Israel descansava na estima que Deus tinha do sangue do cordeiro. A alma não poderia descansar numa verdade mais preciosa. A salvação do homem descansa na satisfação que Deus achou na obra do Seu Filho. Louvado seja Deus! “Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós.” Notemos as palavras: “foi sacrificado” e “por nós”. Isto resolve tudo o que concerne a tão importante questão da salvação do juízo e da ira. Assim se forma o precioso laço da salvação, o qual jamais pode ser quebrado. Não há nenhuma diferença entre o laço da vida eterna e o laço da salvação. O Senhor Jesus Cristo —O Salvador vivente, a Cabeça ressuscitada—, mantém, e manterá sempre, este laço numa inquebrável integridade, como Ele mesmo o diz: “Porque eu vivo, vós também vivereis.” “Porque se sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando reconciliados, seremos salvos pela sua vida.” “Vivendo sempre para interceder por eles” (Jo 14:19; Rm 5:10; Hb 7:25).
Ainda uma ou duas palavras sobre a exortação do Apóstolo: “Assim que celebremos a festa”. Cristo guarda-nos, mas, nós devemos guardar a festa. Ele foi sacrificado para que nós tenhamos uma festa para celebrar, e esta festa é uma vida de santidade pessoal, uma separação prática de todo o mal. A comida dos israelitas compunha-se de três coisas: um cordeiro assado, ervas amargas e pães sem levedura. Preciosos ingredientes! Mostram numa linguagem típica, primeiro, a Cristo tendo suportado a ira de Deus por nós; em segundo lugar, os profundos exercícios espirituais do coração que fluem da nossa contemplação da Cruz; e, em terceiro lugar, a santidade pessoal ou a separação prática do mal. Tal era a festa dos redimidos de Deus, e tal é a nossa hoje. Oh, que possamos celebrá-la na sua devido ordem! Tenhamos os lombos cingidos, os pés calçados e o nosso báculo de peregrinos na mão!
Recordemos que a festa não é celebrada para obter um sacrifício, mas que o sacrifício oferecido proveu a festa. Não devemos inverter esta ordem. Somos propensos a fazê-lo porque estamos dispostos a considerar Deus como um exactor, em lugar de considerá-Lo como um doador; dispostos a fazer do dever a base da salvação, em lugar de fazer da salvação a base do dever. Um israelita não rechaçava a levedura para ser salvo da espada do destruidor, mas sim porque era salvo. Por outras palavras, estava, primeiro, o sangue aspergido no dintel, e, seguidamente, os pães sem levedura. Estas coisas não devem confundir-se, nem devem separar-se. Não somos salvos da ira pelos pães sem levedura, mas sim por um dintel aspergido de sangue; mas, não gozaremos desta última verdade a menos que mantenhamos com zelo e diligência a primeira. Os dois laços devem manter-se sempre na sua ordem divina, e na sua íntima relação. Cristo mesmo mantém infalivelmente o primeiro; e nós, pelo poder do Espírito Santo, devemos manter o segundo. Que Ele nos faça capazes de fazê-lo!
Ainda uma ou duas palavras sobre a exortação do Apóstolo: “Assim que celebremos a festa”. Cristo guarda-nos, mas, nós devemos guardar a festa. Ele foi sacrificado para que nós tenhamos uma festa para celebrar, e esta festa é uma vida de santidade pessoal, uma separação prática de todo o mal. A comida dos israelitas compunha-se de três coisas: um cordeiro assado, ervas amargas e pães sem levedura. Preciosos ingredientes! Mostram numa linguagem típica, primeiro, a Cristo tendo suportado a ira de Deus por nós; em segundo lugar, os profundos exercícios espirituais do coração que fluem da nossa contemplação da Cruz; e, em terceiro lugar, a santidade pessoal ou a separação prática do mal. Tal era a festa dos redimidos de Deus, e tal é a nossa hoje. Oh, que possamos celebrá-la na sua devido ordem! Tenhamos os lombos cingidos, os pés calçados e o nosso báculo de peregrinos na mão!
Recordemos que a festa não é celebrada para obter um sacrifício, mas que o sacrifício oferecido proveu a festa. Não devemos inverter esta ordem. Somos propensos a fazê-lo porque estamos dispostos a considerar Deus como um exactor, em lugar de considerá-Lo como um doador; dispostos a fazer do dever a base da salvação, em lugar de fazer da salvação a base do dever. Um israelita não rechaçava a levedura para ser salvo da espada do destruidor, mas sim porque era salvo. Por outras palavras, estava, primeiro, o sangue aspergido no dintel, e, seguidamente, os pães sem levedura. Estas coisas não devem confundir-se, nem devem separar-se. Não somos salvos da ira pelos pães sem levedura, mas sim por um dintel aspergido de sangue; mas, não gozaremos desta última verdade a menos que mantenhamos com zelo e diligência a primeira. Os dois laços devem manter-se sempre na sua ordem divina, e na sua íntima relação. Cristo mesmo mantém infalivelmente o primeiro; e nós, pelo poder do Espírito Santo, devemos manter o segundo. Que Ele nos faça capazes de fazê-lo!
http://www.verdadespreciosas.com.ar/index.html
Tradução de Carlos António da Rocha
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Esta tradução é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está traduzida no Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicada nem utilizada para fins comerciais; seja utilizada exclusivamente para uso e desfruto pessoal.
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