… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

domingo, 12 de junho de 2016

Génesis 2 - VERSÍCULOS 4-7 - A Criação



Comentário Completo de Matthew Henry sobre a Bíblia
(Matthew Henry’s Complete Commentary on the Bible)
Génesis 2

VERSÍCULOS 4-7
A Criação

Nestes versículos:

I. Aqui há um nome atribuído ao Criador, que nós ainda não tínhamos encontrado, que é Jeová –o SENHOR, em letras maiúsculas, como são constantemente usadas na nossa tradução em português (inglesa), para indicar que no original está escrito Jeová. Durante todo o primeiro capítulo, Ele foi chamado Elohim –um Deus de poder. Mas agora, Jeová Elohim –um Deus de poder e perfeição, um Deus final (de acabamento, que conclui). Como O vemos conhecido pelo Seu nome Jeová, quando Ele apareceu para realizar o que tinha prometido (Êx 6:3), também agora O vemos conhecido por este nome, quando concluía o que tinha iniciado. Jeová é aquele grande e incomunicável nome de Deus, que indica que Ele existe por Si mesmo, e que Ele dá existência a todas as coisas, é adequado, portanto, que Ele seja chamado por este Nome, agora que os céus e a terra estão acabados.

II. Faz-se uma ulterior observação acerca da produção de plantas e ervas, porque elas foram criadas e designadas para serem o alimento do homem, Gn 2:5, 6. Observe aqui: 1. A terra não produziu frutos por (de) si mesma, por qualquer virtude inata própria, mas, puramente por causa do poder omnipotente de Deus, que formou toda planta e toda erva, antes que crescessem na terra. Assim também a graça na alma, esta planta de renome, não nasce por si mesma no solo da natureza, mas é obra das mãos de Deus. 2. A chuva também é um dom de Deus. Ela não veio, até que o Senhor Deus fez chover. Se faltar chuva, é Deus que a retém. Se a chuva vem abundantemente na sua estação, é Deus que a envia. Se ela vem de uma maneira diferente, é Deus que faz chover sobre uma cidade e sobre outra cidade não, Am 4:7. 3. Embora Deus, geralmente, trabalhe segundo métodos, Ele não está limitado a eles, mas quando deseja, Ele pode fazer o Seu próprio trabalho sem eles. Assim como as plantas foram criadas antes que o sol fosse criado, também elas estavam ali, antes que houvesse chuva para molhar a terra, ou homem para a lavrar. Portanto, embora não devamos tentar a Deus na negligência dos métodos, devemos confiar em Deus, na falta de métodos. 4. De uma maneira ou de outra, Deus irá cuidar de regar as plantas que são da Sua própria plantação. Embora ainda não houvesse chuva, Deus criou um vapor equivalente a uma chuva, e com ele regava toda a face da terra. Assim Ele escolheu cumprir o Seu desígnio, pelos métodos mais fracos, para que a excelência do poder pudesse ser de Deus. A graça Divina desce como um vapor, ou um orvalho silencioso, e rega a igreja sem ruído, Dt 32:2.

III. Uma narrativa mais específica da criação do homem, Gn 2:7. O homem é um pequeno mundo, que consiste de céu e terra, alma e corpo. Aqui temos um relato da origem de ambos, e de como foram unidos: devemos considerá-lo seriamente, e dizer, para louvor do nosso Criador: De um modo terrível e tão maravilhoso fui formado, Sl 139:14. Eliú, na época patriarcal, refere-se a esta história quando diz (Jb 33:6): “do lodo, também, eu fui formado”, e: “A inspiração do Todo-Poderoso me deu vida” (Jb 33:4), e ainda: “Há um espírito no homem” (Jb 32:8). Observe, então:

1. A origem humilde, e além disso, a curiosa estrutura, do corpo do homem. (1) A matéria era desprezível. Ele foi criado do pó da terra, uma coisa muito improvável para criar um homem. Mas o mesmo poder infinito que criou o mundo do nada, criou o homem, a sua obra prima, a partir de quase nada. Ele foi criado do pó, do pó miúdo (da poeira), como a que há na superfície da terra. Provavelmente, não pó seco, mas pó humedecido com o vapor que subia (da terra), Gn 2:6. Ele não foi feito de pó de ouro, de pó de pérola, nem de pó de diamante, mas de pó comum, do pó da terra. Por esta razão, aqui está escrito que ele é terreno, χοικος –da terra, do pó, poeirento, 1Co 15:47. E nós também somos da terra (terrenos), pois somos a sua descendência, e temos o mesmo molde. Tão próxima é a afinidade que existe entre a terra e os nossos pais terrenos, que o útero da nossa mãe, de onde nascemos, é chamado de terra (Sl 139:15), e a terra, na qual devemos ser enterrados, é chamada de ventre da nossa mãe, Jb 1:21. O nosso fundamento está no pó, Jb 4:19. O material de que somos formados é terreno, e o seu molde é como o de um vaso terreno, Jb 10:9. A nossa alimentação procede da terra, Jb 28:5. A nossa familiaridade é com a terra, Jb 17:14. Os nossos pais estão na terra, e a nossa própria tendência final é caminhar rumo a ela. E, então, o que temos em nós mesmos de que nos poderíamos orgulhar? (2) Ainda assim o Criador é grande, e o fabrico, ótimo. O Senhor Deus, a grande fonte da existência e do poder, formou o homem. Das outras criaturas, está escrito que foram criadas e feitas, mas do homem, é dito que foi formado, o que denota um processo gradual na obra, com grande precisão e exatidão. Para expressar a criação desta coisa nova, Ele toma uma nova palavra, uma palavra (opinam alguns) tomada emprestada da criação do oleiro quando ele forma o seu vaso, na roda, porquanto nós somos o barro, e Deus, o (nosso) oleiro, Is 64:8. O corpo do homem é formado de maneira curiosa, Sl 139:15, 16. Materiam superabat opus O trabalho excedia a matéria. Apresentemos os nossos corpos a Deus como sacrifícios vivos (Rm 12:1), como templos vivos (1Co 6:19), e então estes corpos vis serão, em breve, transformados, para serem conforme o corpo glorioso de Cristo, Fl 3.21.

2. A origem elevada e a admirável utilidade da alma do homem. (1) Ela surge do espírito do Céu (do sopro de Deus), e por Ele é produzida. Ela não foi criada da terra, como o corpo; é uma pena, então, que ela se apegue à terra e se ocupe com coisas terrenas. Ela veio diretamente de Deus. Ele deu-a, para que ela fosse colocada no corpo (Ec 12:7), como mais tarde Ele deu as tábuas de pedra da Sua própria escrita (escritas por Si mesmo) para que fossem colocadas na arca, e o Urim da sua própria concepção, para ser colocado no peitoral. Por isso, Deus não somente é o primeiro, mas o Pai dos espíritos. Que a nossa alma que foi soprada por Deus, viva para Ele, e que ela seja para Ele, visto que ela proveio dEle (é Sua). Nas Suas mãos entreguemos o nosso espírito, pois das Suas mãos o recebemos. (2) Ela hospeda-se numa casa de barro, e ela é a vida e o sustento dela. É por causa dela (alma), que o homem é uma alma vivente, isto é, um homem vivo, porque a alma é o homem. O corpo seria uma carcaça sem valor, inútil e abominável, se a alma não o animasse. A Deus, que nos deu esta alma, deveremos, em breve, prestar contas dela, como a empregamos, a usamos, e como dispusemos dela. E se então for descoberto que nós a perdemos, principalmente para ganhar o mundo, estaremos perdidos para sempre. Uma vez que a origem da alma é tão nobre, e a sua natureza e suas faculdades são tão excelentes, não sejamos como aqueles tolos que desprezam a própria alma, preferindo os seus corpos a elas, Pv 15:32. Quando o nosso Senhor Jesus untou com lodo (ou barro) os olhos do cego, talvez quisesse dizer que foi Ele que, no início, formou o homem a partir do barro. E, quando Ele assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo, Ele fez saber que tinha sido Ele quem primeiro tinha assoprado nos narizes dos homens o fôlego da vida. Ele que fez a alma é o único que pode renová-la.


http://www.studylight.org/commentaries/mhm/view.cgi?bk=0&ch=1



Tradução de Carlos António da Rocha

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