Comentário
Completo de Matthew Henry sobre a Bíblia
(Matthew Henry’s Complete Commentary on the Bible)
Génesis 2
VERSÍCULOS 4-7
A Criação
Nestes
versículos:
I. Aqui há um nome atribuído ao Criador, que nós ainda não tínhamos encontrado, que é Jeová –o SENHOR, em letras maiúsculas, como
são constantemente usadas na nossa tradução em português (inglesa), para
indicar que no original está escrito Jeová.
Durante todo o primeiro capítulo, Ele foi chamado Elohim
–um Deus de poder. Mas agora, Jeová Elohim –um Deus de poder e
perfeição, um Deus final (de acabamento, que
conclui). Como O vemos conhecido pelo Seu nome Jeová, quando Ele apareceu para
realizar o que tinha prometido (Êx 6:3), também agora O vemos conhecido por
este nome, quando concluía o que tinha iniciado. Jeová é aquele grande e incomunicável nome de Deus, que indica que
Ele existe por Si mesmo, e que Ele dá existência a todas as coisas, é adequado,
portanto, que Ele seja chamado por este Nome, agora que os céus e a terra estão
acabados.
II. Faz-se uma ulterior
observação acerca da produção de plantas e ervas, porque elas foram criadas e
designadas para serem o alimento do homem, Gn 2:5, 6. Observe aqui: 1. A terra
não produziu frutos por (de) si mesma, por qualquer virtude inata própria, mas,
puramente por causa do poder omnipotente de Deus, que formou toda planta e toda
erva, antes que crescessem na terra. Assim também a graça na alma, esta planta
de renome, não nasce por si mesma no solo da natureza, mas é obra das mãos de
Deus. 2. A chuva também é um dom de Deus. Ela não veio, até que o Senhor Deus fez chover. Se faltar
chuva, é Deus que a retém. Se a chuva vem abundantemente na sua estação, é Deus
que a envia. Se ela vem de uma maneira diferente, é Deus que faz chover sobre uma cidade e sobre outra
cidade não, Am 4:7. 3. Embora Deus, geralmente, trabalhe segundo métodos,
Ele não está limitado a eles, mas quando deseja, Ele pode fazer o Seu próprio
trabalho sem eles. Assim como as plantas foram criadas antes que o sol fosse
criado, também elas estavam ali, antes que houvesse chuva para molhar a terra,
ou homem para a lavrar. Portanto, embora não devamos tentar a Deus na
negligência dos métodos, devemos confiar em Deus, na falta de métodos. 4. De
uma maneira ou de outra, Deus irá cuidar de regar as plantas que são da Sua
própria plantação. Embora ainda não houvesse chuva, Deus criou um vapor
equivalente a uma chuva, e com ele regava toda a face da terra. Assim Ele
escolheu cumprir o Seu desígnio, pelos métodos mais fracos, para que a excelência do poder pudesse ser de Deus.
A graça Divina desce como um vapor, ou um orvalho silencioso, e rega a igreja
sem ruído, Dt 32:2.
III.
Uma narrativa mais específica da criação do homem, Gn 2:7. O homem é um pequeno
mundo, que consiste de céu e terra, alma e corpo. Aqui temos um relato da
origem de ambos, e de como foram unidos: devemos considerá-lo seriamente, e
dizer, para louvor do nosso Criador: De
um modo terrível e tão maravilhoso fui formado, Sl 139:14. Eliú, na época
patriarcal, refere-se a esta história quando diz (Jb 33:6): “do lodo, também, eu fui
formado”, e: “A inspiração do Todo-Poderoso me deu vida” (Jb 33:4), e
ainda: “Há um espírito no homem” (Jb
32:8). Observe, então:
1.
A origem humilde, e além disso, a curiosa estrutura, do corpo do homem. (1) A
matéria era desprezível. Ele foi criado do pó
da terra, uma coisa muito improvável para criar um homem. Mas o mesmo poder
infinito que criou o mundo do nada, criou o homem, a sua obra prima, a partir
de quase nada. Ele foi criado do pó, do pó miúdo (da
poeira), como a que há na superfície da terra. Provavelmente, não pó seco, mas
pó humedecido com o vapor que subia (da terra), Gn 2:6. Ele não foi feito de pó
de ouro, de pó de pérola, nem de pó de diamante, mas de pó comum, do pó da
terra. Por esta razão, aqui está escrito que ele é terreno, χοικος –da terra, do pó, poeirento,
1Co 15:47. E nós também somos da terra (terrenos), pois somos a sua descendência,
e temos o mesmo molde. Tão próxima é a afinidade que existe entre a terra e os
nossos pais terrenos, que o útero da nossa mãe, de onde nascemos, é chamado de terra (Sl 139:15), e a terra, na qual
devemos ser enterrados, é chamada de ventre
da nossa mãe, Jb 1:21. O nosso
fundamento está no pó, Jb 4:19. O material de que somos formados é terreno, e o
seu molde é como o de um vaso terreno, Jb 10:9. A nossa alimentação procede da
terra, Jb 28:5. A nossa familiaridade é com a terra, Jb 17:14. Os nossos pais
estão na terra, e a nossa própria tendência final é caminhar rumo a ela. E,
então, o que temos em nós mesmos de que nos poderíamos orgulhar? (2) Ainda
assim o Criador é grande, e o fabrico, ótimo. O Senhor Deus, a grande fonte da
existência e do poder, formou o homem. Das outras criaturas, está escrito que
foram criadas e feitas, mas do homem, é dito que foi formado, o que denota um processo gradual na obra, com grande
precisão e exatidão. Para expressar a criação desta coisa nova, Ele toma uma
nova palavra, uma palavra (opinam alguns) tomada emprestada da criação do
oleiro quando ele forma o seu vaso, na roda, porquanto nós somos o barro, e
Deus, o (nosso) oleiro, Is 64:8. O corpo do homem é formado de maneira curiosa,
Sl 139:15, 16. Materiam superabat opus –O trabalho excedia a
matéria. Apresentemos os nossos corpos a Deus como sacrifícios vivos
(Rm 12:1), como templos vivos (1Co 6:19), e então estes corpos vis serão, em
breve, transformados, para serem conforme o corpo glorioso de Cristo, Fl 3.21.
2.
A origem elevada e a admirável utilidade da alma do homem. (1) Ela surge do
espírito do Céu (do sopro de Deus), e por Ele é produzida. Ela não foi criada
da terra, como o corpo; é uma pena, então, que ela se apegue à terra e se ocupe
com coisas terrenas. Ela veio diretamente de Deus. Ele deu-a, para que ela
fosse colocada no corpo (Ec 12:7), como mais tarde Ele
deu as tábuas de pedra da Sua própria escrita (escritas por Si mesmo) para que
fossem colocadas na arca, e o Urim da
sua própria concepção, para ser colocado no peitoral. Por
isso, Deus não somente é o primeiro, mas o Pai dos espíritos. Que a
nossa alma que foi soprada por Deus, viva para Ele, e que ela seja para Ele,
visto que ela proveio dEle (é Sua). Nas Suas mãos entreguemos o nosso espírito,
pois das Suas mãos o recebemos. (2) Ela hospeda-se numa casa de barro, e ela é
a vida e o sustento dela. É por causa dela (alma), que o homem é uma alma
vivente, isto é, um homem vivo, porque a alma é o homem. O corpo seria uma
carcaça sem valor, inútil e abominável, se a alma não o animasse. A Deus, que
nos deu esta alma, deveremos, em breve, prestar contas dela, como a empregamos,
a usamos, e como dispusemos dela. E se então for descoberto que nós a perdemos,
principalmente para ganhar o mundo, estaremos perdidos para sempre. Uma vez que
a origem da alma é tão nobre, e a sua natureza e suas faculdades são tão
excelentes, não sejamos como aqueles tolos que desprezam a própria alma,
preferindo os seus corpos a elas, Pv 15:32. Quando o nosso Senhor Jesus untou
com lodo (ou barro) os olhos do cego, talvez quisesse dizer que foi Ele que, no
início, formou o homem a partir do barro. E, quando Ele assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo, Ele fez
saber que tinha sido Ele quem primeiro tinha assoprado nos narizes dos homens o
fôlego da vida. Ele que fez a alma é o único que pode renová-la.
http://www.studylight.org/commentaries/mhm/view.cgi?bk=0&ch=1
Tradução de Carlos
António da Rocha
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Esta tradução é de
livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque
já está traduzida no Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca
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