… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sexta-feira, 10 de junho de 2016

O Púlpito

O Púlpito 

C. H. Spurgeon
Se existe um lugar abaixo do supremo céu mais santo do que outros, esse lugar é o púlpito, onde o Evangelho é pregado. Ele é o campo das Termópilas1 do reino cristão, onde deve ser travada a grande batalha entre a igreja de Cristo e os exércitos invasores de um mundo perverso. É o último vestígio do que nos foi deixado de sagrado.


Hoje não temos altares – Cristo é nosso altar. Mas ainda restou o púlpito, um lugar onde é preciso descalçar os pés por ser santo. Consagrado pela presença de um Salvador, estabelecido pela clareza e força da eloquência de um apóstolo, mantido e preservado pela fidelidade e fervor de uma sucessão de evangelistas que, como estrelas, marcaram a época em que viveram, gravando nela os seus nomes, o púlpito é legado àqueles que prestigiam tudo o que é grandioso e santo. Apesar disso, tenho visto homens impuros a subirem e a descerem dele. Que coisa terrível!



Se existe um pecador de coração endurecido, esse pecador é o homem que peca e sobe ao púlpito. Temos ouvido a respeito de um homem assim, que cometeu os pecados mais abomináveis e que, finalmente, foi descoberto. Mas tal é a depravação da raça humana que, quando ele voltou a pregar, multidões se aglomeram ao redor desse monstro somente para ouvir o que ele diria. Soubemos casos, também, em que homens apanhados em flagrante insistiram, desavergonhadamente. Talvez sejam estes os pecadores mais difíceis de lidar. Porém, uma vez manchadas as vestes, longe do pregador pensar em subir ao púlpito! Aquele que ministra junto ao altar precisa de estar limpo. Todo cristão precisa de ser santo, mas ele (púlpito), que busca servir a Deus, vez por outra, tem tido no seu meio um sol que era escuro em vez de brilhante, e uma lua que era uma mancha de sangue, ao invés de estar cheia de clareza e beleza.



Feliz a igreja que recebe de Deus ministros santos, porém, infeliz é a igreja presidida por homens iníquos. Conheço ministros nos nossos dias que sabem mais sobre varas de pescas do que sobre capítulos na Bíblia, mais sobre raposas do que sobre ir atrás de almas de homens, que entendem muito mais de Primavera e de rede de pesca do que de redes para pescar almas ou de exortações sérias para fugir da ira vindoura. Todos conhecemos indivíduos assim: são os mais agitados nas festas dos ricos, os mais barulhentos ao brindar e tilintar os copos, os mais afoitos entre os poderosos, os mais alegres, descontrolados e dissolutos. Pobre da igreja que permite tal coisa. Bendito será o dia em que essas pessoas forem expulsas do púlpito; então, ele será “brilhante como o sol, claro como a lua e terrível como um exército com as suas bandeiras”.

(Extraído do livro “O MELHOR DE SPURGEON” - Ed. Luz e Vida – Pág. 23 e 24)

Charles Haddon Spurgeon, comumente referido como C. H. Spurgeon (Kelvedon, Essex, 19 de junho de 1834 — Menton, 31 de janeiro de 1892), foi um pregador batista reformado britânico.

Artigo de Carlos António da Rocha





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