O Púlpito
C. H. Spurgeon
C. H. Spurgeon
Se existe um lugar abaixo do
supremo céu mais santo do que outros, esse lugar é o púlpito, onde o Evangelho
é pregado. Ele é o campo das Termópilas1 do reino cristão, onde deve ser
travada a grande batalha entre a igreja de Cristo e os exércitos invasores de
um mundo perverso. É o último vestígio do que nos foi deixado de sagrado.
Hoje não temos altares – Cristo
é nosso altar. Mas ainda restou o púlpito, um lugar onde é preciso descalçar os
pés por ser santo. Consagrado pela presença de um Salvador, estabelecido pela
clareza e força da eloquência de um apóstolo, mantido e preservado pela
fidelidade e fervor de uma sucessão de evangelistas que, como estrelas,
marcaram a época em que viveram, gravando nela os seus nomes, o púlpito é
legado àqueles que prestigiam tudo o que é grandioso e santo. Apesar disso,
tenho visto homens impuros a subirem e a descerem dele. Que coisa terrível!
Se existe um pecador de coração
endurecido, esse pecador é o homem que peca e sobe ao púlpito. Temos ouvido a
respeito de um homem assim, que cometeu os pecados mais abomináveis e que,
finalmente, foi descoberto. Mas tal é a depravação da raça humana que, quando
ele voltou a pregar, multidões se aglomeram ao redor desse monstro somente para
ouvir o que ele diria. Soubemos casos, também, em que homens apanhados em
flagrante insistiram, desavergonhadamente. Talvez sejam estes os pecadores mais
difíceis de lidar. Porém, uma vez manchadas as vestes, longe do pregador pensar
em subir ao púlpito! Aquele que ministra junto ao altar precisa de estar limpo.
Todo cristão precisa de ser santo, mas ele (púlpito), que busca servir a Deus,
vez por outra, tem tido no seu meio um sol que era escuro em vez de brilhante,
e uma lua que era uma mancha de sangue, ao invés de estar cheia de clareza e
beleza.
Feliz a igreja que recebe de
Deus ministros santos, porém, infeliz é a igreja presidida por homens iníquos. Conheço
ministros nos nossos dias que sabem mais sobre varas de pescas do que sobre
capítulos na Bíblia, mais sobre raposas do que sobre ir atrás de almas de
homens, que entendem muito mais de Primavera e de rede de pesca do que de redes
para pescar almas ou de exortações sérias para fugir da ira vindoura. Todos
conhecemos indivíduos assim: são os mais agitados nas festas dos ricos, os mais
barulhentos ao brindar e tilintar os copos, os mais afoitos entre os poderosos,
os mais alegres, descontrolados e dissolutos. Pobre da igreja que permite tal
coisa. Bendito será o dia em que essas pessoas forem expulsas do púlpito;
então, ele será “brilhante como o sol, claro como a lua e terrível como um
exército com as suas bandeiras”.
Charles
Haddon Spurgeon, comumente referido como C. H. Spurgeon (Kelvedon,
Essex, 19 de junho de 1834 — Menton, 31 de janeiro de 1892), foi um
pregador batista reformado britânico.
Artigo de Carlos António da Rocha
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