Excerto
de
“A Cabana do Pai Tomás”
Harriet Beecher Stowe
de
“A Cabana do Pai Tomás”
Harriet Beecher Stowe
Dizem os entendidos que esta obra, “A Cabana do Pai Tomás”, foi determinante na luta pela abolição da escravatura naquele imenso país então agrilhoado que foi os Estados Unidos da América. Para que lhes abra o apetite de leitura deste livro cheio de vida...
Excerto de “A Cabana do Pai Tomás”, de Harriet Beecher Stowe
“Passado um mês, todos os escravos da casa Shelby estavam reunidos no grande salão, para ouvirem uma comunicação do seu jovem senhor.
Qual não foi a sua surpresa quando o viram aparecer com um maço de papéis. Eram as suas cartas de alforria; leu-as a todos sucessivamente e entregou-as a cada um. Ouviram-se choros, soluços e vivas!
Muitos, todavia, pediram-lhe para não os mandar embora; acotovelavam-se em sua volta e queriam obrigá-lo a receber novamente as cartas.
- Não precisamos de mais liberdade do que já temos; não queremos abandonar a nossa velha casa, nem o senhor, nem a senhora, nem tudo o resto.
- Meus bons amigos - disse Jorge, assim que conseguiu um momento de silêncio -, não precisam de me deixar, a quinta precisa de tantas mãos como antes; mas vocês, homens e mulheres, são todos livres...
Pagarei pelo vosso trabalho os ordenados que se combinarem. Se eu morrer ou ficar arruinado, vocês terão pelo menos a vantagem de não poderem ser vendidos. Eu fico à frente da propriedade e ensino-os a usar os vossos direitos de homens livres. Vai levar tempo! Mas espero que sejam bons e estejam dispostos a aprender. E agora, meus amigos, levantem os olhos para o céu, e agradeçam a Deus o dom da liberdade.
Um velho negro, de cabelos brancos, que envelhecera na quinta e que estava cego, levantou-se, estendeu as mãos a tremer e exclamou:
- Agradeçamos ao Senhor! - Todos ajoelharam. Nunca TeDeum mais emocionante e mais sincero se elevou aos céus. É certo que não tinha a acompanhá-lo a música imponente do órgão, nem o toque dos sinos ou o troar do canhão; mas partia de corações puros.
- Só mais uma palavra - disse Jorge terminando com os agradecimentos. - Lembram-se do nosso bom pai Tomás?
Fez-lhes depois a rápida descrição da sua morte, e transmitiu a despedida que ele enviara a todos os habitantes da quinta.
E acrescentou:
- Foi sobre a sua campa, amigos, que jurei perante Deus nunca mais possuir um só escravo, enquanto pudesse libertá-lo... e que ninguém, por minha causa, correria o risco de ser arrancado ao seu lar e à família, para ir morrer, como ele morreu, numa plantação abandonada... Amigos, todas as vezes que sintam a alegria de serem livres, lembrem-se de que devem a liberdade a essa pobre e boa alma, e paguem a vossa dívida de ternura à mulher e aos filhos dele... Pensem na vossa liberdade cada vez que passarem pela cabana do pai Tomás; que ela vos recorde o exemplo que ele nos deu. Sigam-lhe as pisadas e, como ele, sejam honestos, fiéis e cristãos.
Fim”
Harriet Elizabeth Beecher Stowe, nascida Harriet Elizabeth Beecher (Litchfield, Connecticut, 14 de junho de 1811 — Hartford, 1 de julho de 1896) foi uma abolicionista e escritora norte-americana.
Autora de mais de dez livros, o mais famoso é o romance Uncle Tom's Cabin (“A Cabana do Pai Tomás”), primeiramente publicado em folhetim, entre 1851 e 1852. Quando ela se encontrou com o presidente Abraham Lincoln, este disse-lhe que fora ela quem com o seu livro “A Cabana do Pai Tomás” que suscitou a Guerra Civil Norte-America, que terminaria com a abolição da escravatura naquele imenso país.
E esta é a razão pela qual Harriet Beecher Stowe não queria ser aplaudida por ter escrito “A Cabana do Pai Tomás”. Dizia: “ ‘A cabana do Pai Tomás’? É obvio que não, não tive o controle da história; ela escreveu-se sozinha. O Senhor escreveu-a, e eu nada mais fui que um instrumento humilde nas Suas mãos. Tudo me chegou em visões, uma atrás da outra, e escrevi-as. A Ele somente seja dado todo o louvor!”
O ter em conta, constantemente, que não temos nada que não tenhamos recebido, liberta-nos de nos gabarmo-nos e de nos felicitarmo-nos, e leva-nos a dar glória a Deus por todo o bem que sejamos ou façamos.
Na minha humilde opinião aconselho a quem ainda não leu o livro “A Cabana do Pai Tomás”, que o faça. Quem o leu, não perderá nada em relê-lo.
Carlos António da Rocha
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