Comentário
Completo de Matthew Henry sobre a Bíblia
(Matthew Henry’s Complete Commentary on the Bible)
Génesis 3
Versículos 11-13
A Queda do Homem.
Aqui temos os criminosos (infratores, ofensores, aqueles que ofendem; transgressores, delinquentes,
autores de delito; pecadores) julgados (considerados) culpados, pela sua própria confissão, e ainda (assim)
esforçando-se para desculpar e atenuar a sua culpa (o seu pecado, a sua falta, o seu defeito; a culpa, a sua responsabilidade; o seu erro, o seu engano). Eles não
podiam confessar e justificar o que tinham feito, mas confessam-no e tentam
atenuá-lo. Observe,
I Como a confissão foi extorquida (arrancada) deles. Deus perguntou ao homem: Quem te mostrou que estavas nu? Gn 3:11. “Como tiveste consciência da (vieste a perceber a) tua nudez como sendo a tua vergonha?” Comeste tu da árvore proibida? Observe
que embora Deus conheça todos os nossos pecados, ainda assim Ele deseja
conhecê-los por nosso intermédio, e exige de nós uma sincera confissão deles,
não para que Ele possa ser informado, mas para que nós possamos ser humilhados.
Neste interrogatório, Deus lembra-o do mandamento que Ele lhe tinha dado: Eu
ordenei-te que não comesses dele, Eu, o teu Criador. Eu, o teu Senhor. Eu, o
teu benfeitor. Eu ordenei-te o contrário. O pecado parece mais claro, e mais
pecaminoso sob a lente do mandamento, portanto Deus aqui coloca-a diante de
Adão e, nela, nós deveríamos ver os nossos rostos. A pergunta feita à mulher
foi:
Por que fizeste isto? Gn 3:13. “Tu também reconheces a tua falta (culpa,
responsabilidade), e fazes confissão dela (confessa-la)?
E tu também reconheces em que (de que maneira) ela é uma coisa má? Observe que
isto interessa (relaciona-se com, diz respeito a) àqueles que comeram o fruto
proibido, e especialmente àqueles que levaram outros a comê-lo da mesma maneira
com o fim de (a fim de) considerar seriamente o que fizeram. Ao comer o fruto
proibido, nós ofendemos um Deus grandioso e gracioso, infringimos uma lei
justa, violamos um concerto sagrado e extremamente solene, e fizemos mal às
nossas próprias preciosas almas, perdendo o favor de Deus, expondo-nos à Sua
ira e maldição. Ao seduzir (levar, cativar; atrair) os outros a comê-lo, nós
fazemos a obra do diabo, tornamo-nos culpados dos pecados de outros homens,
contribuindo para a sua destruição (ruína; bancarrota, falência; perdição,
desgraça; causa de perdição ou de desgraça; decadência; desonra; degradação). Por que fizemos isto? [Que é isso que (temos feito) fizemos?]
II. Como o seu crime foi atenuado por eles, na sua confissão. Era
inútil declarar-se não
culpado (inocente).
A aparência das suas fisionomias (rostos, faces, feições, semblantes,
expressões) testificava contra eles, por isso eles tornaram-se os seus próprios
acusadores: “Eu comi”, diz o homem, “E eu também comi”, diz a mulher para que
quando Deus julgar, Ele domine (vença, subjugue). Mas estas não parecem
confissões penitentes, visto que, em vez de agravarem o pecado, e assumirem a
vergonha, eles procuram desculpar o pecado, tentando lançar a vergonha e a
culpa sobre outros. 1. Adão coloca toda a culpa sobre a sua esposa. “Ela deu-me
da árvore e forçou-me a comê-lo, o que eu fiz, só para lhe agradar, uma
desculpa frívola. Ele deveria tê-la ensinado, e não ter sido ensinado por ela,
e não é difícil determinar por quem ele deveria ter sido governado, pelo seu
Deus, ou pela sua esposa. Daqui aprendei a nunca serdes levados ao pecado por
aqueles que não vos livrarão do julgamento. Não cumpramos uma ordem que não nos
isentará do julgamento. Portanto, nunca sejamos dominados pela insistência (importunação)
para agir contra as nossas consciências, nem jamais (em qualquer ocasião,
alguma vez; nunca) desagrademos a Deus, nem mesmo para satisfazer (agradar; ser
agradável a; causar satisfação a) ao melhor amigo que tivermos no mundo. Mas
isto não é o pior. Ele não só coloca a culpa sobre a sua esposa, mas também a
expressa tão tacitamente que a lança sobre (censura) o próprio Deus: “Foi a
mulher que me deste por companheira e amiga. Ela deu-me da árvore, caso
contrário, eu não teria comido dela.” Assim, ele insinua que Deus foi cúmplice
do seu pecado: Ele deu-lhe a mulher, e ela deu-lhe o fruto, por conseguinte
parecia que ele o tinha tomado da própria mão de Deus. Observe que existe uma
estranha inclinação naqueles que são tentados, de dizer que são tentados por
Deus, como se os nossos maus usos dos dons de Deus pudessem desculpar a nossa
violação d(às) leis de Deus. Deus dá-nos riquezas, honras e relacionamentos,
para que possamos servi-Lo alegremente desfrutando de tudo isto. Mas, se nós
nos aproveitarmos de todos estes recursos para pecar contra Ele, em vez de
culpar a Providência por nos colocar em tal situação, devemos culpar-nos a nós
mesmos, por pervertermos os graciosos desígnios que a Providência tinha em
relação a eles. 2. Eva coloca toda a culpa sobre a serpente: A serpente me enganou. O pecado é como
uma criança problemática que ninguém deseja reconhecer, um sinal de que é uma
coisa escandalosa. Aqueles que estão suficientemente dispostos a receber o
prazer e o lucro do pecado são suficientemente tardios para assumir a culpa e a
vergonha dele. “A serpente, aquela criatura subtil da Tua criação, que Tu
permite que entrasse no paraíso e viesse até nós, ela enganou-me”, ou fez-me errar, porquanto os nossos
pecados são os nossos erros. Daqui, aprendamos: (1) Que as tentações de Satanás
são todas enganos (atraentes, encantadoras, maravilhosas, fascinantes,
arrebatadoras), os seus argumentos são todos falácias, e as suas atrações
(encantos, seduções) são todos trapaças (fraudes, logros, vigarices, intrujices,
enganos). Quando ele falar polidamente, não creia nele. O pecado engana-nos, e,
enganando-nos, nos ludibria (engana, intruja, vigariza). É pelo engano do
pecado que o coração se endurece. Veja Rm 7:11; Hb 3:13. (2) Que,
embora a subtileza de Satanás nos atraia (puxe; chame, mova, arraste) para o
pecado, ainda assim ela não nos justifica do pecado: embora ele seja o
tentador, nós somos os pecadores, e, na verdade, é a nossa própria
concupiscência que nos atrai e engoda, Tg 1:14. Portanto, que a nossa tristeza
e humilhação pelo pecado não diminuam porque fomos enganados para o cometer.
Mas, em vez disto, que aumente a nossa própria indignação porque nós permitimos
sermos enganados por um trapaceiro (intrujão; vigarista) conhecido, e um
inimigo declarado. Bem, isto é tudo o que os prisioneiros no tribunal têm a
dizer em sua defesa, tentando fazer com que a sentença não seja proferida, e a
execução levada a cabo, segundo a lei e isto tudo é quase nada, e, em alguns aspectos, pior do que nada.
http://www.studylight.org/commentaries/mhm/view.cgi?bk=0&ch=1
Tradução de Carlos
António da Rocha
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Esta tradução é de
livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque
já está traduzida no Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca
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