… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sábado, 18 de junho de 2016

O homem, uma nulidade


Uma oração puritana

O homem, uma nulidade

Ó, SENHOR,



Eu sou uma concha cheia de pó,

Porém, animado por uma invisível alma racional

E feito de novo por um oculto poder da graça;

Contudo, eu não sou um objecto raro, de alto valor,

Pelo contrário, sou alguém que não tem nada e não é nada,

Se bem que escolhido por Ti desde a eternidade,

Trazido a Cristo e gerado de novo;

Eu estou profundamente convencido

Do mal e da miséria de um estado pecaminoso,

Da vaidade das criaturas,

Mas, também, da suficiência de Cristo.

Embora Tu me guies, eu controlo-me a mim mesmo,

Embora Tu sejas soberano, eu governo-me a mim mesmo.

Embora Tu cuides de mim, eu basto-me a mim mesmo.

Embora eu deva depender das Tuas provisões, eu supro-me a mim mesmo.

Embora eu me deva submeter à Tua providência, eu sigo a minha vontade.

Embora eu deva estudar, amar, honrar, confiar em Ti, eu sirvo-me a mim mesmo.

Eu culpo e corrijo as Tuas leis para as adaptar a mim.

Em vez de confiar em Ti, eu procuro a aprovação do homem,

E eu sou por natureza um idólatra.

Senhor, o meu desejo principal é fazer regressar o meu coração a Ti.

Convence-me de que eu não posso ser o meu próprio deus,

Ou fazer-me a mim mesmo feliz,

Nem ser o meu próprio Cristo para restaurar a minha alegria,

Nem ser o meu próprio Espírito para me ensinar, me guiar e me governar.

Ajuda-me a compreender que a graça realiza isso através da aflição providencial,

Porque quando o meu crédito é o meu deus, tu me enfraqueces,

Quando as riquezas são os meus ídolos, tu as tornas em amargura.

Remove os meus olhos errantes, os meus ouvidos curiosos,

O meu apetite insaciável,

O meu coração lascivo.

Mostra-me que nenhuma dessas coisas

Pode curar uma consciência ferida,

Ou suportar um corpo cambaleante,

Ou sustentar um espírito que parte.

Então, leva-me à cruz e deixa-me lá.

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Tradução de Carlos António da Rocha

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Esta tradução é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está traduzida no Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicada nem utilizada para fins comerciais; seja utilizada exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

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