… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Génesis 1 - VERSÍCULOS 14-19 - A Criação



Comentário Completo de Matthew Henry sobre a Bíblia
(Matthew Henry’s Complete Commentary on the Bible)

Génesis 1


Versículos  14-19
A Criação


Esta é a história da obra do quarto dia, a criação do sol, da lua e das estrelas, que são aqui explicadas, não como eles são em si mesmos e na sua própria natureza, para satisfazer os curiosos, mas como são em relação a esta terra, à qual servem como luminares. E isto é suficiente para nos dar motivos de louvor e ações de graças. O livro de Job menciona isto como um exemplo do glorioso poder de Deus, que pelo Seu Espírito ornou os Céus (Jb 26:13). E aqui temos um relato deste ornamento que não é somente a beleza do mundo superior, mas da bênção deste mundo inferior. Porque, embora o céu seja elevado, ele tem respeito por esta terra. E, portanto, ele deve receber respeito dela. Da criação dos luminares do céu temos um relato:

I. Em geral, Gn 1:14, 15, onde temos: 1. A ordem dada relativamente a eles: Haja luminares na expansão dos céus. Deus havia dito, Haja luz (Gn 1:3), e houve luz. Mas esta era um caos de luz, pois era dispersa e confusa. Mas agora ela estava reunida e modelada, e transformada em vários luminares, e assim passou a ser mais gloriosa e útil. Deus é o Deus de ordem, e não de confusão. E, como Ele é luz, então Ele é o Pai e o formador dos luminares. Aqueles luminares deveriam estar no firmamento do céu, (ou, expansão dos céus), aquela vasta expansão que engloba a terra, e é visível a todos. Porque nenhum homem, quando acende uma candeia, a coloca debaixo da cama, mas no velador (Lc 8:16). E o firmamento do céu é um majestoso velador de ouro, a partir do qual estas candeias dão luz a todos os que estão na casa. É declarado do firmamento como tendo em si mesmo um resplandor próprio (Dn 12:3), mas isto não era suficiente para dar luz à terra. E, talvez, por esta razão não se fale expressamente da obra do segundo dia, no qual o firmamento foi feito, e que foi bom, porque, até ser adornado com estes luminares no quarto dia, este não se tinha tornado útil para o homem. 2. A utilidade que lhes foi designada para esta terra. (1) Eles devem ser para a distinção dos tempos, do dia e da noite, do verão e do inverno, que são alternados pelo movimento do sol que ao nascer faz o dia e, ao pôr-se, faz a noite, cuja aproximação em direção ao nosso trópico faz o verão, e o seu refluxo em relação ao outro tópico, faz o inverno. E assim, debaixo do sol há tempo para todo o propósito, Ec 3.1. (2) Eles devem ser para a orientação das ações. Eles são para sinais da mudança do tempo, para que o lavrador possa ordenar os seus assuntos com discernimento, prevendo, pela face do céu, quando as causas secundárias começam a trabalhar, se o tempo será bom ou tempestuoso, Mt 16:2, 3. Eles também iluminam a terra, para que possamos andar (Jo 11:9) e trabalhar (Jo 9:4), de acordo com o dever que cada dia exige. Os luminares do céu não brilham para si mesmos, nem para o mundo dos espíritos no céu, que não precisam deles. Mas eles brilham para nós, para o nosso prazer e benefício. Senhor, o que é o homem, para que ele seja assim considerado! Sl 8:3, 4. Como somos ingratos e inescusáveis, sabendo que Deus colocou estes luminares para que por meio deles pudéssemos trabalhar, dormíssemos, brincássemos, ou desperdiçássemos o tempo em que poderíamos estar desenvolvendo alguma atividade, e até mesmo negligenciamos a grande obra para a qual fomos enviados ao mundo! Os luminares do céu são feitos para nos servir, e eles fazem-no fielmente, e brilham na sua estação, sem falhar. Nós, porém, somos colocados como luminares neste mundo para servir a Deus. Mas será que correspondemos da mesma maneira à finalidade para a qual fomos criados? Não, nós não o fazemos, a nossa luz não brilha diante de Deus como os Seus luminares brilham diante de nós, Mt 5:14. Nós queimamos as candeias do nosso Mestre, mas não nos importamos com a obra do nosso Mestre.

II. Em particular, Gn 1: 16-18.

1. Observe que os luminares do céu são o sol, a lua e as estrelas. E todos eles são obra das mãos de Deus. (1) O sol é o maior de todos os luminares, mais de um milhão de vezes maior do que a terra, e o mais glorioso e útil de todos os luminares do céu, um exemplo extraordinário da sabedoria, poder e bondade do Criador, e uma bênção valiosa para as criaturas deste mundo inferior. Que aprendamos com o Sl 19:1-6 como devemos dar a Deus a glória devida ao Seu precioso nome, como o Criador do sol. (2) A lua é um luminar menor, contudo é aqui considerada um dos maiores luminares, porque embora em relação à sua magnitude e luz emprestada seja inferior a muitas das estrelas, mas pela virtude da sua função, como governante da noite, e em respeito à sua utilidade para com a terra, ela é mais excelente do que as estrelas. Estas são muito valiosas por serem muito úteis. E são os maiores luminares. Não que tenham os melhores dons, mas porque humildemente fazem o melhor com eles. Todo aquele que quiser entre vós fazer-se grande, seja vosso serviçal, Mt 20.26. (3) Ele também fez as estrelas, que são aqui mencionadas como parecendo olhos vulgares, sem distinguir entre os planetas e as estrelas fixas, ou explicar o seu número, natureza, lugar, magnitude, movimentos, ou influências. Porque as escrituras foram escritas, não para satisfazer a nossa curiosidade e fazer-nos astrónomos, mas para nos levar a Deus, e fazer-nos santos. Agora é dito que estes luminares governam (Gn 1:16, 18). Não que elas tenham um domínio supremo, como Deus tem, mas elas são vice-governadoras, elas governam sujeitas ao Senhor. Aqui se diz que o luminar menor, a lua, governa a noite. Mas no Sl 136:9 as estrelas são mencionadas como participantes deste governo. A lua e as estrelas para presidirem à noite. Nenhum outro propósito é apresentado além de elas darem luz, Jr 31:35. O melhor e mais honrado modo de governar é dando luz e fazendo o bem. Estes astros merecem respeito por viverem uma vida útil, brilhando como luminares.

2. Aprendemos com tudo isto: (1) O pecado e a loucura da antiga idolatria, a adoração ao sol, à lua e às estrelas, que, pensam alguns, surgiu, ou pelo menos parece que surgiu, de algumas tradições corrompidas na era patriarcal a respeito do governo e domínio dos luminares do céu. Mas o relato dado aqui a respeito deles mostra claramente que eles são tanto criaturas de Deus quanto servos do homem. E, portanto, é uma grande afronta para com Deus e um grande opróbrio para nós mesmos fazer deles divindades e dar-lhes honras divinas. Veja Dt 4:19. (2) O dever e a sabedoria de adorar diariamente ao Senhor Deus que fez todas estas coisas, e as fez para que sejam para nós aquilo que elas são. As revoluções do dia e da noite obrigam-nos a oferecer solene sacrifício de oração e louvor, cada manhã e cada noite.

http://www.studylight.org/commentaries/mhm/view.cgi?bk=0&ch=1



Tradução de Carlos António da Rocha

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