Comentário
Completo de Matthew Henry sobre a Bíblia
(Matthew Henry’s Complete Commentary on the Bible)
Génesis 1
Versículos
14-19
A Criação
Esta
é a história da obra do quarto dia, a criação do sol, da lua e das estrelas,
que são aqui explicadas, não como eles são em si mesmos e na sua própria
natureza, para satisfazer os curiosos, mas como são em relação a esta terra, à
qual servem como luminares. E isto é suficiente para nos dar motivos de louvor
e ações de graças. O livro de Job menciona isto como um exemplo do glorioso
poder de Deus, que pelo
Seu Espírito ornou os Céus (Jb
26:13). E aqui temos um relato deste ornamento que não é somente a beleza do
mundo superior, mas da bênção deste mundo inferior. Porque, embora o céu seja
elevado, ele tem respeito por esta terra. E, portanto, ele deve receber
respeito dela. Da criação dos luminares do céu temos um relato:
I. Em geral, Gn
1:14, 15, onde temos: 1. A ordem dada relativamente a
eles: Haja luminares
na expansão dos céus. Deus havia dito, Haja luz (Gn 1:3), e houve luz. Mas
esta era um caos de luz, pois era dispersa e confusa. Mas agora ela estava
reunida e modelada, e transformada em vários luminares, e assim passou a ser
mais gloriosa e útil. Deus é o Deus de ordem, e não de confusão. E, como Ele é
luz, então Ele é o Pai e o formador dos luminares. Aqueles luminares deveriam
estar no firmamento do céu, (ou, expansão dos céus),
aquela vasta expansão que engloba a terra, e é visível a todos. Porque nenhum homem, quando acende uma candeia, a
coloca debaixo da cama, mas no velador (Lc 8:16). E o firmamento do céu é
um majestoso velador de ouro, a partir do qual estas candeias dão luz a todos os que estão na casa. É
declarado do firmamento como tendo em si mesmo um resplandor
próprio (Dn 12:3), mas isto não era suficiente para dar luz à terra. E, talvez,
por esta razão não se fale expressamente da obra do segundo dia, no qual o
firmamento foi feito, e que foi bom, porque, até ser adornado com estes
luminares no quarto dia, este não se tinha tornado útil para o homem. 2. A
utilidade que lhes foi designada para esta terra. (1) Eles devem ser para a
distinção dos tempos, do dia e da noite, do verão e do inverno, que são
alternados pelo movimento do sol que ao nascer faz o dia e, ao pôr-se, faz a
noite, cuja aproximação em direção ao nosso trópico faz o verão, e o seu
refluxo em relação ao outro tópico, faz o inverno. E assim, debaixo do sol há tempo para todo o
propósito, Ec 3.1. (2) Eles devem ser para a orientação das ações. Eles são
para sinais da mudança do tempo, para que o lavrador possa ordenar os seus
assuntos com discernimento, prevendo, pela face do céu, quando as causas
secundárias começam a trabalhar, se o tempo será bom ou tempestuoso, Mt 16:2,
3. Eles também iluminam a terra, para
que possamos andar (Jo 11:9) e trabalhar (Jo 9:4), de acordo com o
dever que cada dia exige. Os luminares do céu não brilham para si mesmos, nem
para o mundo dos espíritos no céu, que não precisam deles. Mas eles brilham
para nós, para o nosso prazer e benefício. Senhor, o que é o homem, para que
ele seja assim considerado! Sl 8:3, 4. Como somos ingratos e inescusáveis,
sabendo que Deus colocou estes luminares para que por meio deles pudéssemos
trabalhar, dormíssemos, brincássemos, ou desperdiçássemos o tempo em que
poderíamos estar desenvolvendo alguma atividade, e até mesmo negligenciamos a
grande obra para a qual fomos enviados ao mundo! Os luminares do céu são feitos
para nos servir, e eles fazem-no fielmente, e brilham na sua estação, sem
falhar. Nós, porém, somos colocados como luminares neste mundo para servir a
Deus. Mas será que correspondemos da mesma maneira à finalidade para a qual
fomos criados? Não, nós não o fazemos, a nossa luz não brilha diante de Deus
como os Seus luminares brilham diante de nós, Mt 5:14. Nós queimamos as
candeias do nosso Mestre, mas não nos importamos com a obra do nosso Mestre.
II. Em particular, Gn 1: 16-18.
1.
Observe que os luminares do céu são o sol, a lua e as estrelas. E todos eles
são obra das mãos de Deus. (1) O sol é o maior de todos os luminares, mais de
um milhão de vezes maior do que a terra, e o mais glorioso e útil de todos os
luminares do céu, um exemplo extraordinário da sabedoria, poder e bondade do
Criador, e uma bênção valiosa para as criaturas deste mundo inferior. Que aprendamos
com o Sl 19:1-6 como devemos dar a Deus a glória devida ao Seu precioso nome,
como o Criador do sol. (2) A lua é um luminar menor, contudo é aqui considerada
um dos maiores luminares, porque embora em relação à sua magnitude e luz
emprestada seja inferior a muitas das estrelas, mas pela virtude da sua função,
como governante da noite, e em respeito à sua utilidade para com a terra, ela é
mais excelente do que as estrelas. Estas são muito valiosas por serem muito
úteis. E são os maiores luminares. Não que tenham os melhores dons, mas porque
humildemente fazem o melhor com eles. Todo aquele que quiser entre vós fazer-se grande, seja vosso serviçal,
Mt 20.26. (3) Ele também fez as estrelas,
que são aqui mencionadas como parecendo olhos vulgares, sem distinguir entre os
planetas e as estrelas fixas, ou explicar o seu número, natureza, lugar,
magnitude, movimentos, ou influências. Porque as escrituras foram escritas, não
para satisfazer a nossa curiosidade e fazer-nos astrónomos, mas para nos levar
a Deus, e fazer-nos santos. Agora é dito que estes luminares governam (Gn 1:16,
18). Não que elas tenham um domínio supremo, como Deus tem, mas elas são
vice-governadoras, elas governam sujeitas ao Senhor. Aqui se diz que o luminar
menor, a lua, governa a noite. Mas no
Sl 136:9 as estrelas são mencionadas como participantes deste governo. A lua e as estrelas para
presidirem à noite. Nenhum
outro propósito é apresentado além de elas darem
luz, Jr 31:35. O melhor e mais honrado modo de governar é dando luz e
fazendo o bem. Estes astros merecem respeito por viverem uma vida útil,
brilhando como luminares.
2.
Aprendemos com tudo isto: (1) O pecado e a loucura da antiga idolatria, a
adoração ao sol, à lua e às estrelas, que, pensam alguns, surgiu, ou pelo menos
parece que surgiu, de algumas tradições corrompidas na era patriarcal a
respeito do governo e domínio dos luminares do céu. Mas o relato dado aqui a
respeito deles mostra claramente que eles são tanto criaturas de Deus quanto
servos do homem. E, portanto, é uma grande afronta para com Deus e um grande
opróbrio para nós mesmos fazer deles divindades
e dar-lhes honras divinas. Veja Dt 4:19. (2) O dever e a sabedoria de adorar
diariamente ao Senhor Deus que fez todas estas coisas, e as fez para que sejam
para nós aquilo que elas são. As revoluções do
dia e da noite obrigam-nos a oferecer solene sacrifício de oração e louvor,
cada manhã e cada noite.
http://www.studylight.org/commentaries/mhm/view.cgi?bk=0&ch=1
Tradução de Carlos
António da Rocha
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Esta tradução é de
livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque
já está traduzida no Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca
publicada nem utilizada para fins comerciais; seja utilizada exclusivamente
para uso e desfruto pessoal.
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