C.
H. Mackintosh
Breves Meditações
17 - O matrimónio (Resposta a uma
carta)
Não nos sentimos com liberdade para oferecer-lhe qualquer conselho em relação à sua situação. Você deve recorrer somente a Deus. Cada um deve aprender por si mesmo, em comunhão com Deus, qual é seu próprio caminho neste solene assunto. Temos verificado, sempre, que aqueles que foram os mais apressados para oferecer conselhos, eram os mais incompetentes para dá-los; enquanto que, aqueles cujo conselho merecia ser tomado em conta, foram os mais demorados a dá-lo. Não presuma, querido amigo, que somos indiferentes aos seus exercícios; ao contrário, condoemo-nos profundamente deles; mas nós cremos que você deve pedir conselho a Deus. 1Co 7:32-34 ensina, muito certamente, que os solteiros são os que mais liberdade têm dos cuidados; mas o versículo 7 (1Co 7:7) ensina com claridade que “cada um tem o seu próprio dom de Deus”; e cada um deve saber, por si mesmo, qual é seu próprio dom. Uma coisa é dizer: «Siga o exemplo de Paulo», e outra é ter «o dom próprio» para fazê-lo. É um engano fatal que alguém aparente andar numa senda para a qual Deus não lhe deu nenhuma chamada nem o dotou de poder espiritual.
Devemos recordar, nestes dias de ritualismo (1) e de renovado monasticismo (2) , que o matrimónio é uma instituição santa e honrosa, estabelecido por Deus no jardim do Éden; aprovado pela Sua presença em Caná da Galileia e declarado ser honroso em tudo, pelo Seu Espírito, em Hb 13:4 (3) . Isto é suficiente quanto ao princípio geral; mas, quando consideramos os casos individuais, cada um deve ser guiado por Deus. A Ele o encomendamos a si, muito afectuosamente.
Não podemos compreender, como alguém, que se chame a si mesmo «cristão» pode atrever-se a falar, nos termos em que você descreve, da santa e honrosa instituição do matrimónio. Tampouco, podemos entender por que você teve que buscar uma opinião humana sobre o tema, estando Hb 13:4(4) brilhando diante de si, por um lado, e 1Tm 4:1-4 , pelo outro. Oh! quando aprenderão as pessoas a abrir a sua Bíblia e a inclinar-se ante a sua santa autoridade em todas as coisas? Detestamos absolutamente essa fictícia espiritualidade, beatice e transcendentalismo que salta à vista nas notas em que você chama a nossa atenção. A nós, parece-nos que se trata simplesmente de santidade na carne, o que sabemos que é uma das habilidosas tretas de Satanás. O matrimónio foi instituído pelo Senhor Deus no jardim do Éden. Foi ratificado pela presença de Cristo em Caná da Galileia. O Espírito Santo declara em Hebreus 13 que é honroso. A proibição do matrimónio é declarada doutrina de demónios em 1.ª Timóteo 4. Isto é plenamente suficiente para nós, por mais que os pios sentimentalistas e hiper-espiritualistas digam o que lhes agrade.
Deve ser absolutamente uma questão de fé individual. Você deve andar diante de Deus; mas procure andar em feliz e benigna comunhão. Vocês os dois, juntos, deveriam esperar em Deus e procurar ser de um mesmo pensamento no Senhor. Este é vosso feliz privilégio. Não há nada mais importante para os esposos que cultivar juntos o hábito diário de esperar no Senhor. Isso produz um maravilhoso efeito em todo o âmbito da vida doméstica. Ponham tudo diante de Deus, derramem os vossos corações juntos; não tenham segredos, nem nenhuma reservas. Então, os vossos corações estarão unidos em santo amor, e a corrente da vossa vida pessoal, conjugal e doméstica fluirá em paz e felicidade, para louvor d’Aquele que os tem feito um e vos chamou a andar juntos como herdeiros da graça da vida.
Já temos alçado uma voz de advertência contra o terrível mal dos matrimónios mistos [isto é, a união de um crente com um inconverso(6) ] e temos dado um exemplo muito solene das suas consequências. Cremos que é um passo fatal que um crente se case com um inconverso, e uma triste prova de que o coração se apartou do Senhor e de que a consciência escapou da influência da luz e da autoridade da Palavra de Deus. É surpreendente como o diabo consegue lançar pó aos olhos das pessoas neste assunto. Ele induz os crentes a crer que serão uma bênção para o cônjuge inconverso. Que lamentável engano! Como podemos esperar bênção sobre um flagrante acto de desobediência? Como posso eu, seguindo um mau caminho, pretender nele corrigir a outro? Mas acontece —e não infrequentemente— que um crente, quando se empenha em casar-se com um incrédulo, engana-se a si próprio mediante a convicção de que é convertido. Estes crentes aparentam estar satisfeitos com provas de conversão que, sob outras circunstâncias, deixariam inteiramente de inspirar-lhes confiança. Nestes casos, o que governa é sua própria vontade. Eles estão decididos a seguir o seu próprio caminho, e então, quando já é demasiado tarde, dão-se conta de seu terrível engano.
A respeito da sua pergunta acerca de como devemos actuar com as pessoas que incorrem nesta transgressão, não conhecemos nenhuma instrução directa que conste no Novo Testamento. Com toda a segurança, terá de haver uma solene repreensão e uma fiel reprovação; mas cremos que se trata de algo que, pelo contrário, pertence ao trabalho pastoral e à disciplina pessoal, do que à disciplina da assembleia.
Sobre o triste caso que você menciona, não cremos que esteja bem que um filho «tente e administre uma reconciliação» entre os seus pais. Se o marido deseja retornar, a esposa deverá recebê-lo. Cremos que isto se conclui claramente de 1Co 7:13. “E se uma mulher tem marido que não seja crente, e ele consente em viver com ela, não o abandone”. Se ele deseja retornar, isso equivale a “consentir em viver com ela”; e se a ela se lhe diz que “não o abandone”, isso equivale a recebê-lo. Ao menos, assim o julgamos nós. Pode ser que o Senhor esteja para levar aos seus pés o marido; e, se for assim, seria muito triste que uma esposa crente resultasse ser uma pedra de tropeço por falta de graça. Sem dúvida, o marido faltou grandemente aos seus deveres como marido ao abandonar a sua mulher, até se não houvesse nada mais sério; mas se ele realmente deseja voltar — além de qualquer manipulação ou influência externas —, não podemos senão considerar que é dever de toda esposa cristã recebê-lo e procurar, mediante a sua “conduta casta e respeitosa” (1Pe 3:2 [7]), ganhá-lo para Cristo. Se ela se opuser, e ele fosse empurrado para o pecado ou para o endurecimento do seu coração, então ela, a si mesma, nunca se perdoaria(8).
Notas do Tradutor:
(1) conjunto dos ritos de uma igreja; apego às cerimónias; prática seguida em dado rito.(De ritual + -ismo)
(2) relativo aos monges; conventual.(Do gr. monastikós, «solitário; monástico», pelo lat. monastîcu-, «id.»)
(3) “Venerado seja entre todos o matrimónio e o leito sem mácula; porém, aos que se dão à prostituição, e aos adúlteros, Deus os julgará.” (Hb 13:4, ARC, Pt)
(4) “Venerado seja entre todos o matrimónio e o leito sem mácula; porém, aos que se dão à prostituição, e aos adúlteros, Deus os julgará.” (Hb 13:4 , ARC, Pt)
(5) “Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demónios; Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência; Proibindo o casamento, e ordenando a abstinência dos alimentos que Deus criou para os fiéis, e para os que conhecem a verdade, a fim de usarem deles com acções de graças; Porque toda a criatura de Deus é boa, e não há nada que rejeitar, sendo recebido com ações de graças.” (1Tm 4:1-4 , ARC, Pt)
(6) o m. q. inconvertido
(7) “Considerando vuestra conducta casta y respetuosa.” (1Pe 3:2 RV60) “Considerando a vossa vida casta, em temor.” (1Pe 3:2, ARC, Pt)
(8) Artigo n.º 36 (Correspondência)
http://www.verdadespreciosas.com.ar/index.html
Tradução de Carlos António da Rocha
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