Comentário
Completo de Matthew Henry sobre a Bíblia
(Matthew Henry’s Complete Commentary on the Bible)
Génesis 2
VERSÍCULOS 16-17
A Árvore do Conhecimento É Proibida
Observe aqui:
I.
A autoridade de Deus
sobre o homem, como uma criatura que tinha razão e liberdade de decisão. O
Senhor Deus ordenava que o homem, que agora era uma pessoa pública, o pai e
representante de toda a humanidade, recebesse a lei, assim como tinha recebido
uma natureza recentemente, para si mesmo e para todos os seus. Deus ordenava a
todas as criaturas, de acordo com a sua capacidade. O curso definido da
natureza é uma lei, Sl 148:6; 104:9. As criaturas irracionais têm os seus respetivos
instintos mas o homem foi criado capaz de desempenhar um serviço racional, e,
portanto recebeu, não somente as ordens de um Criador, mas as ordens de um
Príncipe e de um Mestre. Embora Adão fosse um grande homem, um homem muito bom
e um homem muito feliz, ainda assim o Senhor Deus lhe deu ordens. E o
mandamento não representou nenhuma depreciação da sua grandeza, nem censura da
sua bondade, nem tão-pouco alguma diminuição a toda a sua felicidade. Devemos
reconhecer o direito que Deus tem de nos governar, e de as nossas próprias
obrigações serem governadas por Ele. E, de nunca
permitir que alguma nossa vontade própria entre em contradição ou em competição
com a santa vontade de Deus.
II. A declaração particular desta autoridade, ao
prescrever para o homem o que ele deveria fazer, e em que termos deveria estar
com o seu Criador. Aqui está (temos):
1. Uma confirmação da sua atual felicidade, com a concessão: De toda árvore
do jardim comerás livremente. Isto era não apenas uma concessão de liberdade para ele, colhendo
os deliciosos frutos do paraíso como recompensa pelos seus cuidados e esforços
de o lavrar e de o cuidar (1Co 9:7, 10), mas era, igualmente, uma garantia de
vida para ele, vida imortal, em consequência da sua obediência. Pois, estando a
árvore da vida colocada no meio do
jardim (Gn 2:9), como o coração e alma dele, sem dúvida, Deus
tinha-a em vista, especialmente, com esta concessão. E, por esse motivo,
quando, em consequência da sua insurreição, esta concessão é cancelada, não
tomamos conhecimento de alguma outra árvore do jardim lhe ser proibida a ele,
exceto a árvore da vida (Gn 3:22), da qual está escrito que ele poderia ter
comido e vivido eternamente, isto é,
nunca ter morrido, nem jamais perdido a sua felicidade. “Continua santo como és
(estás), em conformidade com a vontade do teu Criador, e continuarás feliz como és (estás), desfrutando do favor
do teu Criador, ou neste paraíso ou noutro melhor.” Assim, em consequência da
condição de perfeita obediência pessoal e perpétua, Adão teria assegurado para
si mesmo e para os seus herdeiros o paraíso, para sempre.
2. Uma prova da sua obediência, sob
pena da perda de toda a sua felicidade: “Mas da outra árvore, que estava muito perto
da árvore da vida (pois está escrito que ambas estão no meio do jardim), e que é chamada a árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás;
porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás”, como se Ele tivesse dito: “Sabe, Adão, que tu agora dependes do teu
próprio bom comportamento, tu foste colocado no paraíso à experiência. Sê
vigilante (cumpridor, obediente; atento; observador), sê obediente, e viverás
para sempre. Caso contrário, tu serás tão extremamente infeliz (desgraçado; miserável; desprezível) como agora és feliz.” Aqui:
(1) Adão é ameaçado com a morte, em caso de
desobediência: “Certamente morrerás”, o que denota uma sentença certa e
terrível, da mesma forma como na primeira parte desta aliança, “Comerás” indica
uma concessão livre e plena. Observe que: [1] Até mesmo Adão, em inocência, foi
intimidado com uma ameaça. O medo é um dos instrumentos da alma, pelo qual ela
é dominada e controlada. Se até ele, então, precisou desta barreira, muito mais
precisamos nós, agora. [2] O castigo contido na ameaça é a morte: Tu morrerás, isto é: “A árvore da vida ser-te-á
proibida, e todo o bem que ela representa, com toda a felicidade que tu tens,
quer em posses quer em expectativas. E tu ficarás sujeito à morte, e a todas as
misérias que a precedem e a acompanham. [3] Isto foi ameaçado como a
consequência imediata do pecado: No dia
em que dela comeres, certamente morrerás, isto é: “Tu tornar-te-ás mortal,
e passível de morrer. A concessão da imortalidade será revogada, e aquela
defesa será removida de ti. Tu tornar-te-ás obnóxio à morte, como um malfeitor
condenado que está morto na lei” (Adão só recebeu um indulto porque deveria ser
a raiz da humanidade). “Na verdade, os arautos e precursores da morte
imediatamente te dominarão, e a tua vida, daí em diante, será uma vida
agonizante: e isto, certamente; é uma regra estabelecida (definida), a alma que
pecar, essa morrerá.”
(2) Adão é tentado com um mandamento positivo: não comer o fruto da árvore da ciência. Agora, era muito
adequado fazer uma prova da sua obediência com um mandamento como este: [1]
Porque a razão deste mandamento é originado simplesmente da vontade do
Legislador. Adão tinha, na sua natureza, uma aversão àquilo que era mau em si
mesmo, e, portanto, ele só era julgado (tentado; provado; pôr à prova; atormentar, afligir, submeter a
provação) em algo que era mau porque era proibido. E, sendo uma coisa pequena,
era mais adequada para testar a sua obediência. [2] Porque esta restrição está
colocada sobre os desejos da carne e da mente, que, na natureza corrupta do
homem, são as duas grandes fontes de pecado. Esta proibição verificava (controlava) tanto o seu apetite com respeito
a deleites sensoriais quanto a respeito da sua ambição de conhecimento curioso,
afim de que o seu corpo pudesse ser governado pela sua alma, e a sua alma, pelo
seu Deus.
O homem tinha toda esta tranquilidade e
felicidade no estado de inocência, tendo tudo o que o coração pudesse desejar
para assim o ser (para se tornar tranquilo e feliz). Como Deus foi bom para
ele! Quantos favores Ele acumulou sobre ele (o homem)! Como eram fáceis as
regras que Ele lhe deu! Como era generoso o concerto que Ele fez com o homem!
Ainda assim, o homem, uma criatura com honra, não compreendeu o seu próprio
interesse, mas logo se tornou como os animais que perecem.
http://www.studylight.org/commentaries/mhm/view.cgi?bk=0&ch=1
Tradução de Carlos
António da Rocha
****
Esta tradução é de
livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque
já está traduzida no Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca
publicada nem utilizada para fins comerciais; seja utilizada exclusivamente
para uso e desfruto pessoal.
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