Comentário
Completo de Matthew Henry sobre a Bíblia
(Matthew Henry’s Complete Commentary on the Bible)
Génesis 2
VERSÍCULOS 21-25
A Formação de Eva. A instituição do Casamento
Aqui temos: I. A criação
da mulher, para ser uma adjutora para Adão. Isto foi feito no sexto dia, como
também a colocação de Adão no paraíso, embora aqui isto seja mencionado depois
de uma explicação do descanso do sétimo dia. Mas aquilo que está escrito de
modo geral (Gn 1:27), que Deus criou macho e fêmea, aqui é relatado de maneira
mais específica. Observe: 1. Que primeiro foi formado Adão, depois Eva (1Tm
2:13), e ela foi criada do homem, e para o homem (1Co 11:8, 9), coisas que são
mencionadas aqui como razões para a humildade, a modéstia, o silêncio e a
submissão, daquele sexo de maneira geral, e particularmente a sujeição e a
reverência que as esposas devem aos seus próprios maridos. Mas, tendo o homem
sido criado depois das criaturas, como o melhor e mais excelente de todas, Eva,
tendo sido criada depois dele, e a partir dele, atribui uma honra ao sexo
feminino, equivalente à glória do homem, 1Co 11:7. Se o homem é a cabeça, ela é
a coroa, uma coroa para o seu marido, a coroa da criação visível. O homem era o
pó refinado, mas a mulher era o pó duplamente refinado, alguém ainda mais
distante do pó. 2. Que Adão dormiu(a) enquanto a sua esposa era criada, para
que não houvesse ensejo (lugar,) para imaginar que ele teria dirigido o Espírito do Senhor, ou sido Seu conselheiro, Is 40:13. Ele tinha
percebido a falta que lhe fazia uma adjutora, porém, como Deus Se comprometeu
(tomou a Seu cargo, Se ocupou de) de dar-lhe (fornecer, prover,) uma, Adão não
se aflige com nenhuma preocupação a este propósito, mas deita-se e adormece
docemente, como alguém que lançou todas as suas preocupações (cuidados) em
(sobre, em cima de) Deus, com uma resignação satisfeita (bem-disposta, alegre,
animada) em si mesmo e todos os seus assuntos entregues à vontade e à sabedoria
do seu Criador. Jehovah-jireh, (o Senhor proverá), que o Senhor proveja quando e a quem
(para quem) Ele queira (Lhe apraze). Se nós descansarmos graciosamente em Deus,
Deus irá graciosamente trabalhar por (para) nós, e fazer tudo para
o nosso bem. 3. Que Deus fez cair um sono
sobre Adão, e este foi um sono pesado, de modo que a abertura do seu lado
não lhe causasse sofrimento. Enquanto ele não conhece o pecado, Deus tomará
cuidado para que ele não sinta dor. Quando Deus, pela Sua providência, faz ao
Seu povo o que é doloroso para a carne e o sangue Ele não apenas procura
a sua felicidade neste assunto, mas, pela Sua graça, Ele pode acalmar e compor
os seus espíritos de tal forma a tranquilizá-los sob as operações mais
aflitivas. 4. Que a mulher foi feita de
uma costela do lado de Adão, não da sua cabeça para o dominar, nem dos seus
pés para ser pisada por ele, mas do seu lado para ser igual a ele, e de debaixo
do seu braço para ser protegida, e de perto do seu coração, para ser amada.
Adão perdeu uma costela, e sem nenhuma redução da sua força ou beleza [pois,
sem dúvida, a carne foi fechada sem (nenh)uma cicatriz)]. Porém, no lugar (em
vez) disso (da costela), ele recebeu uma adjutora para si, o que compensou
abundantemente a sua perda: aquilo que Deus (tira) remove do Seu povo, Ele irá,
de uma maneira ou de outra, retribuir com vantagem. Nisto (como em muitas
outras coisas) Adão era uma figura dAquele que haveria de vir porquanto do lado
de Cristo, o segundo Adão, a Sua esposa, a igreja foi formada, quando Ele
dormiu o sono, o profundo sono, da morte sobre a cruz, para (com o fim de) que
o Seu lado fosse aberto, e dali saíssem água e sangue, sangue para resgatar a
Sua igreja e água para a purificar para Si mesmo. Veja Ef 5:25, 26.
II.
O
casamento da mulher com Adão. O casamento é honroso, mas este certamente foi o
casamento mais honroso que já houve, no qual o próprio Deus ajudou durante todo
o tempo. Os casamentos (segundo dizem) são feitos no céu: nós temos certeza de
que este o foi pois o homem, a mulher, o encontro, tudo foi obra de Deus. Ele,
pelo Seu poder, criou-os a ambos, e
agora, pela Sua ordenança, fê-los um só. Este foi um casamento feito em
perfeita inocência, e nunca houve nenhum outro casamento como este, desde
então, já que, 1. Deus, como seu Pai,
trouxe a mulher ao homem, como seu segundo ser, e como adjutora para ele.
Depois de criá-la, Ele não a deixou à sua própria disposição. Não, ela era Sua
filha, e não devia casar-se sem o Seu consentimento. Aqueles que têm mais
probabilidades de se casar, para o seu conforto (consolo, comodidade,
bem-estar), são aqueles que pela fé e oração, e com uma dependência humilde da
providência, se colocam sob uma conduta que esteja de acordo com o padrão
divino. Esta esposa que é criação de Deus, por graça especial, e que foi
trazida por Deus, por divina providência, provavelmente provará ser uma
adjutora para o homem. 2. De Deus, como seu
Pai, Adão recebeu-a (Gn:2:23): “Esta é
agora osso dos meus ossos.” Agora eu tenho o que me faltava, e nenhuma de
entre todas as criaturas me pôde fornecer uma adjutora para mim.” Os dons de
Deus para nós devem ser recebidos com um reconhecimento agradecido e humilde da
Sua sabedoria, ao adequá-los para nós, e do Seu favor, ao concedê-los a nós.
Provavelmente foi relevado a Adão, numa visão, enquanto dormia, que esta
adorável criatura, agora apresentada a ele, era uma parte de si mesmo, e
deveria ser a sua companheira e a esposa da sua aliança. Por isso, alguns têm
buscado um argumento para provar que os santos, no paraíso celestial,
reconhecer-se-ão uns aos outros. Além disso, em sinal (como prova) da sua
aceitação (boa acolhida; aprovação) dela (para com ela), ele (Adão) deu-lhe um
nome, não peculiar a ela, porém comum ao seu sexo: Esta será chamada varoa, Isha, um ser humano do sexo feminino, diferente do homem apenas no sexo (isto
é, em termos físicos e psicológicos), porém não em natureza. Ela foi feita do
homem e deve estar unida ao homem.
III.
A
instituição da ordenança do casamento, e o estabelecimento da sua lei, Gn 2:24.
O sábado (dia de repouso) e o casamento foram duas ordenanças instituídas na
fase da inocência. A primeira para a preservação da igreja. A segunda para a
preservação do mundo da humanidade. Parece (por Mt 19:4, 5) que foi o próprio
Deus quem disse aqui: “Um homem deve deixar todas as suas relações, para se
unir à sua mulher.” Porém, não se sabe ao certo se Ele disse isto por
intermédio de Moisés, que foi o escritor, ou de Adão (que falou, Gn 2:23). Aparentemente, elas são palavras de Adão, em
nome de Deus, estabelecendo esta lei para toda a sua posteridade. 1. Veja aqui
como é grande o poder de uma ordenança divina. Os seus laços são ainda mais
fortes do que os da natureza. A quem estaremos mais firmemente unidos, do que
aos pais que nos geraram, e às mães que nos deram à luz? Ainda assim, o filho
deve deixá-los, para se unir à sua esposa, e a filha deve esquecê-los, para se
unir ao seu marido, Sl 45:10, 11. 2. Veja como é necessário que os filhos
tenham o consentimento dos pais no seu casamento, e como são injustos com os seus
pais, além de desobedientes (irresponsáveis, que não cumprem seu dever,
irreverentes) aqueles que se casam sem tal consentimento. Pois estes filhos
roubam-lhes o seu direito e o seu interesse neles, e transferem-no para outra
pessoa fraudulentamente e de modo antinatural. 3. Veja que necessidade há não
só de prudência mas também de oração na escolha deste relacionamento, que é tão
próximo e tão duradouro. Deve ser bem feito aquilo que é feito para toda a
vida. 4. Veja como é firme o laço (vínculo) do casamento, que não deve ser
dividido ou enfraquecido, por ter muitas esposas (Ml 2.15), nem deve ser
quebrado (rompido) ou cortado (arrancado) pelo divórcio, por qualquer causa,
exceto por fornicação ou abandono voluntário. 5. Veja quão terno deve ser o
afeto entre marido e mulher, tal como o que temos pelos nossos próprios corpos,
Ef 5:28. Estas duas pessoas são uma só carne, então, que sejam uma só alma.
IV.
Uma evidência da pureza e da inocência daquele
estado no qual os nossos primeiros pais foram criados, Gn 2:25. Ambos estavam
nus. Eles não precisavam de roupas para a sua defesa contra o frio e o calor,
pois nem sequer eles lhes poderiam fazer mal. Eles não precisavam de nada para
enfeite. Salomão, em toda a sua glória, não se vestiu como um deles. Eles
também não precisavam de nada por causa da decência. Eles estavam nus, e não
tinham nenhuma razão para se envergonhar. Eles
não sabiam o que era a vergonha, diz a versão dos caldeus. Enrubescer agora
mostra a cor da virtude, porém não era, naquela ocasião, a cor da inocência.
Aqueles que não tinham nenhum pecado na sua consciência podiam com razão não
ter vergonha (pudor) nos seus rostos, mesmo não tendo eles (ainda que eles não
tivessem) roupa sobre as suas nádegas.
http://www.studylight.org/commentaries/mhm/view.cgi?bk=0&ch=1
Tradução de Carlos
António da Rocha
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Esta tradução é de
livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque
já está traduzida no Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca
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para uso e desfruto pessoal.
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