… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Génesis 2 - VERSÍCULOS 21-25 - A Formação de Eva. A instituição do Casamento




Comentário Completo de Matthew Henry sobre a Bíblia
(Matthew Henry’s Complete Commentary on the Bible)

Génesis 2
VERSÍCULOS 21-25

A Formação de Eva. A instituição do Casamento


Aqui temos: I. A criação da mulher, para ser uma adjutora para Adão. Isto foi feito no sexto dia, como também a colocação de Adão no paraíso, embora aqui isto seja mencionado depois de uma explicação do descanso do sétimo dia. Mas aquilo que está escrito de modo geral (Gn 1:27), que Deus criou macho e fêmea, aqui é relatado de maneira mais específica. Observe: 1. Que primeiro foi formado Adão, depois Eva (1Tm 2:13), e ela foi criada do homem, e para o homem (1Co 11:8, 9), coisas que são mencionadas aqui como razões para a humildade, a modéstia, o silêncio e a submissão, daquele sexo de maneira geral, e particularmente a sujeição e a reverência que as esposas devem aos seus próprios maridos. Mas, tendo o homem sido criado depois das criaturas, como o melhor e mais excelente de todas, Eva, tendo sido criada depois dele, e a partir dele, atribui uma honra ao sexo feminino, equivalente à glória do homem, 1Co 11:7. Se o homem é a cabeça, ela é a coroa, uma coroa para o seu marido, a coroa da criação visível. O homem era o pó refinado, mas a mulher era o pó duplamente refinado, alguém ainda mais distante do pó. 2. Que Adão dormiu(a) enquanto a sua esposa era criada, para que não houvesse ensejo (lugar,) para imaginar que ele teria dirigido o Espírito do Senhor, ou sido Seu conselheiro, Is 40:13. Ele tinha percebido a falta que lhe fazia uma adjutora, porém, como Deus Se comprometeu (tomou a Seu cargo, Se ocupou de) de dar-lhe (fornecer, prover,) uma, Adão não se aflige com nenhuma preocupação a este propósito, mas deita-se e adormece docemente, como alguém que lançou todas as suas preocupações (cuidados) em (sobre, em cima de) Deus, com uma resignação satisfeita (bem-disposta, alegre, animada) em si mesmo e todos os seus assuntos entregues à vontade e à sabedoria do seu Criador. Jehovah-jireh, (o Senhor proverá), que o Senhor proveja quando e a quem (para quem) Ele queira (Lhe apraze). Se nós descansarmos graciosamente em Deus, Deus irá graciosamente trabalhar por (para) nós, e fazer tudo para o nosso bem. 3. Que Deus fez cair um sono sobre Adão, e este foi um sono pesado, de modo que a abertura do seu lado não lhe causasse sofrimento. Enquanto ele não conhece o pecado, Deus tomará cuidado para que ele não sinta dor. Quando Deus, pela Sua providência, faz ao Seu povo o que é doloroso para a carne e o sangue Ele não apenas procura a sua felicidade neste assunto, mas, pela Sua graça, Ele pode acalmar e compor os seus espíritos de tal forma a tranquilizá-los sob as operações mais aflitivas. 4. Que a mulher foi feita de uma costela do lado de Adão, não da sua cabeça para o dominar, nem dos seus pés para ser pisada por ele, mas do seu lado para ser igual a ele, e de debaixo do seu braço para ser protegida, e de perto do seu coração, para ser amada. Adão perdeu uma costela, e sem nenhuma redução da sua força ou beleza [pois, sem dúvida, a carne foi fechada sem (nenh)uma cicatriz)]. Porém, no lugar (em vez) disso (da costela), ele recebeu uma adjutora para si, o que compensou abundantemente a sua perda: aquilo que Deus (tira) remove do Seu povo, Ele irá, de uma maneira ou de outra, retribuir com vantagem. Nisto (como em muitas outras coisas) Adão era uma figura dAquele que haveria de vir porquanto do lado de Cristo, o segundo Adão, a Sua esposa, a igreja foi formada, quando Ele dormiu o sono, o profundo sono, da morte sobre a cruz, para (com o fim de) que o Seu lado fosse aberto, e dali saíssem água e sangue, sangue para resgatar a Sua igreja e água para a purificar para Si mesmo. Veja Ef 5:25, 26.

II. O casamento da mulher com Adão. O casamento é honroso, mas este certamente foi o casamento mais honroso que já houve, no qual o próprio Deus ajudou durante todo o tempo. Os casamentos (segundo dizem) são feitos no céu: nós temos certeza de que este o foi pois o homem, a mulher, o encontro, tudo foi obra de Deus. Ele, pelo Seu poder, criou-os a ambos, e agora, pela Sua ordenança, fê-los um só. Este foi um casamento feito em perfeita inocência, e nunca houve nenhum outro casamento como este, desde então, já que, 1. Deus, como seu Pai, trouxe a mulher ao homem, como seu segundo ser, e como adjutora para ele. Depois de criá-la, Ele não a deixou à sua própria disposição. Não, ela era Sua filha, e não devia casar-se sem o Seu consentimento. Aqueles que têm mais probabilidades de se casar, para o seu conforto (consolo, comodidade, bem-estar), são aqueles que pela fé e oração, e com uma dependência humilde da providência, se colocam sob uma conduta que esteja de acordo com o padrão divino. Esta esposa que é criação de Deus, por graça especial, e que foi trazida por Deus, por divina providência, provavelmente provará ser uma adjutora para o homem. 2. De Deus, como seu Pai, Adão recebeu-a (Gn:2:23): “Esta é agora osso dos meus ossos.” Agora eu tenho o que me faltava, e nenhuma de entre todas as criaturas me pôde fornecer uma adjutora para mim.” Os dons de Deus para nós devem ser recebidos com um reconhecimento agradecido e humilde da Sua sabedoria, ao adequá-los para nós, e do Seu favor, ao concedê-los a nós. Provavelmente foi relevado a Adão, numa visão, enquanto dormia, que esta adorável criatura, agora apresentada a ele, era uma parte de si mesmo, e deveria ser a sua companheira e a esposa da sua aliança. Por isso, alguns têm buscado um argumento para provar que os santos, no paraíso celestial, reconhecer-se-ão uns aos outros. Além disso, em sinal (como prova) da sua aceitação (boa acolhida; aprovação) dela (para com ela), ele (Adão) deu-lhe um nome, não peculiar a ela, porém comum ao seu sexo: Esta será chamada varoa, Isha, um ser humano do sexo feminino, diferente do homem apenas no sexo (isto é, em termos físicos e psicológicos), porém não em natureza. Ela foi feita do homem e deve estar unida ao homem.

III. A instituição da ordenança do casamento, e o estabelecimento da sua lei, Gn 2:24. O sábado (dia de repouso) e o casamento foram duas ordenanças instituídas na fase da inocência. A primeira para a preservação da igreja. A segunda para a preservação do mundo da humanidade. Parece (por Mt 19:4, 5) que foi o próprio Deus quem disse aqui: “Um homem deve deixar todas as suas relações, para se unir à sua mulher.” Porém, não se sabe ao certo se Ele disse isto por intermédio de Moisés, que foi o escritor, ou de Adão (que falou, Gn 2:23). Aparentemente, elas são palavras de Adão, em nome de Deus, estabelecendo esta lei para toda a sua posteridade. 1. Veja aqui como é grande o poder de uma ordenança divina. Os seus laços são ainda mais fortes do que os da natureza. A quem estaremos mais firmemente unidos, do que aos pais que nos geraram, e às mães que nos deram à luz? Ainda assim, o filho deve deixá-los, para se unir à sua esposa, e a filha deve esquecê-los, para se unir ao seu marido, Sl 45:10, 11. 2. Veja como é necessário que os filhos tenham o consentimento dos pais no seu casamento, e como são injustos com os seus pais, além de desobedientes (irresponsáveis, que não cumprem seu dever, irreverentes) aqueles que se casam sem tal consentimento. Pois estes filhos roubam-lhes o seu direito e o seu interesse neles, e transferem-no para outra pessoa fraudulentamente e de modo antinatural. 3. Veja que necessidade há não só de prudência mas também de oração na escolha deste relacionamento, que é tão próximo e tão duradouro. Deve ser bem feito aquilo que é feito para toda a vida. 4. Veja como é firme o laço (vínculo) do casamento, que não deve ser dividido ou enfraquecido, por ter muitas esposas (Ml 2.15), nem deve ser quebrado (rompido) ou cortado (arrancado) pelo divórcio, por qualquer causa, exceto por fornicação ou abandono voluntário. 5. Veja quão terno deve ser o afeto entre marido e mulher, tal como o que temos pelos nossos próprios corpos, Ef 5:28. Estas duas pessoas são uma só carne, então, que sejam uma só alma.

IV. Uma evidência da pureza e da inocência daquele estado no qual os nossos primeiros pais foram criados, Gn 2:25. Ambos estavam nus. Eles não precisavam de roupas para a sua defesa contra o frio e o calor, pois nem sequer eles lhes poderiam fazer mal. Eles não precisavam de nada para enfeite. Salomão, em toda a sua glória, não se vestiu como um deles. Eles também não precisavam de nada por causa da decência. Eles estavam nus, e não tinham nenhuma razão para se envergonhar. Eles não sabiam o que era a vergonha, diz a versão dos caldeus. Enrubescer agora mostra a cor da virtude, porém não era, naquela ocasião, a cor da inocência. Aqueles que não tinham nenhum pecado na sua consciência podiam com razão não ter vergonha (pudor) nos seus rostos, mesmo não tendo eles (ainda que eles não tivessem) roupa sobre as suas nádegas.

http://www.studylight.org/commentaries/mhm/view.cgi?bk=0&ch=1



Tradução de Carlos António da Rocha

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Esta tradução é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está traduzida no Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicada nem utilizada para fins comerciais; seja utilizada exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

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