… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sexta-feira, 19 de junho de 2015

A SENTENÇA DE SALOMÃO



A Sentença De Salomão


Apresentaram-se um dia ao rei Salomão duas mulheres que disputavam entre si a posse duma criança. Dizia uma delas:

— Meu rei e senhor, eu e esta mulher morávamos na mesma casa, e cada uma de nós tinha o seu menino de tenra idade. De noite morreu-lhe a ela o filho; e, levantando-se em silêncio, trocou-o pelo meu, que está vivo. Quando me levantei e fui ver o berço, encontrei o menino morto, mas reconheci logo que não era o meu. Dizia a outra:

— Não é verdade o que esta mulher conta. O menino que morreu era o dela; o meu é o que está vivo. Tornava a primeira:

— É falso! O vivo é meu, e o morto é que é o teu. E não havia maneira de se entenderem.

Depois de as ouvir, mandou Salomão a um oficial da corte que lhe trouxesse uma espada, e disse às mulheres que apresentassem o menino vivo.

— Quereis então que eu resolva a contenda... —disse o rei. — É fácil. Parte-se o menino ao meio e dá-se metade a cada uma.

—Meu Senhor e Rei! — exclamou aflita a que primeiro falou. — Peço-vos que não mateis o menino. Antes quero que o deis vivo a essa mulher!

Dizia, porém, a outra:
— Então tu queres saber mais do que o nosso rei? O melhor é dividir o menino, para não ser meu nem teu!

Salomão deu logo a sentença: — Não mateis o menino. Dai-o à mulher que não quer que ele morra. É ela a verdadeira mãe, pois que lhe tem amor.

In “LIVRO DE LEITURA DA 3.ª CLASSE”, páginas 129 e 130


O RELATO BÍBLICO

“Então, vieram duas mulheres prostitutas ao rei e se puseram perante ele. E disse-lhe uma das mulheres: Ah! Senhor meu, eu e esta mulher moramos numa casa; e tive um filho, morando com ela naquela casa. E sucedeu que, ao terceiro dia depois do meu parto, também esta mulher teve um filho; estávamos juntas, estranho nenhum estava connosco na casa, senão nós ambas naquela casa. E de noite morreu o filho desta mulher, porquanto se deitara sobre ele. E levantou-se à meia-noite, e me tirou a meu filho do meu lado, dormindo a tua serva, e o deitou no seu seio, e a seu filho morto deitou no meu seio. E, levantando-me eu pela manhã, para dar de mamar a meu filho, eis que estava morto; mas, atentando pela manhã para ele, eis que não era o filho que eu havia tido. Então, disse a outra mulher: Não, mas o vivo é meu filho, e teu filho, o morto. Porém esta disse: Não, por certo, o morto é teu filho, e meu filho, o vivo. Assim falaram perante o rei. Então, disse o rei: Esta diz: Este que vive é meu filho, e teu filho, o morto; e esta outra diz: Não, por certo; o morto é teu filho, e meu filho, o vivo. Disse mais o rei: Trazei-me uma espada. E trouxeram uma espada diante do rei. E disse o rei: Dividi em duas partes o menino vivo: e dai metade a uma e metade a outra. Mas a mulher cujo filho era o vivo falou ao rei (porque o seu coração se lhe enterneceu por seu filho) e disse: Ah! Senhor meu, dai-lhe o menino vivo e por modo nenhum o mateis. Porém a outra dizia: Nem teu nem meu seja; dividi-o antes. Então, respondeu o rei e disse: Dai a esta o menino vivo e de maneira nenhuma o mateis, porque esta é sua mãe. E todo o Israel ouviu a sentença que dera o rei e temeu ao rei, porque viram que havia nele a sabedoria de Deus, para fazer justiça.” (1Rs 3:16-28, ARC, Pt)

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