A Sentença De Salomão
Apresentaram-se
um dia ao rei Salomão duas mulheres que disputavam entre si a posse duma
criança. Dizia uma delas:
— Meu rei e senhor, eu e esta mulher morávamos na mesma
casa, e cada uma de nós tinha o seu menino de tenra idade. De noite morreu-lhe
a ela o filho; e, levantando-se em silêncio, trocou-o pelo meu, que está vivo.
Quando me levantei e fui ver o berço, encontrei o menino morto, mas reconheci
logo que não era o meu. Dizia a outra:
—
Não é verdade o que esta mulher conta. O menino que morreu era o dela; o meu é
o que está vivo. Tornava a primeira:
—
É falso! O vivo é meu, e o morto é que é o teu. E não havia maneira de se
entenderem.
Depois
de as ouvir, mandou Salomão a um oficial da corte que lhe trouxesse uma espada,
e disse às mulheres que apresentassem o menino vivo.
—
Quereis então que eu resolva a contenda... —disse o rei. — É fácil. Parte-se o
menino ao meio e dá-se metade a cada uma.
—Meu
Senhor e Rei! — exclamou aflita a que primeiro falou. — Peço-vos que não mateis
o menino. Antes quero que o deis vivo a essa mulher!
Dizia,
porém, a outra:
—
Então tu queres saber mais do que o nosso rei? O melhor é dividir o menino,
para não ser meu nem teu!
Salomão
deu logo a sentença: — Não mateis o menino. Dai-o à mulher que não quer que ele
morra. É ela a verdadeira mãe, pois que lhe tem amor.
In “LIVRO DE LEITURA DA 3.ª CLASSE”, páginas 129 e 130
O
RELATO BÍBLICO:
“Então, vieram duas mulheres prostitutas ao rei e se puseram perante ele. E disse-lhe uma das mulheres: Ah! Senhor meu, eu e esta mulher moramos numa casa; e tive um filho, morando com ela naquela casa. E sucedeu que, ao terceiro dia depois do meu parto, também esta mulher teve um filho; estávamos juntas, estranho nenhum estava connosco na casa, senão nós ambas naquela casa. E de noite morreu o filho desta mulher, porquanto se deitara sobre ele. E levantou-se à meia-noite, e me tirou a meu filho do meu lado, dormindo a tua serva, e o deitou no seu seio, e a seu filho morto deitou no meu seio. E, levantando-me eu pela manhã, para dar de mamar a meu filho, eis que estava morto; mas, atentando pela manhã para ele, eis que não era o filho que eu havia tido. Então, disse a outra mulher: Não, mas o vivo é meu filho, e teu filho, o morto. Porém esta disse: Não, por certo, o morto é teu filho, e meu filho, o vivo. Assim falaram perante o rei. Então, disse o rei: Esta diz: Este que vive é meu filho, e teu filho, o morto; e esta outra diz: Não, por certo; o morto é teu filho, e meu filho, o vivo. Disse mais o rei: Trazei-me uma espada. E trouxeram uma espada diante do rei. E disse o rei: Dividi em duas partes o menino vivo: e dai metade a uma e metade a outra. Mas a mulher cujo filho era o vivo falou ao rei (porque o seu coração se lhe enterneceu por seu filho) e disse: Ah! Senhor meu, dai-lhe o menino vivo e por modo nenhum o mateis. Porém a outra dizia: Nem teu nem meu seja; dividi-o antes. Então, respondeu o rei e disse: Dai a esta o menino vivo e de maneira nenhuma o mateis, porque esta é sua mãe. E todo o Israel ouviu a sentença que dera o rei e temeu ao rei, porque viram que havia nele a sabedoria de Deus, para fazer justiça.” (1Rs 3:16-28, ARC, Pt)

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