… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quinta-feira, 25 de junho de 2015

As palavras e o coração



As palavras e o coração

 John Flavel

“Mas eu vos digo que de toda palavra ociosa que os homens disserem hão de dar conta no Dia do Juízo.” (Mt 12:36, ARC, Pt)

O que quero desenvolver nesta entrada é o seguinte: "Deus toma nota e valoriza o que dizes." Passo a desenvolver isto.

A HIPOCRISIA E O SEU JULGAMENTO

O contexto no qual se encontra esta passagem é uma confrontação de Jesus para com a incredulidade e hipocrisia dos fariseus, destes Jesus diz que eram capazes de 'falar do bom, sendo maus', aqui vemos imediatamente o valor que têm as nossas palavras. Jesus acusava-os de que as suas palavras eram 'inúteis, sem proveito nem substância', quer dizer, eram só maquiagem. Jesus adverte-os que serão julgados pois darão conta das mentiras que hão dito. Aqui devemos advertir-nos de que se nossa religião é uma mera casca, quer dizer que mostra uma aparência de piedade e um bom falar frente a outros mas na vida privada se deleita no pecado estamos em grave perigo.

AS NOSSAS PALAVRAS AINDA SÃO VALIOSAS

Entre os jovens temos má fama de não cumprir precisamente tudo o que prometemos, isto sabemo-lo quer seja por experiência própria quer pelo que vemos nos demais. Estas visões levam-nos subtilmente a distorcer o valor das nossas palavras e a razão principal é porque nos centramos no valor que o homem dá às palavras e não no valor que Deus dá às palavras. Exemplificá-lo-ei com uma frase bastante comum:

"A maioria das pessoas não cumprem o que prometem"

Este pensamento se bem que retrata a realidade das coisas é utilizado para nos conformar com o mundo. Não o dizemos quando não nos cumprem o que nos prometem (isso jamais!!) mas, antes pelo contrário, o utilizamos como consolo para a nossa preguiça, assim podemos comprometermo-nos e falhar sem nos sentir incómodos por isso. Aqui é momento de advertir o erro: Isto tira a responsabilidade que temos perante Deus pelo que sai da nossa boca, recordai que Deus toma nota do dizemos!


PALAVRAS PURAS, NÃO SIMPLESMENTE PALAVRAS BONITAS

A intenção do Jesus através da Sua declaração é ensinar-nos que as nossas palavras falam a respeito do nosso coração. Os fariseus falam bem, possivelmente quando se elogiavam assim mesmo e mostravam boa aparência aos demais, as suas palavras eram maravilhosas, mas eram realmente limpas? Jesus indica-nos que não. A ênfase aqui é posta não para discurso dos fariseus, mas no seu coração.

É possível tirar o peixe da água sem que ele esteja molhado? Da mesma maneira seria possível para os fariseus tirar palavras puras se seus corações estavam podres com a hipocrisia? De maneira nenhuma. Por esta razão Jesus não está procurando palavras eloquentes, mas corações puros, sem falsidade.

A EXORTAÇÃO DE CRISTO

Finalmente, se pensarmos que Deus toma nota de nossas palavras e é extremamente rigoroso com elas alguns poderiam apressar-se e dizer "é melhor calar-me e não dizer nada mais", mas não… Quem deu boca ao homem? A língua é um instrumento criado por Deus e se tivermos um novo coração temos um novo timão para dirigir a nossa boca. Por isso, Jesus logo faz a seguinte declaração:

" O homem bom tira boas coisas do seu bom tesouro."

O convite de Cristo não está focado tanto no selecionar das palavras que utilizamos mas a selecionar corretamente o cofre de onde as tiramos. As palavras realmente são valiosas e agradáveis ao Senhor quando saem do bom tesouro do coração. Quero deixar-vos com a seguinte conclusão:

- O homem bom tira boas coisas do seu bom tesouro: Devemos encher o nosso coração da Palavra de Deus para poder ter ao alcance as coisas boas que agradam ao Senhor. Além disso, o "tirar" significa fazer algo em específico, isto é usar nossas palavras para edificar os outros.

- O homem mau do mau tesouro tira coisas más: Querido leitor, se está vivendo em hipocrisia deixa-me dizer-te que ainda que fales bem, as suas palavras fedem a pudridão diante de Deus porque não procedem de um coração regenerado, deves saber que serád julgado por isso e não sairás impune da Sua justiça. Deus não necessita de que continues maquilhando a tua vida, mas que reconheças diante dEle que o teu coração está mal, só Ele pode mudá-lo. Recorda-te que disse que as nossas palavras são importantes para Deus? Bom, pois Deus diz o seguinte: “Se, com a tua boca, confessares ao Senhor Jesus e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo.” (Rm 10:9 ARC1995)

"O coração do homem é a sua pior parte antes do homem ser regenerado— e a melhor logo depois disto. É a sede de princípios, e a fonte das ações. O olho de Deus fixa-Se nele— e o olho do cristão tem de que estar principalmente fixo nele."



John Flavel nasceu no ano de 1628, filho dum ministro do evangelho que faleceu na prisão por causa do seu inconformismo do seu anglicanismo daquela época. Em 1656, após ter sido educado na University College, Oxford, Flavel foi convidado a tornar-se pastor de uma igreja em Dartmouth, Devon, onde passou a maior parte da sua vida. Embora o Act of Uniformity de 1662 tenha declarado o seu ministério como ilegal, ele continuou pregando e escrevendo fielmente sob a pressão da perseguição. Flavel foi preeminente na sua capacidade de escrever tanto para o coração como para a mente. A popularidade de suas obras é, sem dúvida, em certa medida o resultado do tom afável e fervoroso no qual ele escreveu. A sua morte ocorreu em 26 de junho de 1691. 

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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali. 

Carlos António da Rocha



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