… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

domingo, 30 de abril de 2017

MORDOMOS ALEGRES


Mordomos Alegres
George Müller

“Pela graça de Deus, há cinquenta anos que procedo de harmonia com o princípio da mordomia cristã, conforme as Escrituras ensinam. É-me impossível relatar a abundância de bênçãos espirituais que tenho recebido na minha própria alma, ao fazê-lo, isto é, procurando dar com alegria; à medida em que Deus Se agradou em prosperar-me.

Comecei quando tinha relativamente pouco, muito pouco mesmo, que pudesse dispensar, mas quando dava, Deus aumentava a minha capacidade de dar cada vez mais, até que, finalmente, Deus Se agradou, pelas riquezas da Sua graça, em condescender no uso dum pobre e indigno verme como eu, e me confiou, ano após ano, enormes somas para despender.

Muitos santos amados privam-se de extraordinárias bênçãos espirituais, não dando, como mordomos, o que lhes é confiado. Atuam como se tudo fosse seu, como se tudo lhes pertencesse, como se já estivessem de posse da herança incorruptível e incontaminável. Esquecem-se de que nada têm de seu, que foram comprados pelo sangue precioso de Cristo e, tudo o que eles possuem: a sua força física, o seu tempo, os seus talentos, os seus negócios, as suas profissões, os seus olhos, as suas mãos, os seus pés, tudo pertence ao Senhor Jesus, porque Ele os comprou com o Seu sangue precioso.

Por conseguinte, é-me lícito pedir e suplicar, afetuosamente, aos meus queridos amigos Cristãos, que tomem este assunto a peito e considerem que, até agora, têm perdido numerosas bênçãos espirituais, por não seguirem este princípio de dar sistematicamente, na medida em que Deus vos faz progredir e de acordo com o Seu plano; não seguindo apenas um impulso dum sermão missionário ou de caridade, mas dando sistemática e habitualmente, por princípio, à medida que Deus vos tenha dado.

Se vos confiar 50 cêntimos, deviam dar-Lhe em proporção; se vos for feito um legado de 500 euros, dai-Lhe em conformidade com essa importância; se Deus vos entregar cinquenta mil euros, ou qualquer outra soma, dai-Lhe proporcionalmente. Oh, meus irmãos, creio que se compreendêssemos esta bênção, contribuiríamos assim, por princípio; e, se tal fizéssemos, daríamos cem vezes mais do que damos agora.

Quando somos constrangidos pelo amor de Cristo, então Deus condescende em usar-nos; e, quando damos, Ele apraz-Se em confiar-nos mais e mais. É-nos impossível dizer até que quantia Deus nos pode entregar e quão amplamente Ele nos pode dar a alegria, e a honra e o privilégio preciosos de partilharmos com os outros.

E aqui, permitam-me que me refira à minha própria experiência. No primeiro ano em que comecei a dar, Deus confiou-me cerca de sessenta euros. Porém, depois disto, esta importância cresceu, até que agora Ele dá-me cerca de dois mil e quinhentos euros por ano. O homem pobre, George Muller, conhecido por todos como um pobre e que até ao dia de hoje tem realmente sido pobre, contudo, pela graça de Deus, tem sido capaz de dar à volta de cinquenta mil euros, somando todas as importâncias dadas desde o princípio. (Naquela época, estes valores eram multimilionários).

Ultimamente, Deus tem-me permitido receber legados, um após outro, habituando-me assim a dar, algumas vezes, dois mil e quinhentos e até quatro mil euros por ano. Vede a bem-aventurança, o privilégio, a honra extraordinária de que um homem pobre como eu foi revestido por Deus. Pela graça do Senhor, nada mais desejo ser do que um pobre, nada tendo, nenhuma casa de minha pertença, nenhum dinheiro extra em caixa, nem um hectare de terra, um homem realmente pobre, dia a dia confiando em Deus para tudo o que preciso, até para as próprias roupas que uso.

Espero em Deus para todas as coisas, e, contudo, Ele tem-me concedido a grande honra e privilégio de dar mais de cinquenta mil euros, nos últimos cinquenta anos. Porque digo eu isto? Para encorajar os corações dos meus amados irmãos a darem sistematicamente. Se o não fizestes até aqui, principiai agora. É uma bênção para a alma, uma bênção para a carteira e Deus vos confiará cada vez mais.

Não digo que imiteis George Müller, mas que obedeçais à Escritura e procureis dar, ainda que seja pouco, sistemática e proporcionalmente. Mesmo sendo só a vigésima parte do vosso rendimento, dai sistematicamente e recebereis uma bênção para a vossa alma; e a bênção relativamente à mordomia será tal que sereis animados de modo crescente a continuardes neste caminho.”

P. S. O autor, George Müller usou a libra esterlina na Inglaterra, para facilitar as quantidades, refiro o Euro.

Tradução de Carlos António da Rocha

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Esta tradução é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está traduzida no Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicada nem utilizada para fins comerciais; seja utilizada exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

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