A
Necessidade da Ação Humana
C. H. Spurgeon
“Faz-te ao largo, e lançai as vossas redes para pescar.” (Lc 5:4)
Aprendemos com esta narrativa sobre a necessidade da ação
humana. A pesca dos peixes foi miraculosa; contudo, nem os pescadores, nem o
seu barco, nem os seus equipamentos de pesca foram ignorados - tudo foi usado
para apanhar os peixes. De modo que, para se salvar almas, Deus opera através
de meios e, ainda que o regime da graça permaneça, Deus agrada-se da loucura da
pregação para salvar os que crêem.
Quando Deus opera sem
instrumentos, não há dúvida que Ele é glorificado; mas foi Ele que escolheu a
instrumentalidade como meio para ser ainda mais engrandecido na terra.
Os meios em si mesmos são
totalmente inúteis. “Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos”
(verso 5). Qual teria sido a razão disto? Eles não eram pescadores exercendo a
sua vocação? Certamente. Não tinham mãos inexperientes, eles conheciam o seu
ofício. Eram incapazes de cuidar do assunto? Não. Faltou-lhes dedicação? Não,
eles labutaram muito. Faltou-lhes perseverança? Não, eles labutaram a noite
toda. Faltavam peixes no mar? Certamente que não, pois tão logo o Mestre
chegou, eles lançaram as redes sobre cardumes.
Qual teria sido a razão, então?
Teria sido por não existir poder nos meios sem a presença de Jesus? “Sem Ele
nada podemos fazer”. Mas, com Cristo, podemos todas as coisas.
É a presença de Cristo que
concede o êxito. Jesus sentou-Se no barco de Pedro, e a Sua vontade, por uma
misteriosa influência, atraiu os peixes para a rede.
Quando Jesus é exaltado na Sua
Igreja, a Sua presença é o poder da Igreja - o grito do rei no seu meio. “E Eu,
quando for levantado da terra, atrairei todos a Mim mesmo”. (João 12:32). Dediquemo-nos
ao trabalho de pescar almas, olhando ao redor, com fé e solene ansiedade. Vamos
labutar até que a noite venha e o nosso labor não será em vão, pois Aquele que
nos diz para lançar a rede, a encherá de peixes.
Charles Haddon Spurgeon
Charles Haddon Spurgeon, comumente referido como C. H. Spurgeon (Kelvedon, Essex, 19 de junho de 1834 — Menton, 31 de janeiro de 1892), foi um pregador batista reformado britânico.
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