… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

domingo, 3 de julho de 2016

Génesis 1 - VERSÍCULOS 9-13 - A Criação


Comentário Completo de Matthew Henry sobre a Bíblia
(Matthew Henry’s Complete Commentary on the Bible)

Génesis 1

VERSÍCULOS 9-13
A Criação


A obra do terceiro dia é narrada nestes versículos– a formação do mar e da terra seca, e a formação da terra fértil. Até agora o poder do Criador foi exercido e empregado na parte superior do mundo visível. A luz do céu foi acesa, e o firmamento do céu foi fixado. Mas agora Ele desce para o Seu mundo inferior, a terra, que foi criada para os filhos dos homens, criada tanto para a habitação como para a manutenção deles. E aqui temos um relato da preparação dela para ambos os propósitos, e da edificação da sua casa e da colocação da sua mesa. Observe:

I. Como a terra foi preparada para ser uma habitação para o homem, pelo ajuntamento das águas, e fazendo surgir a terra seca. Assim, em vez da confusão que havia (Gn 1:2) quando a terra e a água estavam misturadas numa única grande massa, eis, agora, que há ordem, tornando-as úteis por esta separação. Deus disse: Que assim seja, e assim foi. Dito e feito. 1. As águas que haviam coberto a terra receberam a ordem de recuar, e de se juntar num único lugar, ou seja, naqueles espaços que eram adequados e foram designados para a sua recepção e repouso. As águas são assim evacuadas, assim recolhidas, e assim depositadas no seu lugar próprio, a que Ele chamou Mares. Apesar de eles serem muitos, em regiões distantes, e banhando várias praias, quer na superfície ou debaixo da terra, há uma comunicação entre uns e outros, e eles assim são um só, e o receptáculo comum das águas, para o qual todos os rios fluem, Ec 1:7. As águas e os mares, com muita frequência, na Escritura, significam dificuldades e aflições, Sl 42:7; 69:2, 14, 15. O próprio povo de Deus não está isento destas coisas neste mundo. Mas o seu conforto é que elas são apenas águas que estão debaixo do céu (não há nada destas coisas no Céu), e que todas elas estão no lugar que Deus lhes designou. E assim, elas devem ficar dentro dos limites que o Senhor estabeleceu para elas. Como as águas foram reunidas a princípio, e como elas ainda permanecem limitadas pelo mesmo Poder que as confinou pela primeira vez, elas são descritas de um modo gracioso, Sl 104:6-9, e são ali mencionadas como um motivo de louvor. Os que descem ao mar em navios deveriam reconhecer diariamente a sabedoria, o poder e a bondade do Criador, ao fazer as grandes águas úteis para o homem no tráfego marítimo entre nações e no intercâmbio (comercial ou cultural). E aqueles que ficam em casa devem considerar-se devedores dAquele que mantém o mar com portas e ferrolhos, no lugar decretado, e que segura as suas ondas empoladas, Jb 38:10, 11. 2. A terra seca parece que surgiu e emergiu das águas, e foi chamada terra, e dada aos filhos dos homens. Dá a impressão que a terra já existia antes, mas não tinha utilidade, porque estava debaixo de água. Consequentemente, muitos dos dons de Deus são recebidos em vão, porque estão enterrados. Faça-os aparecer, e eles tornar-se-ão úteis. Nós que, até hoje, desfrutamos o benefício da terra seca (embora, desde que foi outrora inundada e seca de novo) devemos considerar-nos a nós mesmos como inquilinos e dependentes daquele Deus, cujas mãos formaram a terra seca, Sl 95:5; Jn 1:9.

II. Como a terra foi equipada para a manutenção e sustento do homem, Gn 1:11, 12. Uma provisão presente foi feita agora pelos produtos imediatos da terra que, em obediência à ordem de Deus, foram feitos no mesmo instante em que ele se tornou frutífera, e produziu erva para o gado e plantas para o serviço do homem. Da mesma forma, uma provisão foi feita igualmente para o futuro, pela perpetuação de diversas espécies de vegetais, que são numerosos, variados, e todos interessantes, e cada um tendo a sua semente em si segundo a sua espécie. Durante a continuidade do homem sobre a terra, os alimentos devem ser tirados da terra para o seu uso e benefício. Senhor, o que é o homem, para que ele seja assim visitado e considerado com tal cuidado, e feita tal provisão para o sustento e a preservação daquelas vidas culpadas e ofensivas que sem dúvida perderam os seus direitos! Observe aqui: 1. Que não é só a terra que é do Senhor, mas também a sua plenitude, e que Ele é o proprietário de direito e o soberano distribuidor, não só disto, mas de tudo o que ela contém. A terra era vazia (Gn 1:2), mas, agora, pelo poder da Palavra, tornou-se repleta das riquezas de Deus e elas são ainda Suas –o Seu grão e o Seu mosto, a Sua lã e o Seu linho, Os 2:9. Embora o uso de tudo isto nos seja permitido, a propriedade ainda continua sendo dEle, e tudo deve ser usado para o Seu serviço e honra. 2. Que a providência comum é uma criação continua, e nela o nosso Pai trabalha até agora. A terra ainda permanece sob a eficácia desta ordem, para produzir a erva e as verduras do campo e os seus produtos anuais. E embora de acordo com o curso comum da natureza estes não sejam milagres regulares, ainda eles são, casos constantes do infatigável poder e da inesgotável bondade do grande Criador e Senhor do mundo. 3. Que, embora Deus normalmente faça uso da instrumentalidade de causas secundárias, de acordo com a natureza delas, Ele não precisa delas nem está preso a elas. Porque, embora os frutos preciosos da terra sejam geralmente produzidos pela influência do sol e da lua (Dt 33.14), aqui encontramos a terra possuindo uma grande abundância de frutos, provavelmente frutos maduros, antes que o sol e a lua fossem criados. 4. Que é bom provermo-nos das coisas necessárias antes de termos a oportunidade de as usarmos. Antes que os animais e o homem fossem feitos, havia aqui a erva e as verduras do campo preparadas para eles. Assim Se ocupou Deus do homem de forma sábia e bondosa. Que o homem não seja, portanto, tolo e insensato consigo mesmo. 5. Que Deus deve ter a glória de todo o benefício que recebemos dos produtos da terra, quer como alimento quer como remédio. É Ele que ouve os céus quando eles ouvem a terra, Os 2:21, 22. E se nós temos, pela graça, um interesse nAquele que é a origem (fonte), poderemos alegrarmo-nos nEle quando as correntes se secarem e a figueira não florescer.


http://www.studylight.org/commentaries/mhm/view.cgi?bk=0&ch=1



Tradução de Carlos António da Rocha

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Esta tradução é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está traduzida no Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicada nem utilizada para fins comerciais; seja utilizada exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

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