Comentário
Completo de Matthew Henry sobre a Bíblia
(Matthew Henry’s Complete Commentary on the Bible)
Génesis 1
VERSÍCULOS 9-13
A Criação
A
obra do terceiro dia é narrada nestes versículos– a formação do mar e da terra
seca, e a formação da terra fértil. Até agora o poder do Criador foi exercido e empregado
na parte superior do mundo visível. A luz do céu foi acesa, e o firmamento do
céu foi fixado. Mas agora Ele desce para o Seu mundo inferior, a terra, que foi
criada para os filhos dos homens, criada tanto para a habitação como para a
manutenção deles. E aqui temos um relato da preparação dela para ambos os
propósitos, e da edificação da sua casa e da colocação da sua mesa. Observe:
I.
Como a terra foi preparada para ser uma habitação para o homem, pelo
ajuntamento das águas, e fazendo surgir a terra seca. Assim, em vez da confusão
que havia (Gn 1:2) quando a terra e a água estavam misturadas numa única grande
massa, eis, agora, que há ordem, tornando-as úteis por esta separação. Deus
disse: Que assim seja, e assim foi. Dito
e feito. 1. As águas que haviam coberto a terra receberam a ordem de recuar, e
de se juntar num único lugar, ou seja, naqueles espaços que eram adequados e
foram designados para a sua recepção e repouso. As águas são assim evacuadas,
assim recolhidas, e assim depositadas no seu lugar próprio, a que Ele chamou Mares. Apesar de
eles serem muitos, em regiões distantes, e banhando várias praias, quer
na superfície ou debaixo da terra, há uma comunicação entre uns e outros, e
eles assim são um só, e o receptáculo comum das águas, para o qual todos os
rios fluem, Ec 1:7. As águas e os mares, com muita frequência, na Escritura, significam
dificuldades e aflições, Sl 42:7; 69:2, 14, 15. O próprio povo de Deus não está
isento destas coisas neste mundo. Mas o seu conforto é que elas são apenas
águas que estão debaixo do céu (não há nada destas coisas no Céu), e que todas
elas estão no lugar que Deus lhes designou. E assim, elas devem ficar dentro
dos limites que o Senhor estabeleceu para elas. Como as águas foram reunidas a
princípio, e como elas ainda permanecem limitadas pelo mesmo Poder que as
confinou pela primeira vez, elas são descritas de um modo gracioso, Sl 104:6-9,
e são ali mencionadas como um motivo de louvor. Os que descem ao mar em navios
deveriam reconhecer diariamente a sabedoria, o poder e a bondade do Criador, ao
fazer as grandes águas úteis para o homem no tráfego marítimo entre nações e no
intercâmbio (comercial ou cultural). E
aqueles que ficam em casa devem considerar-se devedores dAquele que mantém
o mar com portas e
ferrolhos, no lugar decretado, e que segura as suas ondas empoladas,
Jb 38:10, 11. 2. A terra seca parece que surgiu
e emergiu das águas, e foi chamada terra,
e dada aos filhos dos homens. Dá a
impressão que a terra já existia antes, mas não tinha utilidade, porque estava debaixo de água. Consequentemente,
muitos dos dons de Deus são recebidos em vão, porque estão enterrados. Faça-os
aparecer, e eles tornar-se-ão úteis. Nós que, até hoje, desfrutamos o benefício
da terra seca (embora, desde que foi outrora inundada e seca de novo) devemos
considerar-nos a nós mesmos como inquilinos e dependentes daquele Deus, cujas mãos formaram a terra seca, Sl 95:5; Jn
1:9.
II. Como a terra foi
equipada para a
manutenção e sustento do homem, Gn
1:11, 12. Uma
provisão presente foi feita agora pelos produtos imediatos da terra que, em
obediência à ordem de Deus, foram feitos no mesmo instante em que ele se tornou
frutífera, e produziu erva para o gado e plantas para o serviço do homem. Da
mesma forma, uma provisão
foi feita igualmente para o futuro, pela perpetuação de diversas espécies de
vegetais, que são numerosos, variados, e todos interessantes, e cada um tendo a sua semente em si segundo a sua espécie. Durante a continuidade do homem
sobre a terra, os alimentos devem ser tirados da terra para o seu uso e
benefício. Senhor, o que é o homem, para
que ele seja assim visitado e considerado com tal cuidado, e feita tal
provisão para o sustento e a preservação daquelas vidas culpadas e ofensivas
que sem dúvida perderam os seus direitos! Observe aqui: 1. Que não é só a terra
que é do Senhor, mas também a sua
plenitude, e que Ele é o proprietário de direito e o soberano distribuidor,
não só disto, mas de tudo o que ela contém. A terra era vazia (Gn 1:2), mas, agora, pelo poder da
Palavra, tornou-se repleta das riquezas de Deus e elas são ainda Suas –o Seu
grão e o Seu mosto, a Sua lã e o Seu linho, Os 2:9. Embora o uso de tudo isto nos seja
permitido, a propriedade ainda continua sendo dEle, e tudo deve ser usado para
o Seu serviço e honra. 2. Que a providência comum é uma criação continua, e
nela o nosso Pai trabalha até agora.
A terra ainda permanece sob a eficácia desta ordem, para produzir a erva e as
verduras do campo e os seus produtos anuais. E embora –de acordo com o curso comum da
natureza– estes não sejam milagres regulares,
ainda eles são, casos constantes do infatigável poder e da inesgotável bondade do grande Criador e Senhor
do mundo. 3. Que, embora Deus normalmente faça uso da instrumentalidade de
causas secundárias, de acordo com a natureza delas, Ele não precisa delas nem
está preso a elas. Porque, embora os frutos preciosos da terra sejam geralmente
produzidos pela influência do sol e da lua (Dt 33.14), aqui encontramos a terra
possuindo uma grande abundância de frutos, provavelmente frutos maduros, antes
que o sol e a lua fossem criados. 4. Que é bom provermo-nos das coisas
necessárias antes de termos a oportunidade de as usarmos. Antes que os animais
e o homem fossem feitos, havia aqui a erva e as verduras do campo preparadas
para eles. Assim Se ocupou Deus do homem de forma sábia e bondosa. Que o homem
não seja, portanto, tolo e insensato consigo mesmo. 5. Que Deus deve ter a
glória de todo o benefício que recebemos dos produtos da terra, quer como
alimento quer como remédio. É Ele que
ouve os céus quando eles ouvem a terra, Os 2:21, 22. E se nós temos, pela
graça, um interesse nAquele que é a origem (fonte), poderemos alegrarmo-nos
nEle quando as correntes se secarem e a figueira não florescer.
http://www.studylight.org/commentaries/mhm/view.cgi?bk=0&ch=1
Tradução de Carlos
António da Rocha
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Esta tradução é de
livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque
já está traduzida no Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca
publicada nem utilizada para fins comerciais; seja utilizada exclusivamente
para uso e desfruto pessoal.
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