… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Génesis 2 - VERSÍCULOS 18-20 - O domínio de Adão

Comentário Completo de Matthew Henry sobre a Bíblia
(Matthew Henry’s Complete Commentary on the Bible)
Génesis 2
VERSÍCULOS 18-20

O domínio de Adão

Aqui, temos: I. Um exemplo do cuidado do Criador pelo homem, e a Sua preocupação paternal pelo seu conforto, Gn 2:18. Embora Deus lhe tivesse dado a conhecer que ele era um súbdito, dando-lhe um mandamento (Gn 2:16,17), mas aqui o Senhor também lhe faz saber, para seu encorajamento na sua obediência, que ele era um amigo, um favorito, e alguém por cuja satisfação o Senhor sentia ternura. Observe:
1. Como Deus graciosamente Se compadeceu da sua solidão: Não é bom que o homem, este homem, esteja só. Embora houvesse um mundo superior de anjos, e um mundo inferior de animais, e o homem estivesse entre eles, ainda assim, não havendo ninguém da mesma natureza e nível de existência que ele, ninguém com quem ele pudesse conviver familiarmente, ele podia ser verdadeiramente considerado como sendo (estando) sozinho. Ora, Aquele que o criou, conhecia-o tanto a ele quanto àquilo que era bom para ele, melhor do que o próprio Adão poderia conhecer, e Ele disse, por outras palavras: “Não é bom que ele continue tão sozinho.” (1) Isto não é favorável para o seu conforto, pois o homem é uma criatura sociável. É um prazer para ele trocar conhecimentos e afetos com os da sua espécie (os seus semelhantes, os seus iguais), informar e ser informado, amar e ser amado. Aquilo que Deus diz aqui do primeiro homem, Salomão diz de todos os homens (Ec 4:9-10ss.): que melhor é serem dois do que um, e mas ai do que estiver só. Se houvesse somente um homem no mundo, que homem melancólico ele deveria ter sido! A solidão perfeita transforma um paraíso num deserto, e um palácio numa masmorra. Portanto, são néscios aqueles que são egoístas e desejariam estar sozinhos na terra. (2) Isto não visa o aumento e a continuidade da sua espécie. Deus poderia ter criado inicialmente um mundo de homens, para povoar a terra, assim como povoou o Céu com um mundo de anjos. Mas o lugar poderia ter sido pequeno para que o número desejado de homens vivesse ali, todos juntos, ao mesmo tempo. Por isso, Deus julgou adequado alcançar este número por meio de uma sucessão de gerações, as quais, assim como Deus tinha formado o homem, deveriam vir de duas pessoas, homem e mulher. Mas se Adão permanecesse sozinho, nada disto aconteceria.

2. Como Deus graciosamente decidiu providenciar uma companhia para Adão. O resultado desta avaliação a respeito do homem foi esta generosa resolução: far-lhe-ei uma adjutora que esteja como diante dele, adjutora como ele (alguns interpretam desta maneira), alguém da mesma natureza e do mesmo nível de existência. Uma ajudante próxima dele (segundo outros), alguém que coabite com ele e que esteja sempre por perto. Uma ajudante à sua frente (segundo outros), alguém a quem ele olhe com prazer e deleite. Observe, por esta razão, (1) Mesmo na nossa melhor condição neste mundo, temos necessidade da ajuda uns dos outros porquanto somos membros uns dos outros, e o olho não pode dizer à mão: não tenho necessidade de ti, 1Co 12:21. Portanto, nós devemos ficar satisfeitos por receber ajuda de outros, e por dar ajuda a outros, se houver oportunidade. (2) É somente Deus quem conhece perfeitamente as nossas necessidades, e é perfeitamente capaz de suprir a todas elas, Fl 4:19. Somente nEle está a nossa ajuda, e dEle são todos aqueles que nos ajudam. (3) Uma esposa conveniente é uma adjutora, e vem do Senhor. O relacionamento, então, tem uma probabilidade maior de ser confortável quando a adequação orienta e determina a escolha, quando a ajuda mútua é um interesse constante, e quando todos os esforços possíveis são dedicados ao relacionamento conjugal, 1Co 7:33, 34. (4) Se a sociedade familiar (estiver de acordo com a Palavra de Deus), ela será uma reparação suficiente para a tristeza da solidão. Aquele que tem o bom Deus, um bom coração, e uma boa esposa com a qual pode conviver, e ainda assim reclama que ainda lhe falta alguém com quem possa conviver, não teria ficado tranquilo e satisfeito no paraíso porquanto o próprio Adão não teve mais. Contudo, mesmo antes que Eva fosse criada, nós não lemos que ele se queixou de estar sozinho, sabendo que ele não estava sozinho, porque o Pai estava com ele. Aqueles que estão mais satisfeitos com Deus e com o Seu favor estão no melhor caminho, e na melhor condição para receber as boas coisas desta vida, e devem ter a certeza que as terão (e tê-las-ão asseguradas), tanto quanto a Infinita Sabedoria vê de modo a satisfazê-las.

II. Um exemplo da sujeição das criaturas ao homem, e o seu domínio sobre elas (Gn 2: 19, 20): Deus trouxe a Adão todo animal do campo e toda ave dos céus, quer por meio do ministério dos anjos, quer por um instinto especial, orientando-os para que viessem ao homem como seu senhor, ensinando desde cedo o boi a conhecer o seu possuidor. Assim Deus deu ao homem o libré e a posse legal (o senhorio) da bela propriedade que lhe havia concedido, e concedeu-lhe o domínio sobre as criaturas. Deus trouxe-as para ele, para que ele pudesse dar-lhes nomes, e, assim, dar: 1. Uma prova do seu conhecimento, como criatura dotada das faculdades da razão e da fala, e, assim, mais douta do que os animais da terra e mais sábia do que as aves dos céus, Jb 35:11. E: 2. Uma prova do seu poder. É um ato de autoridade atribuir (impor, dar) nomes (Dn 1:7), e um ato de submissão, recebê-los. As criaturas inferiores, agora, por assim dizer, prestam uma homenagem ao seu príncipe na sua posse, e juram-lhe lealdade e fidelidade a ele. Se Adão tivesse permanecido fiel ao seu Deus, podemos supor que as próprias criaturas teriam conhecido e recordado bem os nomes que Adão agora lhes atribuía, a ponto de atenderem ao seu chamamento, a qualquer momento, e a responderem aos seus nomes. Deus deu nomes ao dia e à noite, ao firmamento, à terra e ao mar e chamou as estrelas pelos seus nomes, para mostrar que Ele é o supremo Senhor delas. Mas Ele deu permissão a Adão para que nomeasse os animais e as aves, como seu senhor subordinado, porquanto tendo-o criado à Sua própria imagem, Deus assim concedeu a Adão um pouco da Sua honra.

III. Um exemplo da insuficiência das criaturas, para ser a felicidade do homem: Mas (entre todos eles) para o homem não se achava adjutora que estivesse como diante dele. Alguns opinam que estas foram as palavras do próprio Adão. Observando todas as criaturas que comparecem diante dele, aos pares, para receberem os seus nomes, assim ele deu a conhecer (sugere) o seu desejo ao seu Criador: “Senhor, todos estes têm adjutoras para si. Mas o que farei? Aqui não há nenhuma para mim.” Esta é sem dúvida avaliação que Deus fez daquela análise (crítica). Ele trouxe-lhas todos consecutivamente (apresentou-as todas diante dele) para ver se haveria uma companheira (igual, parelha) adequada para Adão em toda e qualquer das inúmeras famílias das criaturas inferiores, porém não havia nenhuma. Observe aqui: 1. A dignidade e a excelência da natureza humana. Na Terra não havia semelhante a ela, nem se encontrava o seu par (pessoa igual a ele) entre todas as criaturas visíveis. Todas elas foram examinadas, mas ele (o homem) não podia ser aparelhado (unir-se em casamento; não era compatível) com nenhuma delas. 2. A vaidade (inutilidade, fatuidade) deste mundo e das suas coisas, junte-as todas, e elas não conseguem produzir uma adjutora para o homem. Elas não são adequadas para a natureza da sua alma, nem suprem as suas necessidades, nem satisfazem os seus justos desejos, nem acompanham a sua duração eterna. Deus cria uma pessoa nova para ser uma adjutora para o homem - e não apenas uma mulher, mas a semente da mulher.


http://www.studylight.org/commentaries/mhm/view.cgi?bk=0&ch=1




Tradução de Carlos António da Rocha

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Esta tradução é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está traduzida no Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicada nem utilizada para fins comerciais; seja utilizada exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

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