Comentário
Completo de Matthew Henry sobre a Bíblia
(Matthew Henry’s Complete Commentary on the Bible)
Génesis 3
Versículos 6-8
A Queda do Homem.
Aqui vemos a conclusão da conversa de Eva com
o tentador. Satanás, finalmente, consegue o seu objetivo, e a fortaleza é
tomada pelas suas fraudes (artimanhas, astúcias, estratagemas, ardis;
embustes). Deus testou a obediência dos nossos primeiros pais com a proibição
da árvore do conhecimento, e Satanás, por assim dizer, discute com Deus, e
usando a mesma árvore empenha-se (empreende, experimenta, tenta, ocupa-se com,
encarrega-se de, toma a seu cargo, incumbe-se de) em seduzi-los (desencaminhá-los; corrompê-los ou enganá-los por
sedução; desonrá-los; afastá-los do bom caminho) para uma transgressão, e aqui vemos como o diabo
prevaleceu (triunfou, predominou, levou a melhor, foi ou saiu vitorioso), tendo
Deus permitido isto, para fins sábios e santos.
I.
Aqui temos as persuasões (induzimentos, aliciações, móbiles, estímulos; causas;
provocações; atrações) que os levaram a transgredir (a lei). A mulher, tendo
sido enganada pelas manobras ardilosas do tentador, foi a líder na
transgressão, 1Tm 2:14. Ela foi a primeira a fracassar e foi o resultado da sua
consideração, ou melhor, da sua desconsideração.
1. Ela não viu (nenhum) mal nesta árvore, não mais do que em nenhuma das
restantes. Estava escrito que todas as outras árvores frutíferas que haviam
sido plantadas no jardim do Éden eram
agradáveis à vista e boas para comida, Gn 2:9. Agora, aos seus olhos, esta
era como todo o resto. Parecia ser tão boa para
comida como qualquer uma delas, e ela não viu nada na aparência dos seus frutos
que ameaçasse de morte ou do perigo. Era tão agradável à vista como qualquer
uma delas, e, portanto, “que mal poderia fazer-lhes? Por que deveria esta
ser-lhes proibida, e não qualquer uma das restantes?” Observe que quando se
julga não haver maior mal no fruto proibido do que em qualquer outro fruto, o
pecado jaz à porta, e Satanás leva a melhor (vence). Ou melhor, talvez esta
árvore lhe parecesse a ela ser melhor para comida, mais agradável à vista, e
mais nutritiva (alimentícia) para o corpo, do que qualquer uma das outras (das
restantes), e para os seus olhos era mais agradável do que qualquer outra. Nós
somos, com muita frequência, atraídos para armadilhas por intermédio de um
desejo desordenado de ter os nossos sentidos satisfeitos. Ou, se nada nela (a
árvore) fosse mais convidativo do que nas outras, ainda assim ela era mais
cobiçada, porque ela era (foi, estava) proibida. Pensasse ela (Eva) isto ou
não, nós descobrimos (encontramos, achamos) que em nós (isto é, na nossa carne,
na nossa natureza corrompida) reside um estranho espírito de contradição. Nitimur in vetitum – Nós desejamos aquilo que é proibido. 2.
Ela imaginava que havia mais poder (virtude; mérito, valor; qualidade) nesta
árvore do que em qualquer uma das outras, que ela era
uma árvore que não só não deve ser temida (de quem não se tem medo), mas desejável para dar entendimento, e dessa
maneira destacando-se (sobressaindo, distinguindo-se, era superior) a todo o resto das árvores. Alguns pensam que ela
viu a serpente comendo daquela árvore, e que esta lhe disse que, fazendo isto,
tinha obtido as faculdades da fala e da razão, donde, ela (Eva) teria deduzido
(inferido, concluído, pressuposto) o poder que a árvore tinha de tornar alguém
sábio, e foi persuadida a pensar: “Se ela fez de uma criatura bruta (um ser)
racional, por que não pode tornar divina uma criatura racional?” Observe aqui
como o desejo de um conhecimento desnecessário, sob uma noção equivocada
(enganada, no erro; mal compreendida, errónea; falsa; deslocada, fora de
propósito) de sabedoria, prova ser danoso (nocivo, prejudicial; pernicioso) e
destrutivo a muitas pessoas. Os nossos primeiros pais,
que sabiam muito (bastante), não sabiam isto – que
eles sabiam o suficiente (Os nossos primeiros pais – que sabiam tantas
coisas – não sabiam que, de facto, já sabiam o suficiente). Cristo é uma árvore que se deve desejar para se ser
sábio (Cristo é uma árvore desejável para nos dar
entendimento), Cl 2:3; 1Co 1:30. Vamos, pela fé,
alimentarmo-nos dEle, a fim de que possamos ser sábios para a salvação
(Pela fé devemos alimentar-nos dEle, para que possamos tornar-nos sábios para a
salvação). No paraíso celestial, a árvore do conhecimento não será uma árvore
proibida porquanto lá nós compreendemos claramente (estaremos ao corrente de,
estaremos a par de, conheceremos, saberemos) tanto quanto somos conhecidos. Por
esse motivo, desejemos ardentemente estar lá, e, neste meio tempo, não devemos nós
mesmos exercitar-nos com coisas excessivamente elevadas ou excessivamente
profundas para nós, nem ambicionar (desejar, cobiçar, querer) ser mais sábios
do que aquilo que está escrito.
II. Os passos da transgressão não são passos
ascendentes, mas passos descendentes, e que conduzem ao abismo – passos que
levam ao inferno. 1. Ela viu. Ela
poderia ter desviado os olhos para não contemplar futilidades (vaidade), porém,
ela entra em (cai em) tentação, ao olhar com
prazer para o fruto proibido. Observe que muito (uma grande quantidade de)
pecado tem início (entra; chega) pelos olhos. Nestas janelas Satanás lança (atira) os seus dardos ardentes que perfuram e
envenenam o coração. O(s) olho(s) afeta(m) o coração com culpa e tristeza.
Portanto, façamos, como o santo Job, um concerto (uma
aliança) com os nossos olhos, para não olharmos para nada (em) que corramos o
risco de o cobiçarmos em seguida (depois, posteriormente), Pv 23:31; Mt 5:28.
Que o temor de Deus seja sempre para nós como um véu para (os nossos) olhos, Gn
20:16. 2. Ela tomou (do seu fruto).
Foi um ato voluntário. O diabo não o tomou e o colocou na boca dela, quer ela o
desejasse quer não, mas ela própria (mesma) o tomou. Satanás pode tentar, porém
não pode forçar, ele pode persuadir-nos a lançarmo-nos para baixo, mas ele não pode
lançar-nos para baixo, Mt
4:6. O facto de Eva tomar o fruto constituía um
roubo,
constituía um roubo, como quando Acan tomou do anátema, tomando (apropriando-se
d) aquilo a que não tinha direito. Certamente ela tomou-o com mão trémula. 3.
Ela comeu-o. Talvez ela não tivesse a
intenção, quando o olhou, de o tomar, nem, quando o tomou, de o comer, mas este
foi o resultado. Observe que o caminho do pecado é descendente. Um homem não é
capaz de se fazer parar (de se deter), quando desejar (o deseje). O começo
(princípio, início) do pecado é como o jorrar
(irromper, brotar) da água, à qual é difícil dizer: “Até aqui virás, e não mais
adiante.” Por consequência (por isso, por esse motivo; assim), é nossa
sabedoria reprimir (subjugar, sufocar, esmagar; esconder, ocultar; conter,
refrear; estancar) as primeiras emoções do pecado, e pô-lo de parte (cessar,
parar; interromper; desistir; deixar de; deixar de usar) antes de nos
envolvermos (intrometer-se, intervir, imiscuir-se, interferir; mexer;
ocupar-se) com ele. Principiis obsta (locução
latina que significa “obsta no princípio”) Ataca o mal logo no princípio
(Devemos deter o mal no início). 4. E Ela deu, também, a seu marido. É provável que ele não estivesse
com ela quando ela foi tentada (certamente, se ele tivesse estado com ela,
teria interferido para evitar o pecado). Mas o marido veio para junto dela
quando ela já o tinha comido, e foi convencido, por ela, a comer da mesma
maneira. Pois é mais fácil aprender o que é mau, do que ensinar o que é bom.
Ela deu-lho a ele, persuadindo-o com os mesmos argumentos que a serpente tinha
usado com ela, acrescentando este, que ela mesma tinha comido, e tinha-o achado
até agora, contrariamente a ser mortal, que ele era extremamente agradável e
benigno (deleitoso; que causa deleite; deleitável; saboroso). As águas roubadas são doces. Ela deu-lho
a ele (ao marido), sob o pretexto da gentileza. Ela não poderia comer estes
deliciosos acepipes (guloseimas) sozinha. Mas, de facto, esta foi a maior
crueldade que ela lhe poderia ter feito a ele. Ou,
talvez ela o (o fruto proibido) tivesse dado a
ele para que, se ele se mostrasse ser (se revelasse) nocivo
(prejudicial; pernicioso, danoso; ofensivo; que magoa),
ele pudesse compartilhar com ela a miséria
(indigência; angústia, tormento, aflição, atribulação, suplício) (ele
pudesse compartilhar da sua desgraça), o que, de facto
parece (ser algo) estranhamente cruel, e, além
disso, é possível, sem dificuldade, supor-se que uma atitude como esta
viesse ao pensamento e se acolhesse no coração de alguém que tinha comido o
fruto proibido. Observe que aqueles que têm feito (ocasionam) (o) mal a si
mesmos, normalmente desejam atrair outros para que façam o mesmo (a mesma
coisa). Assim como foi com o diabo, assim também foi Eva, mal pecara começara
logo a tentar (mal era uma pecadora e logo era uma tentadora). 5. Ele comeu, derrotado (dominado, vencido,
subjugado) pela importunação da esposa. É desnecessário interrogar: “Qual teria
sido a consequência se só Eva tivesse transgredido?” A sabedoria de Deus, temos a certeza, teria solucionado esta dificuldade (complicação), conforme (de acordo com) a
justiça. Mas, ai! Não era este o caso. Adão também comeu. “E que grande mal
(dano; ofensa, agravo; prejuízo) é aceitar o raciocínio corrupto e carnal de
uma mente fútil (vã, frívola; vaidosa, presunçosa). Que dano!” Ora, este acto
envolveu a descrença na Palavra de Deus, juntamente com a confiança na palavra
do diabo, o descontentamento com o seu estado atual
(a sua situação actual), o orgulho nos seus próprios méritos e a ambição pela
honra que não vem de Deus, a inveja da perfeição de Deus, e a indulgência para
com os apetites do corpo. Ao negligenciar a árvore da vida da qual tinha
permissão para comer, e ao comer (comendo) da árvore da ciência, que lhe era
proibida, ele (Adão) mostrou claramente um desprezo pelos favores que Deus lhe
tinha concedido, e uma preferência por aquilo que Deus não considerou
aconselhável para ele. Ele desejava (queria) ser não só o autor da sua fortuna
mas também o seu próprio senhor, queria ter o que desejasse e fazer o que
desejasse (quisesse, lhe agradasse; lhe fosse agradável a ele; lhe causasse
satisfação a ele; o satisfizesse; o contentasse; lhe apetecesse, lhe
aprazesse): o seu pecado era (foi), numa palavra, desobediência (Rm 5:19), desobediência a um mandamento claro, fácil
e expresso, que provavelmente ele sabia que era um mandamento de teste. Ele
pecou contra o grande conhecimento, contra as muitas graças, contra a luz e o
amor, a luz mais clara e o maior amor contra os quais jamais algum pecador
havia pecado. Ele não tinha uma natureza corrupta dentro
dele que o traísse, mas tinha uma vontade livre,
não era escravizado, e estava na plenitude da sua força (vigor, energia;
virilidade; fortaleza, poder), não estando nem enfraquecido nem debilitado. Ele
(Adão) desviou-se (mudou de direção) rapidamente. Alguns pensam que ele caiu no
mesmo dia em que foi criado (feito). Mas eu não vejo como conciliar isto com (o
fato de) Deus pronunciando (ter dito) que tudo era muito bom, no final do dia. Outros supõem que ele caiu no sábado:
no melhor dia, a pior obra. Seja como for, é certo que ele conservou a sua
integridade apenas por muito pouco tempo: estando (criado) em honra, não
permaneceu nela. Mas o grande agravamento (circunstância agravante) do seu
pecado foi que, por (causa d)ele, toda a sua posteridade foi envolvida no
pecado e na ruína. Havendo-lhe Deus dito que a sua raça repovoaria (encheria
novamente, voltaria a encher) a terra, certamente ele não poderia deixar de
saber que era uma pessoa pública, e que esta desobediência seria fatal para
toda a sua descendência. E, neste caso, a atitude de Adão foi certamente não só
a maior traição mas também a maior crueldade que jamais houve. Como a natureza
humana estava inteiramente alojada (vivia, estava instalada, hospedada;
guardada, depositada, implantada) nos nossos primevos (primeiros, primitivos) pais,
ela não poderia ser transmitida a partir deles sem uma mancha (desonra,
proscrição; morte civil; suspensão dos direitos civis.) de culpa, uma mácula
(nódoa; mancha) de desonra e uma doença hereditária de corrupção e pecado. E podemos nós dizer, então, que o pecado de Adão tinha
meramente um mal pequeno nele? (Então, será que alguém poderia dizer que
o pecado de Adão provocou somente um pequeno mal?)
III. As últimas consequências da transgressão. Vergonha e
medo dominaram os criminosos, ipso facto
- pelo próprio facto (por isso mesmo)
estes dois (sentimentos) vieram ao mundo juntamente com o pecado, e ainda o
acompanham.
1.
A vergonha, invisível (não vista, despercebida, inobservada,
oculta),
dominou-os (apoderou-se deles), Gn3: 7, onde observe:
(1) As fortes convicções
que sentiram, no seu próprio íntimo (peito; seio; coração, alma; arc.
pensamento, desejo, afeição): Então foram abertos os olhos de ambos. Isto não se refere
aos olhos do corpo. Estes estavam abertos antes, como está claro, porque o
pecado entrou neles (chegou a eles). Os olhos de Jónatas se lhe aclararam por
ter comido o fruto proibido (1Sm 14:27), isto é, ele revigorou-se e reviveu,
por intermédio dele, porém, com os olhos deles não foi (aconteceu) assim. Nem
tão-pouco isto se refere a algum progresso conseguido por este meio no
conhecimento verdadeiro, apenas os olhos das suas consciências foram abertos,
os seus corações feriram-nos pelo que eles haviam feito. Agora, quando já era
demasiado tarde, eles viram a tolice (loucura, acto, ideia disparatada ou
ridícula) que é comer o fruto proibido. Eles viram a felicidade da qual tinham
caído e a infelicidade (miséria, indigência; angústia, tormento, aflição,
atribulação, suplício) em que tinham caído. Eles viram um Deus amoroso
provocado, a Sua graça e os Seus favores perdidos, a Sua imagem e semelhança
perdidas. O domínio (autoridade, soberania) que (eles tinham) sobre as criaturas
havia acabado (ido, desaparecido). Eles viram as suas naturezas corrompidas e
depravadas, e sentiram uma desordem (tumulto, confusão; doença, indisposição, distúrbio)
nos seus próprios espíritos da qual nunca antes tinham estado cônscios
(conscientes, cientes, sabedores, a par) (da qual nunca antes tinham tido
consciência). Eles viram uma lei nos seus membros em luta contra (antagónica,
oposta, contrária; hostil; incomparável; combatendo contra, guerreando contra)
a lei das suas mentes, e cativando-os não só (fascinando-os, encantando-os,
atraindo-os) para (com o fim de, a fim de, em direcção a) o pecado mas também
para a ira (cólera, indignação;) (deixando-os cativos não só do pecado mas
também da ira). Eles viram, como Balaão, quando os seus olhos se abriram (Nm 22:31), o Anjo do Senhor, que estava
no caminho, e a Sua espada desembainhada na mão e, talvez, eles vissem a
serpente que os tinha enganado insultando-os. O versículo diz-nos que eles
viram que estavam nus, isto é: [1]
Que eles estavam despidos (despojados), privados de todas as honras e alegrias
da sua condição no paraíso, e expostos a todas as infelicidades (misérias,
indigências; angústias, tormentos, aflições, atribulações, suplícios) que
poderiam, com razão (com justiça; justamente), ser esperadas de um Deus irado.
Eles estavam desarmados. A sua defesa tinha-os abandonado (ido deles, tinha
passado deles, tinha desaparecido deles.). [2] Que estavam envergonhados,
envergonhados para sempre, diante de Deus e dos anjos. Eles viram-se (viam-se)
despidos de todos os seus ornamentos e insígnias de honra, reduzidos
(degradados, aviltados.) na sua dignidade e desgraçados no mais alto grau
(ao máximo), expostos ao desprezo e à censura do céu, e da terra, e das suas
próprias consciências. Veja aqui, em primeiro lugar, Que desonra e inquietação
é o pecado. Ele traz danos onde quer que seja aceito, coloca os homens contra
si mesmos, perturba a sua paz e destrói todos os seus consolos (confortos,
comodidades, bem-estar). Mais cedo ou mais tarde, ele trará vergonha, ou a
vergonha do verdadeiro arrependimento, que termina em glória, ou aquela
vergonha e desprezo eterno para o qual os ímpios ressuscitarão no grande dia. O
pecado é uma reprovação (vergonha, descrédito; mancha, desgraça, opróbrio;
vexame; censura, acusação, exprobração, reprimenda) a qualquer pessoa. Em
segundo lugar, Que enganador é Satanás. Ele disse aos nossos primeiros pais,
quando os tentou, que os seus olhos seriam abertos. E realmente o foram, mas
não como eles o entenderam. Eles foram abertos para sua vergonha e tristeza, e
não para sua honra e benefício (proveito). Portanto, mesmo que oele
(o diabo) fale de uma forma polida (agradável), não creia nele. A desculpa dos
mentirosos mais maldosos e prejudiciais frequentemente é a seguinte: que eles
apenas se expressam de uma maneira ambígua (usam frases equívocas), porém Deus
não os perdoará (desculpará).
(2)
A triste mudança que eles fizeram, para paliar (aliviar, mitigar,
suavizar; procurar atenuar, desculpar, escusar; minimizar, paliar; encobrir,
disfarçar, dissimular) estas convicções (condenações, provas de culpabilidade;
persuasões) e para eles se armarem (protegerem) contra elas: coseram, ou entrelaçaram folhas de figueira e para cobrir pelo
menos parte da sua vergonha (pudor; causa de vergonha, causa de desgraça) um do
outro, eles fizeram para si aventais.
Veja aqui qual é geralmente a tolice (loucura; ato, ideia disparatada ou
ridícula) daqueles que pecaram. [1] Que eles estão mais preocupados (desejosos,
ansiosos; apreensivos; solícitos, cuidadosos) em salvar a sua credibilidade em
frente dos homens do que em obter o perdão de Deus. Eles são vacilantes
(indecisos; tímidos, acanhados, relutantes) em confessar o seu pecado, e muito
desejosos de o ocultar (esconder, dissimular) tanto quanto pode ser
(possível). Eu pequei, mas ainda assim, honre-me. Pequei; honra-me, porém. [2] Que
as desculpas que o homem apresenta, para encobrir (cobrir, ocultar, guardar no
íntimo) e atenuar (desculpar) os seus pecados, são vãs e frívolas. Como os
aventais de folhas de figueira, eles não melhoram a questão, mas somente a
pioram. A vergonha, oculta desta maneira, tornar-se ainda mais vergonhosa.
Ainda assim, todos nós somos inclinados a encobrir as nossas transgressões,
como Adão, Jb 31:33.
http://www.studylight.org/commentaries/mhm/view.cgi?bk=0&ch=1
O
medo dominou-os imediatamente depois de comeram o fruto proibido, Gn 3:8. Observe
aqui: (1) Qual foi a causa e o motivo (causa próxima, razão, a justificação) do
seu medo: Eles ouviram
a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim pela viração do dia.
Foi a aproximação do Juiz que os amedrontou. E, ainda assim, Ele Se apresentou
de uma maneira que só atemorizou as consciências culpadas. Supõe-se que Ele
tenha vindo sob forma humana, e Aquele que agora julgou o mundo (a humanidade,
o género ou raça humana, os homens) era o mesmo que irá julgar o mundo (a
humanidade, o género ou raça humana, os homens) no último dia. Ele
manifestava-Se a eles agora (aparentemente) sem nenhuma diferença em relação à
maneira como O tinham visto, quando Ele os colocou no paraíso porquanto Ele
vinha para os convencer, e não para os humilhar, nem para os assombrar
(confundir, espantar) ou para os aterrorizar. Ele veio para o (entrou no)
jardim, não descendo imediatamente do céu, à vista deles (diante dos seus
olhos), como depois, no monte Sinai (fazendo das trevas o Seu pavilhão, ou do
fogo ardente o Seu carro), mas Ele entrou no jardim, como alguém que ainda
desejava ter familiaridade com eles. Ele (Deus) veio andando, não correndo, não
cavalgando sobre as asas do vento, mas andando deliberadamente, como alguém que
é tardio em irar-se ensinando-nos que quando formos provocados, não devemos ser
impetuosos (violentos; zangados; irritados) nem apressados, mas falar e agir de
maneira ponderada (circunspecta), e não precipitadamente. Ele veio na viração
do dia, não à noite, quando todos os temores (receios, medos; terrores;
perigos) são duplamente assustadores, nem no calor do dia, porquanto Ele não
veio no calor da sua ira. Não há
indignação nEle, Is 27:4. Nem tão-pouco Ele (o Senhor) veio repentinamente
sobre eles, mas eles ouviram a Sua voz a alguma distância, avisando-os da Sua
chegada, e provavelmente era uma voz mansa e delicada, como aquela com a qual
Ele veio fazer perguntas a Elias. Alguns pensam que eles O ouviram falando
Consigo mesmo, a respeito do pecado de Adão, e do julgamento que agora lhes
devia ser feito, talvez como foi feito a respeito de Israel, Os 11:8, 9. Como te deixaria? Ou, talvez (antes, de preferência,
mais exactamente, mais propriamente, mais verdadeiramente; certamente, sem
dúvida), O tenham ouvido chamando por eles, e vindo na direção deles. (2) Qual foi o resultado (efeito, consequência; significado) e a
evidência do medo deles: Escondeu-se
Adão e sua mulher da presença do Senhor Deus. Que triste mudança! Antes de terem pecado, se ouvissem a voz do
Senhor Deus vindo na direção deles, eles teriam corrido para O encontrar, e com
alegria humilde teriam acolhido com prazer as Suas graciosas visitas. Porém,
agora que a situação era outra, Deus tinha-Se tornado um terror para eles, e
então não é de admirar que eles se tivessem tornado um terror para si mesmos, e
estivessem cheios de confusão. As Suas próprias consciências os acusavam, e
apresentavam o seu pecado diante deles, nas suas verdadeiras cores (no seu
próprio aspecto, na sua própria aparência). As suas folhas de figueira não lhes
serviram de nada. Deus tinha vindo contra eles como um inimigo, e toda a
criação estava em guerra contra eles e como eles não sabiam de algum mediador
entre eles e um Deus irado, portanto nada restava, senão uma certa expectação
horrível de juízo [uma espera temerosa (terrível, assustadora)
pelo julgamento, que era garantido]. No seu temor (sobressalto; pavor; susto, medo súbito), eles esconderam-se entre os arbustos (o mato, as árvores). Tendo pecado, fugiram para eles. Sabendo-se culpados,
eles não suportaram um julgamento, mas esconderam-se, e fugiram da justiça.
Veja
aqui: [1] A falsidade do tentador, e as fraudes e falácias das suas tentações.
Ele tinha-lhes prometido que estariam a salvo, mas agora eles não se julgavam
mais a salvo. Ele tinha-lhes dito que eles não morreriam, e agora eles eram
forçados a fugir para se salvarem. Ele tinha-lhes prometido que eles teriam
aprimoramento (aperfeiçoamento), mas eles viam-se tão inferiores como nunca se
tinham sentido até agora. Ele tinha-lhes prometido que eles teriam
conhecimento, mas eles viam-se confusos, e mal sabiam onde se poderiam
esconder. Ele tinha-lhes prometido que eles seriam como deuses, grandiosos, e
corajosos, e ousados, mas eles tornaram-se como criminosos descobertos,
trémulos, pálidos e ansiosos por escapar. Eles não quiseram ser súbditos, e por
isso tornaram-se prisioneiros. [2] A tolice (loucura) dos pecadores, a pensar
(em pensar, pensando) que é possível ou desejável esconderem-se de Deus: Podem
eles esconder-se do Pai das luzes? Sl 139:7-13 ss.; Jr 23:24. Eles
retirar-se-ão da fonte da vida, sendo que somente ela pode dar ajuda e
felicidade? Jn 2:8. [3] O medo que acompanha o pecado. Todo aquele medo
assombroso das aparições de Deus, as acusações da consciência, as aproximações
dos problemas, os ataques de criaturas inferiores, e as sentenças de morte, que
são comuns entre os homens, são o resultado do pecado. Adão e Eva, que eram
parceiros no pecado, compartilhavam a vergonha e o medo que o acompanhavam. E
embora estivessem de mãos dadas (as mãos tão recentemente unidas em casamento),
eles não conseguiam animar-se nem fortalecer-se um ao outro: eles tinham-se
tornado infelizes consoladores um para o outro!
Tradução de Carlos
António da Rocha
****
Esta tradução é de
livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque
já está traduzida no Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca
publicada nem utilizada para fins comerciais; seja utilizada exclusivamente
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