Comentário Completo de Matthew Henry sobre a Bíblia
(Matthew Henry’s Complete Commentary on the Bible)
Génesis 3
VERSÍCULOS
16
A Sentença de Eva é Proferida
Temos aqui a condenação
(sentença, decisão judicial; veredito; pena) imposta sobre a (à) mulher pelo
seu pecado (Aqui temos a sentença proferida contra a mulher, pelo seu pecado).
Ela é condenada a duas coisas: (a) uma condição de sofrimento, e (a) um estado
de sujeição (submissão), as punições adequadas de um pecado em que ela tinha
satisfeito o seu prazer e orgulho (punições adequadas para um pecado pelo qual
ela tinha satisfeito o seu prazer e o seu orgulho).
I. Aqui ela é colocada
num estado de sofrimento, do qual somente um pormenor é especificado, o gerar
(dar à luz, de ter) filhos. Mas ele inclui todas aquelas impressões de tristeza
e medo que a mente do sexo mais frágil é mais capaz de absorver, e todas as
calamidades comuns às quais elas estão sujeitas. Observe que o pecado trouxe o
sofrimento (dor, pesar, mágoa; infortúnio; sofrimento; aflição; amargura,
tristeza; lamento) ao mundo. Foi isto que fez do mundo um vale de lágrimas,
trouxe grande quantidade (súbita abundância) de problemas sobre as nossas
cabeças, e abriu (fez surgir; descarregou; fez explodir) fontes de tristezas
nos nossos corações, e assim inundado o mundo (desta maneira alagando o mundo):
se não tivéssemos conhecido a culpa, não teríamos conhecido a dor (sofrimento
profundo, aflição, pesar; preocupação) (a tristeza e o sofrimento). As dores do
parto, que são grandes para (de acordo com; em comparação com) um provérbio, um
provérbio das Escrituras, são o resultado do pecado. Cada pontada [dor aguda e
repentina, angústia, aflição, tormento, dor cruciante, agonia; ânsia; súbito
sentimento angustioso; dor aguda (contração, convulsão)] e cada gemido da
mulher que dá à luz expressam as consequências fatais do pecado: isto vem de
ter comido (este é o resultado de comer) o fruto proibido. Observe: 1. Aqui
está escrito que os sofrimentos (problemas, tristezas) são multiplicados,
multiplicados grandemente. Todas as tristezas (sofrimentos, problemas) desta
época atual assim o são. Muitas são as calamidades às quais está sujeita a vida
humana, de vários tipos, e frequentemente (muitas vezes, com muita frequência)
repetidas. (Elas são como) as nuvens que regressam (voltam) depois da chuva, e
não é de admirar que os nossos sofrimentos sejam multiplicados, quando os nossos
pecados também o são: ambos são males incontáveis. As dores do parto (da
concepção, do nascimento duma criança) são multiplicadas. Pois incluem não
somente os espasmos (dores de parto; convulsões, vascas, estertores) do parto,
mas as indisposições anteriores (esta é a tristeza da concepção), e o trabalho
de amamentação e as aflições, depois. E se depois de tudo (E se afinal, E se no
fim de contas), os filhos se tornarem ímpios e tolos, serão, mais do que nunca,
um peso para aquela que os gerou. Desta maneira (Assim) são multiplicadas as
dores. Quando uma dor termina, outra lhe sucede, neste mundo. 2. É Deus que
multiplica as nossas dores: Eu fá-lo-ei. Deus, como (sendo um) Juiz justo,
fá-lo, e isto deveria fazer-nos calar (reduzir-nos ao silêncio; calar-nos) em
(debaixo de; por baixo de; sob; sob o peso de; segundo, conforme) todas as
nossas dores. Por mais numerosas que elas sejam, nós merecemo-las todas, e
ainda mais. Na verdade, Deus como um Pai amoroso, fá-lo para a nossa necessária
correção, para que possamos ser humilhados pelo pecado, e desabituados do
mundo, através de todos os nossos sofrimentos. E o bem que conseguimos com
eles, e o consolo que temos por eles, irão abundantemente equilibrar as nossas
tristezas, não importando o quão grandemente elas sejam multiplicadas.
II.
Ela
(A mulher) aqui é colocada num estado de sujeição (numa condição de submissão).
O sexo feminino que, pela criação, era igual ao sexo masculino, agora, pelo
pecado, tornou-se inferior, e proibido de usurpar a autoridade, 1Tm 2:11, 12. A
esposa, particularmente, aqui é colocada sob o domínio do seu esposo, e não
está sui juris - à sua própria disposição, e sobre isto veja um exemplo naquela lei,
Nm 30:6-8, em que o esposo tem o poder, se assim o desejar, de anular os votos
feitos pela sua esposa. Esta sentença só se equipara àquele mandamento: “Vós, mulheres, sede sujeitas aos vossos próprios maridos.”
Mas a aparição do pecado fez daquele dever uma punição, que, não fosse por
isto, não teria existido. Se o homem não tivesse pecado, ele teria sempre
governado com sabedoria e amor. E, se a mulher não tivesse pecado, ela sempre
teria obedecido com humildade e mansidão. E o domínio, então, não representaria
nenhum descontentamento (ofensa, agravo, gravame; injustiça; razão de queixa):
mas o nosso próprio pecado e tolice (loucura; acto, ideia disparatada ou
ridícula) tornaram pesado o nosso jugo. Se Eva não tivesse comido o fruto
proibido, e não tivesse tentado (seduzido, induzido, induzido ao mal;
instigado; persuadido ou tentado persuadir; procurado convencer; (arc.) posto à
prova) o seu marido para que comesse dele também, ela nunca teria reclamado (se
teria queixado; teria exposto as suas reclamações; se teria lamentado) da sua
submissão. Portanto, ela não deve ser objeto de reclamação, por mais difícil
que seja. Mas sim o pecado, que a tornou assim. Aquelas esposas que não apenas
desprezam e desobedecem aos seus esposos (maridos), mas também os dominam, não
consideram que não apenas estão violando uma lei divina, mas também impedindo a
execução de uma sentença divina.
http://www.studylight.org/commentaries/mhm/view.cgi?bk=0&ch=1
Tradução de Carlos
António da Rocha
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Esta tradução é de
livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque
já está traduzida no Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca
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para uso e desfruto pessoal.
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